2018: o ano da Europa?


As perspetivas de crescimento sincronizado global mantêm-se, sendo que parece existir um consenso relativamente às previsões deste crescimento, que se prevê ser de cerca de 3%. Recentemente em Portugal para o primeiro pequeno-almoço de apresentação do programa Guide to the Markets de 2018, Miguel Luzárraga, executive senior sales Iberia da J.P. Morgan AM, explicou aos presentes quais as perspetivas da entidade não só para a economia mundial, mas também para as principais regiões.

Quanto à economia mundial, existem três perguntas que, para o profissional, devem ser feitas para o ano de 2018: “Se o crescimento sustentável que tivemos no ano passado se irá manter; se as políticas monetárias dos Bancos Centrais são adequadas, se vão continuar e de que forma serão comunicadas as alterações; e, por fim, se as valorizações das diferentes áreas geográficas estão caras ou não, tendo em conta a recuperação registada desde março de 2009”.

Relativamente à primeira questão, ainda que nem todas as economias estejam a crescer ao mesmo ritmo, “conseguimos ver que, desde há 18 meses, se observa uma sincronização generalizada”, começa por dizer Miguel Luzárraga. Assim, para este ano, a perspetiva da entidade é que esta tendência se mantenha, já que “no ano passado várias economias bateram as expectativas”, como foi o caso da Europa ou do Japão. Em termos globais, “os motores de crescimento continuam a estar presentes, como a confiança e o consumo das famílias, o investimento e um mercado laboral forte, entre outros”, explica o especialista.

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Fonte: J.P. Morgan AM, Guide to the Markets, 31 de dezembro de 2017

Outro dado a ter em conta é a inflação, que teima em não alcançar o patamar desejado na grande parte das economias. Ainda assim, a expectativa é de que "esta tenha uma subida gradual”, justificando que a capacidade instalada dos países, o crescimento, as taxas de emprego e a confiança dos consumidores serão factores que provocarão uma pressão inflacionista. Entrando no terreno da inflação, a atuação dos Bancos Centrais torna-se, assim, fulcral.

Os Bancos Centrais continuarão a desempenhar o papel principal durante os próximos tempos”, adianta Miguel Luzárraga relativamente à questão da atuação dos mesmos. Numa fase em que as autoridades monetárias das principais áreas geográficas começam a reduzir os seus balanços, a sua atuação afetará as obrigações governamentais. “Cerca de 20% da oferta de obrigações governamentais tem yields abaixo dos 0%, sendo que 50% das obrigações mundiais está abaixo de 1%” refere o profissional. Mas qual será o efeito desta mudança de atuação? “A diminuição do montante adquirido por parte dos principais compradores destas obrigações nos últimos tempos fará, muito provavelmente, com que os seus preços baixem”, explica, acrescentando que também serão afetadas pela pressão inflacionista e pelas subidas de taxas de juro nos Estados Unidos. Dito isto, para a entidade esta classe de ativos não é a favorita para este ano, ainda que, se tivessem que escolher, a escolha recairia sob high yield.

Ações, a classe de ativos favorita

Noutros segmentos, as ações surgem em destaque, e é nesta classe de ativos que se foca a terceira e última pergunta: estarão caras, ou não, nesta fase da sua história? O gráfico abaixo responde de forma clara a esta pergunta. Analisando as valorizações em termos de price to earnings dos principais mercados desenvolvidos, demonstra que a Europa e o Reino Unido estão em média com as valorizações dos últimos 25 anos, sendo que no Japão se encontram abaixo desse patamar. Já nos Estados Unidos, ainda que estas estejam um pouco acima, “isso não quer dizer que estejam muito caras. Estão acima do verificado no ano passado, sim, mas não são valorizações extremas”, esclarece Miguel Luzárraga. Ainda assim, o outlook para o mercado acionista norte-americano continua a ser positivo, embora seja esperada uma rentabilidade mais discreta: “Temos verificado, nos últimos anos, uma média de 19% de crescimento anualizado e não acreditamos que este ano o retorno se situe perto deste valor”, explica.

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Fonte: J.P. Morgan AM, Guide to the Markets, 31 de dezembro de 2017

Do lado dos mercados emergentes, o profissional destaca que utilizam, pela fiabilidade do indicador, o price to book nesta análise. “Vemos que estão em média com os dados dos últimos 25 anos, pelo que ainda há espaço para crescer”, adianta o profissional. Dito isto, para a entidade, os mercados mais atrativos são, precisamente, os mercados emergentes e a Europa, uma vez que se encontram na parte inferior do gráfico que abaixo apresentamos, onde constam os lucros do conjunto das diferentes economias desde março de 2009.

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Fonte: J.P. Morgan AM, Guide to the Markets, 31 de dezembro de 2017

As razões para este enviesamento estão relacionadas com o bom momento económico de ambas as regiões. Enquanto que para a Europa, em 2018, as perspetivas de crescimento da entidade se situem nos 2,5%, para os mercados emergentes essa perspetiva é de 4,8%. “O contexto europeu é bastante favorável, isto porque o consumo continua sólido, o desemprego continua a descer e a confiança dos consumidores tem aumentado. Por outro lado, teremos um calendário eleitoral menos ocupado que no ano passado, embora os resultados das várias eleições tenham acabado por ser positivos”, refere Miguel Luzárraga. Do lado dos mercados emergentes, ainda que a dívida do mercado chinês possa ser um problema, as perspetivas são bastante positivas: “Do nosso ponto de vista, as dúvidas relacionadas com a dívida na China não parecem ser suficientemente fortes. Esta está, mais ou menos, ao nível da dívida do mercado italiano ou do mercado americano. Se compararmos com o mercado japonês, por exemplo, está abaixo”, explica o profissional. As perspetivas dos lucros empresariais, por sua vez, são favoráveis para este mercado, pelo que “o dólar poderá ajudar as economias emergentes, bem como a estabilização dos preços das matérias-primas”, conclui.

Rentabilidade a longo-prazo

Numa análise à rentabilidade das diferentes classes de ativos nos próximos 10-15 anos, o chamado “Long-term capital market assumptions”, a entidade defende que a rentabilidade das obrigações será menor nos próximos anos, comparativamente com a rentabilidade dos últimos 10 anos. Quanto às ações, apresenta a perspetiva inversa, defendendo que os próximos 10-15 anos significarão rentabilidades superiores para este segmento, com maior destaque para determinadas regiões, como é o caso dos mercados emergentes, Europa e Japão

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Fonte: J.P. Morgan AM, Guide to the Markets, 31 de dezembro de 2017

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