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2016 será mais um ano de volatilidade


Com vários analistas a manterem-se cépticos quanto ao estado da economia, o Royal Bank of Scotland (RBS) resolve ser ainda mais pessimista e alerta os seus clientes para os cuidados a ter num ano que preveem como catastrófico para a economia mundial.

O conselho do banco recentemente resgatado pelo governo britânico, vai no sentido de vender tudo, com exceção dos títulos de dívida americana e alemã, tidos como os mais seguros do mundo.

O RBS e outras casas de investimento vão avançando alertas para os perigos que ameaçam os mercados de acões e de crédito ao mesmo tempo que se mostram muito cépticos quanto á capacidade dos bancos centrais em evitar o inevitável.

E de facto existem razões para alarme. O mundo como um todo está em recessão.

A Reserva Federal começou a subir taxas de juro numa altura em que a grande maioria dos bancos centrais está ainda num ciclo de expansão dos programas de apoio à economia, com cortes de taxas e/ou taxas muito perto de zero.

Os Estados Unidos estão muitos anos à frente das outras economias no que à recuperação da sua economia diz respeito, iniciando agora uma nova etapa do ciclo de política monetária, mas será que estão correctos na sua interpretação dos dados macro?

Apesar do pleno emprego, não será excesso de confiança?

Sabemos que a economia dos Estados Unidos tem impacto no resto do mundo, mas a economia global é ainda maior e como é lógico tem um impacto muito grande na saúde da economia Americana.

Conforme vão sendo revelados os dados de atividade do último trimestre de 2015, mais para baixo vão indo as previsões sobre o crescimento para 2016.

A subida de taxas nos Estados Unidos vai ter fortes implicações nas economias emergentes. A dívida denominada em Dólares associada á desvalorização das suas próprias divisas vai ter um impacto muito grande nas economias ditas emergentes. O Brasil é o caso mais grave, sendo o país que mais perto está de uma crise profunda, com a Petrobras a servir de exemplo.

Para desenvolver as suas plataformas offshore, a empresa estatal Brasileira viu-se na necessidade de contrair empréstimos denominados em Dólares. Com a subida de taxas, a Petrobras encontra cada vez mais dificuldades para pagar o endividamento contraído em Dólares.

Talvez a Fed tenha agido cedo de mais e tenha que emendar a mão, mas para já o cenário para os emergentes não é nada positivo.

Os emergentes que estejam dependentes do petróleo estão muito pior. É o caso da Rússia e da Venezuela, com os seus PIB muito dependentes da exportação de energia e que estão neste momento numa situação muito difícil e que pode ainda piorar. O lado bom da queda do preço para estes países é que assim é possível implementar reformas estruturais muito menos dolorosas para a população. O dificil mesmo é avançar para essas reformas.

O preço do petróleo já bateu nos 30 Dólares por barril, e a guerra Irão/Arábia Saudita leva-me a pensar que o preço deverá descer ainda mais. O custo de extração de petróleo para o Irão é o mais barato do mundo e se entrarem novamente no mercado é quase certo que o preço irá continuar a sua trajetória descendente.

Com a queda do preço e pelo facto de 75% das receitas da Arábia Saudita virem da exportação de petróleo, um investidor que queira fazer um seguro face a um incumprimento da dívida pública saudita tem que pagar o mesmo que se fizesse o seguro para se proteger de um incumprimento da República Portuguesa.

O mercado de ações está pronto para uma forte descida, tal como o arranque de 2016 pode deixar antever. As repercussões que os problemas das bolsas chinesas têm um pouco por todo o mundo não podem ser ignoradas. Mesmo com forte controle das autoridades Chinesas, se a bolha rebenta na China, todos os mercados acionistas irão levar por tabela.


Não nos podemos esquecer que o mercado está inflacionado por anos de dinheiro barato que invariavelmente ia para ao mercado de renda variável e de dívida pública garantida pelos Bancos Centrais.

2016 será sem dúvida sinónimo de volatilidade.

 

(foto: rbanks, flickr, creative commons)

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