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2016: primeiros passos para uma crise anunciada


O ano nos mercados financeiros começou com uma forte queda no mercado bolsista chinês, queda essa que se repetiu hoje (dia 7 de janeiro) e que se poderá repetir novamente.

As fortes descidas, que obrigam as autoridades a suspender a cotação quando atinge os 7%, surgiram na sequência de maus dados da indústria chinesa e de um corte da taxa de referência por parte do Banco da China e reflecte o temor que os investidores têm em relação á viabilidade da recuperação da economia Chinesa.

O Yuan tem vindo a desvalorizar face ao dólar, para o nível mais baixo em 4 anos com as reservas do Banco Central Chinesas a descerem 108 mil milhões de USD em dezembro, para o seu ponto mais baixo dos últimos 3 anos.

Apesar dos esforços das autoridades para impedir grandes oscilações e pedidos ao mercado para não especularem a favor de uma queda do yuan, a descida da divisa chinesa parece um dado adquirido.

Apesar da mudança de paradigma da economia Chinesa, onde deixou de ser a "fábrica do mundo", para potenciar o consumo interno, a descida do yuan é vista com bons olhos pelas autoridades, uma vez que dá força ao sector exportador. 2016 vai ser um ano onde a economia global vai ser posta verdadeiramente à prova.

Antevendo a subida de taxas por parte do Fed, o mercado virou-se para o Dólar e fez subir a sua cotação quase 25% face ao Euro nos últimos 18 meses, num movimento com impacto nas exportações Americanas e no surgimento do espectro de deflação nos Estados Unidos. Esse será o grande desafio da economia Americana durante 2016.

Para que o Fed continue a subir taxas é necessário que a economia se mantenha com bons indicadores da economia em geral e da inflação em particular.

Com os bancos centrais alinhados no mesmo tipo de política monetária é mais difícil ocorrerem grandes oscilações cambiais, mas no ponto em que estamos, com o Fed a começar um novo período em termos de política monetária e todos os outros bancos centrais no sentido oposto, é natural que a pressão compradora de Dólares se mantenha.

Não nos esqueçamos que em 2011, o BCE subiu taxas, para logo depois emendar a mão e reconhecer que a Zona Euro não estava preparada para taxas mais altas. No final desse mesmo ano, o BCE desceu a sua taxa directora.

E é na Europa e no Japão que poderão estar os grandes beneficiados desta divergência de política monetária e da alta do Dólar. As suas divisas ficarão mais fracas e isso ajuda nas exportações, ao mesmo tempo que com um Dólar forte os preços das matérias primas deverão manter-se baixos, permitindo assim importações mais baratas.

Depois de décadas evoluindo para o mercado global que conhecemos agora, a economia global parece estar a caminho de um novo rumo, com uma reorganização em blocos regionais, os países a olhar mais para dentro do que para o seu parceiro do lado (a Rússia e a China por motivos diferentes, são dois bons exemplos)

A geopolítica ganhou lugar de destaque nos noticiários nos últimos anos, e 2016 deve ser um ano pródigo em acontecimentos. Muitos são os focos de instabilidade que podem ter impacto no quotidiano de todos.

O ISIS deixou de ser um problema local, galgando fronteiras e à boleia dos refugiados Sírios e Iraquianos é uma ameça concreta à segurança na Europa e no Mundo.

Os próprios refugiados acolhidos na Europa Central começam a causar graves problemas, como o que sucedeu em Colónia na passagem de ano.

A recente decapitação de um religioso Iraniano às mãos da Arábia Saudita, deixa a situação na zona à beira da ruptura e eleva a guerra religiosa a um outro nível. A Arábia Saudita e o Irão estão em lados opostos da barricada em vários conflictos na região. De um lado temos a Rússia como aliada do Irão e do outro lado, a Arábia Saudita conta com o apoio dos Estados Unidos.

A Rússia, que entretanto, juntamente com a França e o Reino Unido continua a bombardear posições estratégicas do ISIS.

Na China depois de anos com um crescimento alucinante, a desacelaração do crescimento económico é um facto, e as fortes descidas ocorridas nas bolsas deixam antever que algo de mais forte pode acontecer. Esse abrandamento tem impacto um pouco por todo o mundo como ficou demonstrado na crise do verão de 2015.

A utilização de uma bomba de hidrogénio por parte da Coreia do Norte, com um discurso de que, será utlizada como arma de defesa contra qualquer ataque dos Estados Unidos, não deixa indiferente ninguém e muito menos Pequim, que vê com muita preocupação o recrudescer da tensão na Península Coreana. Está dado o mote para um 2016 recheado de eventos interessantes ou talvez não.

(Imagem: luvgadgets, Flickr, Creative Commons)

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