2013: normalização e convergência dos prémios de risco


Procuramos assumidamente uma visão algo contrária aos consensos (em particular quando os sentimos já muito instalados) sem com isso negarmos nem fecharmos os olhos a problemas tão reais como o 'fiscal cliff' nos EUA, ou a crise da dívida mundial com especial urgência no tema europeu, ou ainda a fragilidade do crescimento mundial agora mais evidente numa fase em que também os países emergentes entraram no barco da desaceleração.

Apesar de conscientes destes riscos, e portanto apesar de os incorporarmos nos nossos cenários como riscos reais, identificamos ainda assim duas forças de sinal positivo muito pujantes: por um lado, o movimento de valorização das classes de activos mais conservadoras, que por oportunidade e refúgio performaram nos últimos anos de forma inusitadamente positiva, está a esgotar-se e com isso a perder eficácia seja na sua função de retorno seja na sua função de guarida; por outro lado, a receita dos bancos centrais para lidar com a crise, esteja ela certa ou errada não vem agora ao caso, continua (e parece que continuará) a passar pela massiva injecção de novo dinheiro no mundo, o que somado ao facto das economias continuarem bastante impermeáveis nesta fase conduz inexoravelmente à valorização dos activos financeiros.

Neste contexto, acreditamos pois que 2013 será um ano de convergência nos prémios de risco genericamente entre risco e refúgio. Na prática, apostamos no 'outperformance' das acções em relação a 'bonds', da periferia em relação ao 'core' e dos emergentes em relação aos 'developed' numa fase de normalização dos prémios de risco que não tem necessariamente, ao longo de 2013, de ser acompanhada de uma grande melhoria dos fundamentais. Acreditamos que a contabilidade ou a “reconciliação” entre a realidade e os mercados só será feita mais tarde sendo hoje impossível antecipar o resultado de tal exercício. Sabemos por outro lado, que no clima volátil e sem direcção que temos vivido desde o início deste milénio, são movimentos como estes que fazem a diferença na actividade de gestão de activos, concretamente na sua missão de procurar acumular retorno absoluto para os seus clientes.

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