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Voltaram as turbulências ao mercado de obrigações: veja o que aconteceu nas últimas jornadas


Depois de três meses de mínimos sem precedentes nas TIRs, as taxas europeias sofreram uma correção nas duas primeiras semanas de maio e aumentaram até alcançar níveis prévios à expansão quantitativa. Embora os especialistas não estejam de acordo na hora de determinar quais os factores que têm contribuído para esta reviravolta na tendência, a maioria aponta as preocupações referentes à liquidez, a melhoria das expectativas de inflação na Europa devido ao aumento dos preços do petróleo e os sinais de melhoria na economia. Seja quais forem os motivos que levaram à correção, o certo é que no mês passado este comportamento apagou do mapa qualquer possibilidade de rentabilidade mensal positiva para as obrigações governamentais alemãs (-1,1%), espanholas e italianas (2,1%) e italianas (-2,1%).

Em junho a situação começou da mesma maneira que em maio: com turbulências. A volatilidade nos mercados de obrigações aumentou até a um ponto, em que, na passada quinta-feira, as flutuações foram as maiores de 2015. Segundo explicam da J.P. Morgan AM, a volatilidade a uma semana, da TIR das bund alemãs a 10 anos, disparou depois do presidente do BCE, Mario Draghi, ter confirmado a 4 de junho que o programa está a impulsionar a economia da Zona Euro (ver gráfico 1). No mesmo dia, o FMI cortou a sua previsão de crescimento do PIB americano para 2015 de 3,1% para os 2,5%. “Pode ter a ver com ser o princípio do verão, mas os investidores não sei se estão a ter a calma necessária, e estão a posicionar-se para um estreitamento de divergências entre as maiores economias do mundo”, afirma da gestora norte-americana.

Atribuindo números concretos à correção registada pelo mercado de obrigações, o índice de dívida pública de Espanha, Itália e Alemanha acumula uma queda de mais de 2% desde o início do mês. A rentabilidade das bund alemãs a 10 anos negoceia já nos 0,9%, depois de ter subido aproximadamente 35 pontos base apenas no mês de junho, enquanto que a TIR das obrigações espanholas a 10 anos está nos 2,24%, o que representa uma subida de quase 40 pontos base no mês. A queda dos preços das obrigações também se tem feito sentir nos Estados Unidos, onde a rentabilidade das treasury a 10 anos subiu quase 30 pontos base. “Com a queda do mercado, o investidor perdeu num espaço de dias o carry de vários anos”, assegura Laurent Crosnier, gestor do Amundi Funds Bond Global Aggregate, da Amundi. No que diz respeito à volatilidade, o índice Move – um dos mais populares na medição das oscilações dos preços no mercado de obrigações – recuperou até aos 90 pontos (ver gráfico 2: fonte Bloomberg).

“É um comportamento que não deveria surpreender. O mercado está a começar a descontar maiores níveis de crescimento e inflação”, assegura Manuel Arroyo, diretor de Análise e Estratégia da J.P. Morgan AM para Ibéria. No entanto, o certo é que esta nova correção surpreendeu muitos investidores que pensavam que o Quantitative Easing do BCE seria suficiente para manter as TIRs contidas nos mínimos aos quais negociava durante o mês de abril. O que parece claro é que o BCE irá continuar a comprar dívida através dos bancos centrais de cada país, que estão a lançar ordens de compra através de pequenos tickets. Fazem-no usando as plataformas eletrónicas, e não por via telefónica. Todos os meses a procura supera a oferta. Isto foi assim excepto em maio, quando o volume de emissões superou a procura (ver tabela 3: fonte Natixis Global AM).

Segundo explica Olivier de Larouzière, responsável de taxas de juro da Natixis AM (filial da Natixis Global AM) e gestor do Natixis Souverains Euro, “o BCE em si mesmo não teve impacto no mercado. O impacto aconteceu por antecipação dos investidores a esse movimento de Mario Draghi. A autoridade monetária tem feito um grande trabalho na implementação do programa, por causa do escasso impacto que teve no mercado. É algo que surpreendeu a muitos atores do mercado. O facto da TIR das Bund ter chegado a negociar a níveis de 0,05% explica-se em parte pelo facto de ter atuado como refúgio perante a crise grega. O resto do movimento acontece por antecipação do QE”, afirma o especialista. Para Larouzière, a correção era algo que tinha que acontecer. “Eu disse-o aos meus clientes. Tendo em conta que o mercado se comportou tão bem durante o último ano e meio, tinha que haver um momento para respirar”.  Agora a chave está em saber qual é o novo ponto de equilíbrio da TIR das obrigações alemãs a 10 anos.

 

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