"Voltar a ponderar a qualidade das empresas"


O mercado acionista europeu teve um desempenho muito positivo em 2013, confirmando a recomendação de investimento feita por Miguel Corte Real há cerca de um ano à Funds People para esta classe de ativos. "O MSCI Europe valorizou, no ano passado, cerca de 26%, apresentando uma relativa desconexão com os resultados das empresas", iniciou o diretor de investimentos da Fidelity, a sua apresentação de ontem em Lisboa.

Parece unânime entre os profissionais de investimento a ideia de recuperação do velho continente, apesar do reconhecimento do ainda longo caminho a percorrer no sentido da consolidação da economia europeia e da melhoria dos resultados das empresas. "A confiança dos CIOs está a fortalecer-se, tendo os seus efeitos nos resultados, assim como tendencialmente se verificará um maior investimento em bens de capital (CAPEX) e uma maior remuneração dos acionistas. Tudo isto conduzirá a uma maior eficiência das empresas europeias", aponta o diretor de investimento da Fidelity que considera que se continua a viver um momento positivo de investimento na Europa, devendo os investidores aproveitar as correções pontuais para entrar no mesmo e beneficiar da recuperação da região. Os fluxos de entrada em fundos europeus têm crescido consecutivamente o que demonstra a melhor percepção dos investidores face à Europa e, em particular, à periferia, favorecida pela melhoria nos prémios de risco. 

Naturalmente, os riscos existem, especialmente ao nível geopolítico. "As notícias relacionadas com conflitos políticos como a questão da Crimeia ou de movimentos independentistas como em Veneza onde alguns equacionaram a sua separação de Itália originam, de forma geral, mais volatilidade no mercado. Contudo, explica o especialista, na Fidelity olhamos para os investimentos através dos seus bons fundamentais, selecionando empresas de qualidade e adoptando, por isso, uma lógica de stockpicking. Os riscos geopolíticos são, evidentemente, monitorizados".

A visão da gestora para a Europa é de um crescimento moderado, uma inflação e taxas de juro que permanecerão em níveis baixos, ao longo deste ano, com os mercados a subirem mais que os lucros das empresas. Todavia, Miguel Corte-Real salienta, "o dinheiro fácil (nas bolsas europeias) já foi ganho. Atualmente, há oportunidades mas com menor potencial de valorização". Assinala, ainda, que "é normal depois de uma subida como a verificada no ano passado, em que, tendencialmente, se menosprezou a qualidade das empresas e se investiu de forma quase indiscriminada, se volte a ponderar a qualidade das mesmas e a diferenciar crescimento e qualidade".

 

Europa: "uma ilha de estabilidade"?

"Alguns países europeus são muito estáveis, outros menos. A verdade é que a Europa tem que perceber que tem que ter competitividade em termos de diversificação, devendo para isso ser mais unida, deixando para trás algum do seu protecionismo", responde o diretor de investimento em ações europeias, realçando a atual força da Alemanha. Para o especialista este país apresenta melhorias no sector das exportações e também ao nível da confiança dos consumidores que, tradicionalmente, investirão mais em imobiliário o que fortalecerá o motor da economia europeia. No âmbito da inovação e do research, diz, "já se percorreu um caminho, por exemplo em áreas como a farmacêutica com grandes empresas europeias (Roche, Novartis) a ganharem vantagens comparativas face a homólogas americanas". Miguel Corte-Real sublinha ainda a questão do gás de xisto que beneficiará mais os EUA que a Europa, muito embora possa diminuir os custos energéticos o que constitui uma outra vantagem comparativa para a região". A atividade de fusões e aquisições, em progressão na Europa e também na Península Ibérica, é outro indicador positivo para o futuro. 

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