Volatilidade não ‘assusta’ investidores


Setembro foi “o segundo mês consecutivo em que se registou uma maior volatilidade nos mercados”, começa por dizer Rui Castro Pacheco, head of asset management do Banco Best. Apesar disso, o top de fundos estrangeiros mais subscritos nas plataformas nesse período parece revelar alguma convicção por parte dos investidores que não se deixaram intimidar pelo enquadramento. Na verdade, a palavra que melhor descreve o top ten de setembro é diversificação, já que há um pouco de tudo: fundos de ações, obrigações, mistos e estratégias que vão desde os tradicionais long only a fundos absolute e total return. Também ao nível das geografias há alguma variedade, embora as abordagens mais globais e as focadas na Europa se evidenciem.

João Graça, do ActivoBank passa em revista o cenário macro que caracterizou o nono mês do ano. “Num mês marcado pelo escândalo da Volkswagen, os mercados reagiram com determinação em penalizar todo o sector automóvel. Ainda assim, setembro começou com dados económicos contraditórios nos EUA e com a sinalização do estado de prontidão do BCE em flexibilizar o seu QE caso fosse necessário. No Oriente, à semelhança do mês anterior, os dados de exportações decepcionaram, levando o ministro das finanças a anunciar mais reformas e estímulos fiscais. De entre tanta notícia importante, não se pode deixar de mencionar a mais importante que foi a decisão da FED em manter as taxas de juro inalteradas dando espaço a uma recuperação nos mercados”, descreve o profissional que diz ainda que, na sua entidade, se assistiu “a um reposicionamento de alguns clientes (que optaram) por fundos mais específicos particularmente Europa tanto a nível de ações como obrigações, beneficiando assim do impacto da ação do BCE e ações japão como forma de diversificação favorecida também pelas políticas expansionistas praticadas no país do sol nascente”, termina.

Passando para aquela que é a instituição que mais fundos estrangeiros comercializa em Portugal, Banco Best, a preferência por ativos de risco manteve-se. Rui Castro Pacheco salienta, por isso, quais os fundos de ações favoritos. “Nos fundos de ações aparecem 3 estratégias diferentes para investir na Europa. O European Smaller Companies, gerido pela MFS, para investidores que procuram encontrar as pequenas empresas que podem fazer a diferença no futuro. O European Opportunity Unconstrained, gerido pela UBS Asset Management, para investidores que procuram as melhores oportunidades nas grandes empresas europeias, tendo inclusivamente a possibilidade de “estar curto” nas empresas onde a equipa de gestão está mais negativa. Por último, o European Value, gerido também pela MFS, que procura encontrar as empresas europeias que estão com valorizações mais atrativas, seguindo uma estratégia de valor”. Acrescenta que “o setor da saúde e biotecnologia continua a registar uma procura interessante, com os fundos Biothecnology Discovery, da Franklin Templeton, e o World Healthscience, da BlackRock, a permanecerem por vários meses nas preferências dos investidores”. Por último, no top do Banco Best, há ainda lugar para mais dois fundos de ações: “o US Agressive Growth, gerido pela Clear Bridge (grupo Legg Mason), e o Global Structured Equity, da Invesco. O primeiro é gerido de forma dedicada e concentrada ao investimento em empresas americanas, sendo o último um fundo que investe de uma forma global”, explica o head of asset management da entidade.

Também no BiG houve espaço para a subscrição de fundos que investem nas bolsas, muito embora para Isabel Soares, product manager na instituição, o facto do mês de setembro ter sido marcado por “movimentos desvalorização na generalidade dos mercados acionistas parece ter levado ao abrandamento da procura por produtos desta classe com muitos investidores a favorecerem estratégias com maiores níveis de diversificação”. Não obstante, a lista de fundos mais subscritos no BiG, no mês passado, é encabeçada por um fundo de acções. No caso, o Fidelity Global Dividend.

Fundos mistos ganham terreno

E, precisamente a “beneficiar da tendência enunciada”, refere Isabel Soares e, igualmente, na busca da tão falada diversificação, os investidores optam por fundos mistos, entre as quais se observam estratégias habitués deste top ten.

O fundo Nordea Stable Return “continua – conforme dá nota a product manager do BiG – a registar inflows significativos à semelhança dos meses anteriores”. Este produto, salienta Rui Castro Pacheco, “é um fundo gerido mais numa ótica de proteção do capital”.

Surgem, entretanto, dois novos nomes entre os fundos mistos mais subscritos do BiG. São eles: o Fidelity Global Multi Asset Tactical Moderate e Blackrock Global Allocation. Também do lado do Banco Best há lugar para mais um produto que se engloba nesta categoria, gerido pela MFS. Trata-se do Global Total Return, um fundo que, no entender do head of asset management do Best, “é mais dinâmico e volátil, procurando maior retorno no médio e longo prazo”.

Segmento de dívida é sinónimo de flexibilidade

Na generalidade as subscrições de fundos estrangeiros de obrigações tanto no Best como no BiG destinaram-se a “estratégias flexíveis que permitem alocações dinâmicas dentro dos diversos compartimentos dos segmentos. Destacaram-se, nesta categoria (no BiG), fundos como PIMCO Unconstrained Bond, Invesco Global Total Return ou JPMorgan Income Opportunity. Na outra plataforma, “temos um fundo de obrigações (Jupiter Dynamic Bond) bastante utilizado pelos investidores que pretendem manter os seus investimentos nos mercados obrigacionistas pretendendo uma gestão muito flexível e dinâmica que permita investir e aproveitar as oportunidades dos vários segmentos de dívida”, conclui Rui Castro Pacheco.

Fundos estrangeiros mais subscritos nas plataformas nacionais em setembro

 

BIG

Best

ActivoBank

1

Fidelity Funds - Global Dividend Fund

 Nordea-1 Stable Return Fund E EUR

Schroder ISF Euro Equity B

2

PIMCO Unconstrained Bond

MFS® Meridian Funds - European Smaller Companies Fund Class A1 EUR Acc

Parvest Bond Euro Government N

3

Nordea 1 Stable Return Fund

The Jupiter Global Fund - Jupiter Dynamic Bond Class L EUR Q Inc

Morgan Stanley Euro Corporate Bond B

4

Invesco Global Total Return EUR Bond F

MFS® Meridian Funds - Global Total Return Fund Class A1 EUR Acc

Fidelity F European High Yield A

5

JPMorgan Income Opportunity Fund

Franklin Biotechnology Discovery N Acc $

Morgan Stanley European Property B

6

Schroder ISF Global Convertible Bond

BlackRock Global Funds - World Healthscience Fund Class E2 EUR

Pictet Japanese Equity Selection Hr Eur

7

JPMorgan Global Convertibles Fund EUR

UBS (Lux) Equity SICAV - European Opportunity Unconstrained (EUR) P-acc

JP Morgan Funds US Aggregate Bond D

8

Fidelity Gbl Multi Asset Tact. Moderate

Legg Mason ClearBridge US Aggressive Growth Fund Class A EUR Acc

BNY Mellon Small Cap Euroland Fund A

9

Threadneedle IF Pan Europ Smaller Comp F

 MFS® Meridian Funds European Value Fund A1 EUR Acc

Pictet Absolute Return Global Div R Eur

10

BlackRock Global Allocation Fund (Hg)

Invesco Funds - Invesco Global Structured Equity Fund E

Pimco Gis High Yield Bond (Acc) E

Fonte: Infomação cedida pelas plataformas

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