Visão da Pictet AM sobre os mercados emergentes


Qual pode ser o principal factor para uma recuperação das divisas de mercados emergentes?

Essa é uma pergunta difícil porque as divisas de emergentes têm estado a desvalorizar-se nos últimos quatro anos em grande medida. Isto justifica-se por vários factores. Olhando para o longo prazo estamos a fixar-nos em três pontos chave que podem determinar a reversão desta tendência, estando os três relacionados entre si. Em primeiro lugar falamos da recuperação do comércio mundial, que acompanhamos de forma muito próxima, o que sobretudo depende do crescimento dos EUA, especialmente da sua procura interna. Necessitamos de crescimento suficiente nos EUA para aumentar as exportações destes países. Para além disso, relacionado, está o facto da China ter dececionado muito durante os últimos anos, especialmente com a desaceleração do sector manufactureiro. Desta forma, para se estar realmente seguro de uma melhoria nas divisas emergentes precisamos de uma recuperação do sector manufactureiro na China. Com a informação com que contamos acreditamos que pode ocorrer com a estabilização desse país. A isto acresce o factor sentimento, que nos mercados emergentes tem vindo a descrescer bastante, mas que pode melhorar. Por exemplo o resultado das recentes eleições na Turquia é um elemento positivo. De qualquer das formas, todo a gente espera que os mercados emergentes comecem a fazer reformas sobre uma base muito maior do que aquela que têm vindo a ser feitas recentemente.

Olhando para o futuro e a longo prazo que visão tem relativamente a divisas de mercados emergentes?

O ponto de vista de longo prazo depende do ponto de partida, que atualmente é baixo. Em termos de taxa de câmbio com o dólar a subvalorização destas divisas é de 24%, massivamente. Para que esta subvalorização se estreite nos próximos cinco anos, vai requerer aproximadamente 4,5% de revalorização relativamente ao dólar, em termos anuais. Isso dependerá da melhoria mundial, e também de factores estruturais. Para além disso, se extrairmos os elementos cíclicos do mau comportamento destas divisas chegamos à conclusão de que os fundamentais continuam a ser melhores do que nos mercados desenvolvidos. Em concreto fixamo-nos em três factores: inflação relativa, produtividade relativa e posição líquida credora ou devedora relativamente ao resto dos países, ou seja os ativos líquidos estrangeiros. As economias emergentes ainda demonstram altas taxas de inflação, mas tendem a equilibrar-se com uma maior produtividade e em ativos líquidos estrangeiros, em comparação com há quase 15 anos, fizeram enormes esforços, de maneira a conseguirem somar uma grande quantidade de poupança. Assim temos uma visão positiva a longo prazo relativamente a mercados emergentes.

Poderão alguns destes países cortas as suas taxas de juro, ao contrário do que é esperado do movimento da Reserva Federal?

Claro que sim. Se fizermos uma divisão dos mercados emergentes entre aqueles que exportam manufacturas e os exportadores de matérias primas, é óbvio que é previsível um corte de taxas de juro nos manufactureiros. É o caso típico da Índia ou Taiwan. A Coreia é outra possibilidade. Isso deve-se ao facto de terem margem para cortar taxas de juro dada a sua baixa inflação, pois a desvalorização das suas moedas tem sido limitada e os baixos preços do petróleo favorecem-nos como países importadores do mesmo, ajudando no controlo da sua inflação.

Acredita que atualmente existem nichos de valor em divisas de mercado emergentes ?

Sim, completamente. No nosso esquema para a valorização de divisas, podemos pelo menos encontrar valor em três delas: no ringitt da Malásia – a divisa mais atrativa – no peso colombiano e no rublo russo. Claramente existem oportunidades. 

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