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Update do FF Iberia: em direção a uma maior concentração e ideias de maior qualidade


O FF Iberia foi ao longo dos últimos dois anos um dos fundos de ações ibéricas mais populares entre os investidores da região. Desde que Fabio Riccelli assumiu a gestão do produto depois da saída de Firmino Morgado da Fidelity Worldwide Investment, a carteira teve algumas mudanças relevantes que fizeram com que conseguisse bater o seu benchmark em 4,9% (a data de referência é 1 de outubro). Riccelli começa a sua explicação ao recordar que os princípios de gestão permanecem iguais: a seleção de ativos para o FF Iberia continua a ser bottom up, sem restrições, sem seguir o índice de referência, e procurando empresas que apresentem uma cotação com um desconto atrativo sobre o seu valor intrínseco, sendo a tendência para pequenas e médias empresas, de forma a conseguir beneficiar das ineficiências do mercado.

O que mudou? Em primeiro lugar, Riccelli coloca mais ênfase na procura de negócios cujo crescimento dependa de factores internos, principalmente das decisões da equipa de gestão, em vez dos factores externos de tipo macroeconómico: “Se encontrar um investimento que dependa dos preços do petróleo, das taxas de juro ou do QE, para mim não é um bom investimento porque tenho pouco controlo e pouca margem para prever o que vai acontecer. Identificar uma empresa que dependa dos atos da equipa de gestão é muito mais fácil de analisar e de prever a probabilidade do seu êxito”, indica.

Na verdade, o gestor manifesta as suas dúvidas sobre os últimos movimentos do Banco Central Europeu (BCE): “Sou muito céptico em relação à capacidade da política monetária e, particularmente, do QE de ter um impacto substancial sobre as economias europeias. E nós já já assistimos a isso: as economias que estão a trabalhar bem são aquelas que têm reformas em marcha, que estão a mudar o seu mercado de trabalho, que estão a rever o seu sistema de saúde, que estão a privatizar, mudar regulação, reduzir custos...esses são os países que estão a trabalhar melhor”.  E, dentro desse universo, considera que agora o ambiente é mais do que favorável para investir na Península Ibérica, pois afirma que existe um cenário “muito bom para selecionar ativos, porque existe a oportunidade de encontrar negócios que sofreram muito durante as alturas de queda, mas que agora se estão a reposicionar. São negócios mais fortes que podem beneficiar com uma tendência de subida”.

Rumo à concentração

Riccelli tem estado bastante ativo em termos de compras e vendas, aplicando a filosofia que privilegia títulos com desconto. “Obviamente, desde que estou à frente do produto tenho vindo a utilizar a minha abordagem de investimento e, por isso, o turnover vai ser ligeiramente superior ao esperado a médio/longo prazo”, afirma.

O passo mais importante que deu nos últimos cinco meses consistiu em aumentar, de forma considerável, a concentração da carteira, ao reduzir o número de ativos de 80 para 51 (dados do final de 2014). “Quando assumi a gestão do fundo, uma das poucas coisas que queria fazer era concentrar mais a carteira, e a minha intenção é de ainda a reduzir mais. Acredito que isto faça com que o fundo seja mais dependente da seleção dos ativos”, explica o especialista.

Das quatro principais linhas de investimento que compunham a carteira - títulos de alta qualidade capazes de gerar rentabilidades constantes e previsíveis, histórias de reestruturaçãp, empresas sensíveis à parte média e final do ciclo e a aposta na banca ibéria -  Ricelli deu mais ênfase à primeira destas temáticas ao aumentar durante outubro e novembro a exposição na Grifols, Amadeus e  na Inditex, que são agora os três ativos com maior peso na carteira, com 7,5%, 7% e 6,8%, respetivamente. “Todos estes ativos oferecem perspetivas de crescimento no longo prazo, são negócios de muita qualidade. Parecem caros segundo os seus múltiplos de curto prazo, mas esses múltiplos caem muito depressa. Tenho uma forte convicção de que o mercado está subestimado sobre o quanto podem crescer estes negócios no longo prazo”, assinala o gestor.

As dez principais posições da carteira completam-se com as empresas: Endesa, Banco de Sabadell, CaixaBank, Imperial Tobacco, Banco Popular, Mapfre e Inmobiliaria Colonial. Também realizou, embora em menor proporção, compras que refletem a temática da recuperação do consumo devido à melhoria da economia em Espanha, com a aquisição da Mediaset España, Logista y BBVA.

Riccelli também optou por reduzir a exposição a empresas mais sensíveis ao ciclo económico, devido à sua preferência por ativos que podem ser autossuficientes em qualquer momento do mercado. Destaca a venda de ações ligadas à evolução das matérias-primas, como a Acerinox, a ArcelorMittal, a Repsol ou a Gas Natural. Também saiu de empresas como a Técnicas Reunidas, a Telefonica e  a NH Hoteles. “Tudo o que está no fundo são ativos sobre os quais acreditamos de forma genuína que têm potencial para subir a 3-5 anos”, justifica o gestor.

Que rumo vai adopar o FF IBeria de agora em diante? O cenário base para os próximos um ou dois anos pouco mudou: a partir da entidade perspetivam um ambiente de crescimento muito baixo na Europa dentro do qual os países que aceleraram as suas reformas vão obter maior crescimento. Riccelli está ciente de que vai ter de intensificar a atividade de stock picking na Peninsula Ibérica: “Já não existem negócios. Encontrar agora empresas baratas tem mais a ver com os detalhes, vigiar os fundamentais e procurar novas oportunidades”, conclui.

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