Uma surpresa para o 2.º semestre? “Se nas próximas eleições em Espanha os vencedores forem as forças alternativas”


O primeiro semestre do ano ficou marcado principalmente pelo início do Quantitative Easing na Europa, mas também pela indefinição quanto à permanência da Grécia na Zona Euro. Com mais seis meses pela frente em 2015 importa saber o que preocupa as entidades nacionais no último semestre do ano, mas também como se estão a posicionar nos investimentos.

As duplas ‘EUA e Reino Unido’ vs ‘Zona Euro e Japão’

O ActivoBank considera que para o resto do ano são duas as realidades diferentes que se contrapõem. Por um lado os EUA e o Reino Unido e, por outro, a Zona Euro e o Japão, que se distinguem devido “às políticas monetárias desenvolvidas atualmente pelos respetivos bancos centrais”. No caso da primeira ‘dupla’ de economias foram levados a cabo “programas de estímulo às respetivas economias com sucesso, com resultados práticos positivos nos números do desemprego, crescimento económico e inflação”. Para ambas as geografias, a entidade entende que o maior desafio “passará pelo início do processo de subida de taxas de juro de forma progressiva”, embora se preveja que “aconteça provavelmente mais cedo nos EUA do que no Reino Unido”. Avisam que a manutenção de taxas de juro baixas durante demasiado tempo “poderá desencadear no médio/longo prazo excessos seja na concessão de crédito, alterações súbitas da inflação ou sobreaquecimento da economia e dos mercados em geral”.

No outro extremo estão a Zona Euro e o Japão, ambos com programas de compra de ativos em curso. Se a depreciação das respetivas moedas pode ser entendida como “útil”, como “forma de exportar deflação para outras geografias”, fomentando a competitividade, por outro lado há questões que ainda não estão esclarecidas. “Está ainda por provar que, tanto no Japão, como na Zona Euro, o impacto na taxa de inflação, crescimento económico e desemprego atingem os patamares desejados com sustentabilidade”, dizem da plataforma de fundos.

O grande desafio será geopolítico

Acima de qualquer outra preocupação, em relação à restante metade do ano, dizem estar a componente geopolítica. “Seja na Ucrânia, Grécia, Médio Oriente ou Ásia, existem várias fontes de tensão geopolítica que podem perturbar os mercados. Adicionalmente, eleições legislativas em Espanha e Portugal podem ditar alterações no atual equilíbrio existente na periferia da Zona Euro”. Surpreendente, dizem, seria mesmo uma eventual vitória das forças políticas alternativas em Espanha (Podemos e os Cidadãos). “Ainda que nas sondagens que têm vindo a público ambas as forças apareçam bem colocadas, habitualmente, a votação real acaba por ser menor”, pontualizam. Mas o efeito surpresa poderá acontecer “se as sondagens se confirmarem em votos, com os dois movimentos a poder formar governo”.

Alocação de ativos redefinida sem ‘ferir’ perfis de risco

Para o ActivoBank, no médio/longo prazo, as ações e os alternativos são as classes de ativos onde estão mais positivos. Por outro lado, estão neutrais em dívida empresarial, ao passo que em dívida pública assumem uma posição de underweight. Acima de tudo acreditam que o que vai guiar a alocação que efetuam é a noção de garantia de que “cada uma das carteiras se encontra ajustada ao perfil de risco dos clientes”.

Dentro das ações o melhor desempenho esperam que venha da Europa Continental e da Ásia Pacífico, incluindo o Japão. Na dívida corporate, por seu turno, focam atenções  na dívida da União Europeia de maior risco, como é o caso por exemplo do segmento high yield, “em detrimento de investment grade e high yield norte-americano, onde o nosso posicionamento é neutral”. Na generalidade estão ‘underweight’ na dívida pública, mas, ainda assim, dentro desta classe a preferência vai para “a dívida pública europeia”. Por geografias, esperam um melhor comportamento da Europa e do Japão, em detrimento dos EUA.

(Na foto: Rui Olo, Responsável de investimentos na Direção de Marketing do ActivoBank)
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