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Um fundo high yield que tem contornado os defaults


No primeiro evento Global Investor Days da unidade de gestão de ativos do recém criado grupo franco-alemão Oddo BHF, os administradores e partners do grupo fizeram questão de dar destaque à dimensão do negócio, às significativas sinergias, bem como às vastas valências do grupo, especialmente na gestão de ativos europeus. Sob a mesma marca são agora comercializados os produtos de investimento da Oddo BHF AM e da Frankfurt Trust, num casamento que reúne 61 mil milhões de euros de ativos sob gestão.

Desse universo total, mais de 600 milhões estão alocados à estratégia Oddo Compass Euro High Yield Bond, fundo de obrigações high yield da casa francesa que passa nos critérios de consistência da Funds People e ostenta o respectivo selo. Alexis Renault é o responsável pelo segmento na entidade e explicou à Funds People o processo de investimento e as particularidades que posicionam esta estratégia nas melhores posições relativas em termos de rentabilidade e risco.

Atualmente, no mercado high yield europeu encontramos oportunidades, mas também riscos”, introduz Renault. Do lado dos potenciais eventos que poderão resultar numa contração dos spreads, o responsável pelo segmento high yield na Oddo BHF Asset Management salienta um crescimento na Europa acima do potencial, a manutenção das taxas de default aquém daquela que é a sua média histórica, a qualidade relativa das empresas europeias e o suporte dos bancos centrais, que continuam a adquirir obrigações corporativas investment grade.

Por outro lado, os riscos que pairam sobre o mercado de crédito high yield têm origem, segundo o especialista, noutros continentes. Fala, nomeadamente, de um crescimento abaixo do esperado nos Estados Unidos, agora que vemos o efeito Trump a diluir-se um pouco – “se virmos os spreads a aumentar nos EUA, este efeito contagiará a Europa” -, o nível elevado de alavancagem da economia chinesa que poderá pesar no crescimento chinês e impactar os spreads de risco no resto do mundo – “a China representa metade do crescimento global e o nível de dívida não é sustentável no longo prazo; vimos algum abrandamento no país asiático no final de 2015 e início de 2016 e rapidamente os spreads aumentaram” – e, finalmente, a possibilidade de os responsáveis pela política monetária retirarem o suporte mais rapidamente do que o esperado, que “não só teria impacto nos spreads como na volatilidade dos mercados em geral”, descreve Alexis Renault.

Pesando em ambos os pratos da balança, dos riscos e oportunidades, a política monetária é para as expectativas de mercado um pau de dois bicos. Por um lado tem o efeito suporte, referido por Renault, mas por outro, “a incerteza relativamente à contração da política monetária na Europa tem posto os mercado nervosos e vimos como quando Draghi referiu que a política monetária tem que ser balanceada os mercados reagiram e as yields das bunds subiram em 20 pontos base. No entanto, na ausência de más notícias, os spreads têm espaço para encolher”, diz Renault.  

Fim de um ciclo?

O especialista em dívida high yield acredita que mais cedo ou mais tarde chegaremos ao final do ciclo, no entanto, esse final poderá demorar muito a chegar. “Vemos o VIX a níveis mínimos absolutos, e a pergunta para um milhão de euros é quanto tempo poderá se manter assim. Vimos historicamente que pode se manter em mínimos por muito tempo, pelo que a estratégia passa por nos mantermos atentos às más notícias do mercado. Se começarem a surgir, aproveitaremos para realizar mais valias”, explica.

No entretanto, o fundo está posicionado mais defensivamente que o seu benchmark em termos de duration e risco de crédito: “estamos posicionados com menos duration que o benchmark há mais de uma ano e o nosso overweight a empresas de rating B e BB resulta num menor risco de crédito em carteira”. Em termos de sectores, subponderam o sector automóvel e sobreponderam os sectores de telecomunicações, healthcare e oil & gas. Em termos geográficos são a França, Itália e Estados Unidos que ocupam as maiores posições em carteira, sempre em euros.

Processo

Com um processo que o profissional apelida de sólido, a metodologia de seleção suporta-se numa análise bottom-up de crédito profunda, monitorizando de perto as empresas emitentes e contactando diretamente com as mesmas. Alexis Renault orgulha-se de destacar que nunca enfrentou um default. “Este ano vimos já alguns defaults no mercado, mas o fundo ou não tinha posição ou reduziu a mesma em resultado da deterioração da situação financeira das empresas em questão. Se vemos sinais de fraqueza damos prioridade a identificar o porquê e se a situação for estrutural reduzimos a posição no portfólio. Isto mostra o importante que é a disciplina na venda”, conclui o especialista.

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