Últimas novidades no universo de small caps europeias


Há sete meses a visão da UBS Global AM sobre as small caps europeias era positiva por três razões: estavam a começar a aumentar as revisões em alta sobre os lucros, negociavam ainda com desconto face a ações de Large-caps e, para além disso, poderiam tirar partido da ação do BCE. Atualmente, em outubro, a visão da empresa continua a ser igualmente positiva para esta classe de ativos, embora haja novidades a respeito da sua postura sobre as smalls caps. É o que refere Thomas Angermann, gestor do UBS (Lux) Equity SICAV Small Caps Europe.

“As valorizações são atrativas, inclusive se as small caps de momentum não  negociarem com tanto desconto em relação às large caps, terão muito mais para oferecer”, indica Angermann. Entre os catalisadores que destaca para justificar um potencial de subida maior figura, em primeiro lugar, a possibilidade de que aumente ainda mais a atividade de fusões e aquisições: “Existe potencial para o M&A no universo das small caps. Não prevemos grandes acordos entre empresas de grande tamanho, mas sim que as grandes queiram sustentar o seu crescimento através da compra de small-caps”.

Em segundo lugar, comenta que as valorizações se mostram mais atrativas depois da correção do verão: “As expectativas sobre os lucros para o ano que vem eram muito elevadas. No entanto, atualmente, o mercado já considerou no preço expectativas de crescimento menores. Agora, depois do ajuste em baixa, acreditamos que aos níveis atuais existem melhores oportunidades. Os múltiplos são mais realistas e as valorizações mais atrativas”. Dito isto, Angermann recorda que o investimento em small caps deveria ter um horizonte de investimento de longo prazo: “Muitos investidores querem cronometrar as small caps e isso é muito difícil de fazer. A história demonstra que estas apresentam um comportamento superior a médio e longo prazo, mas cronometrar investimentos e desinvestimentos é muito difícil. Os investidores deve reservar uma parte dos seus investimentos em ações para as small caps”. No entanto, o gestor sente-se capaz de fazer um prognóstico dentro do que considera ser curto prazo: “Se nos próximos doze meses não acontecer nenhum “black swan”, as small caps têm uma boa oportunidade para bater as large caps”.

Finalmente, o especialista destaca positivamente a mudança das small caps nos últimos anos: “As small caps europeias estão mais dispostas a liderar o seu nicho de mercado. É esse o tipo de small caps que queremos ter em carteira. Para além disso, oferecem maior capacidade de adaptação às mudanças nos mercados. Graças às suas equipas de direção, que geralmente possuem uma grande parte das ações da empresa, e o enfoque das mesmas, as small caps têm uma maior flexibilidade para responder adequadamente perante as mudanças de mercado. Neste sentido, o gestor indica que uma das temáticas que costuma estar presente em carteira é a dos negócios familiares, já que estes costumam ser mais cuidadosos na tomada de decisões, e têm um enfoque mais de longo prazo.

Surpresas positivas

O especialista destaca a outra novidade que a equipa detectou como estando na raiz das vendas de verão: “Surpreendentemente, temos observado que habitualmente a volatilidade diária tem sido menor para as small caps do que para as large caps. As small caps não têm a liquidez necessária para levar a cabo estas atividades de trading de curto prazo. "Relativamente ao comportamento da carteira neste período, Angermann admite pequenas saídas durante os dias de maior volatilidade, “mas que acabaram por não ser grandes, tendo nós aproveitado para reajustar a carteira”. “Temos observado algumas pechinchas, especialmente em fornecedores da indústria automobilística, que sofreram uma grande correção”, acrescenta.

Sobre a gestão da liquidez do fundo, Angermann refere: “Os níveis de liquidez para as small caps são frequentemente melhores do que parecem à primeira vista. As transações Over-The-Counter (OTC) assim como os dark-pools proporcionam liquidez adicional que não figura nas estatísticas. No entanto, com a UBS a ter as suas próprias mesas, podemos aceder a fontes de liquidez, pelo que o resultado é muito inferior do que poderíamos esperar. São necessárias pessoas e infraestruturas para acrescentar liquidez à carteira”.

Posicionamento da carteira

Importa ainda fazer um breve recordatório sobre as caraterísticas do UBS (Lux) Equity SICAV – Small Caps Europe, que se tem situado no primeiro quartil da sua categoria durante muitos anos. Trata-se de um fundo com um enfoque bottom up, com um stock picking que tem por base ideias de alta convicção e uma percentagem razoável de rotação de ativos (entre 60% e 70% ao ano). Atualmente existem 90 empresas em carteira. O processo de seleção é feito a partir de filtros, um quantitativo (no qual se têm em conta múltiplos como a valorização, rendimento free-cash-flow, etc), e outro qualitativo, no qual se selecionam empresas de acordo com cinco critérios: qualidade da equipa diretiva, qualidade do negócio, potencial de crescimento, riscos subjacentes e presença de catalisadores (inovação, acesso a novos clientes ou a novos mercados...).

Angermann também fala de um dos elementos tradicionais do investimento em small caps: a exploração das ineficiências em valorização. Comenta a esse nível as mudanças na cobertura desta classe de ativos durante os últimos anos, já que muitos bancos de investimento têm reduzido a sua cobertura a small-caps, o que aumenta as ineficiências. “O sell side na Europa cobre menos as small caps, mas acredito que estamos a ver mais interesse por parte do buy side nesta classe de ativos”, comenta.

Atualmente, o fundo sobrepondera os sectores da saúde, consumo cíclico e tecnologia e, por outro lado, subpondera os materiais, as indústrias e as seguradoras. 

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