Transição da liderança na China: Quais as implicações para os investidores?


Em nítido contraste com o que sucedera nos Estados Unidos, a sucessão política teve um desfecho mais do que previsível, com a confirmação de Xi Jinping e Li Keqiang como próximo presidente e primeiro-ministro da China, respectivamente. Além disso, tal como se previa, o Comité Permanente do Politburo – órgão político máximo da China – sofreu uma redução de nove para sete membros.

Dado que o processo de transição de liderança se revestiu de um cariz sobretudo político, não se esperam grandes mudanças da política económica a curto prazo. No entanto, a redução do número de membros do Comité Permanente do Politburo poderá agilizar a tomada de decisões. Com esta alteração, os líderes poderão tomar decisões consensuais mais facilmente, e poderá igualmente crescer a influência pessoal de Xi Jinping na direcção política.
Esta alteração poderá também marcar um ponto de viragem para os investidores em acções chinesas. Uma postura mais favorável ao mercado por parte do governo de Xi Jinping poderá ser o tão esperado catalisador que permita às acções chinesas sair do marasmo e começar a recuperar, aguçando novamente o interesse dos investidores internacionais.

Política económica sem grandes alterações

No entanto, quem espera que Xi Jinping e a nova equipa dirigente venha a apresentar fortes medidas de estímulo à economia – agora ou após o Congresso Nacional do Povo, que decorrerá em Março – irá provavelmente ficar desapontado. Embora a China continue a precisar de muitas reformas a nível económico e financeiro para conseguir transformar-se integralmente numa moderna economia de mercado, o novo governo vai prosseguir, a curto prazo, no caminho traçado pela administração anterior. Na verdade, uma das vantagens de um mandato de dez anos é o facto de ser pouco provável que Xi Jinping e Li Keqiang se sintam pressionados a introduzir grandes alterações de forma imediata.

Por enquanto, é provável que continuemos a assistir a uma política económica branda, sem grandes novidades. A principal prioridade para os próximos trimestres será estabilizar a macroeconomia, com a meta de crescimento do PIB para 2013 a manter-se nos 7,5%, bem como reduzir a dependência de investimentos em activos fixos por parte de empresas públicas.

Não quer isto dizer que não esperemos novas iniciativas a seu tempo. Além do facto de terem sido apresentados aos investidores os objectivos políticos estratégicos estabelecidos no 12º Plano Quinquenal, o governo chinês pode orgulhar-se, em termos históricos, de um nível de cumprimento das suas políticas que supera largamente o da maioria dos governos ocidentais.

É pouco provável um aumento da importância das empresas públicas

Durante o estímulo fiscal de 2008, as empresas públicas desempenharam um papel fundamental no estímulo da economia. No entanto, com o estímulo fiscal, que Pequim agora considera um erro, por criar problemas de endividamento potencialmente perigoso em bancos e empresas públicas e por dar origem a demasiados projectos de baixo retorno no sector público, o papel central das empresas públicas não irá ser retomado de forma voluntária.
Tal como sucede em muitas outras economias emergentes, as empresas públicas chinesas ainda detêm o controlo de muitos “pilares” da economia, como o sector energético, as telecomunicações e a banca. No entanto, o papel do sector público diminuiu, e esta tendência deverá manter-se no futuro, sobretudo porque esperamos que o novo governo venha a incentivar o desenvolvimento dos serviços do sector privado e do consumo, de forma a estimular o crescimento. É provável que tal venha a acontecer, mesmo que, a curto prazo, Pequim considere difícil libertar a economia da sua dependência de investimentos em activos fixos.

Quais as consequências para os investidores?

Embora seja pouco provável o anúncio de importantes medidas políticas a curto prazo, a transição de liderança poderá trazer consequências para os investidores. Tal como sucedeu nos anos que se seguiram à transição verificada em 2003, a reacção do mercado às mudanças de liderança a nível nacional mostra que as acções chinesas poderão recuperar de forma sustentável, caso a nova liderança adopte um comportamento favorável ao mercado.
Nesta altura, não parece que os investidores locais se sintam atraídos pela melhoria da situação económica, pelos resultados das empresas a baterem no fundo e pelas avaliações próximas dos mínimos de 2008. No entanto, os investidores chineses, tradicionalmente, têm sido bastante sensíveis às medidas de cariz político. Por isso mesmo, a única coisa que poderá levar à recuperação das acções chinesas será uma ou duas declarações do novo governo em prol do mercado. Caso os investidores chineses mostrem, então, confiança no seu próprio mercado accionista, isso poderá aguçar novamente o interesse dos investidores internacionais, levando a uma recuperação sustentável das acções chinesas.

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