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Tokio 2020: os especialistas preveem um efeito semelhante ao de Londres para o Rio 2016


Ainda faltam três anos para os próximos jogos olímpicos que se vão realizar em Tóquio. Ainda assim, várias gestoras internacionais já calculam o impacto que esta celebração desportiva terá de notório e positivo para o PIB japonês. “A política atual do Primeiro Ministro Abe tem como objetivo acabar com a deflação e gerar crescimento, e se esta política começa a dar finalmente frutos no final desta época, então os Jogos Olímpicos acelerarão este impulso”, afirma Paul Chesson, gestor da Invesco. Na sua opinião, os sectores que mais poderão beneficiar serão “aqueles mais sensíveis ao crescimento e ao aumento da inflação, alguns dos quais, aliás, estão na nossa opinião, subestimados atualmente”.

“O Governo está a tentar injetar dinheiro na economia, principalmente através do aumento do investimento na construção, instalações e infraestruturas. Os Jogos Olímpicos também estão a contribuir para o aumento da confiança do consumidor. Tudo isto vai ter um efeito multiplicador sobre a economia”, afirma Nathan Gibbs, responsável de produto de ações japonesas da Schroders. Este acrescenta aos seus argumentos a vantagem da estabilidade política no país: “Acreditamos que Abe definiu como objetivo a sua permanência no poder até que tenham passado os jogos olímpicos, por isso, provavelmente continuará como primeiro ministro até 2020”.

Shunsuke Matsushima, gestor da Sumitomo Mitsui AM (sócio japonês do BNP Paribas AM), detalha quatro áreas de impacto destes jogos. Em primeiro lugar, comenta o facto de a organização do evento estar a ter um impacto atual e direto: “Os investimentos, especialmente na construção, já começaram a mostrar alguma recuperação, com o aumento da construção de instalações desportivas, residências para os atletas, estradas e linhas ferroviárias, hotéis e instalações comerciais”. O gestor esclarece que “ainda que Tóquio esteja bem equipada com infraestruturas, existe uma grande necessidade de reconstrução, devido ao facto de várias estradas e outras estruturas terem sido construídas nos anos sessenta e setenta”.

O especialista do BNP Paribas AM estima que o evento desportivo trará “estímulos positivos para o sentimento económico japonês”. Em particular, afirma que “o sentimento empresarial, especialmente em torno do Capex, foi baseado no cenário positivo em torno dos Jogos Olímpicos que poderão impulsionar a economia”.

O gestor comenta que o crescimento do turismo também ajudará a aumentar o uso dos transportes públicos e do consumo, ao criar nos japoneses “mais itens ou serviços relacionados com o desporto e com a saúde”, já que considera que os Jogos Olímpicos “não serão apenas entretenimento para os espectadores, mas também uma forma de aliciar as pessoas a praticarem desporto”. Neste sentido, acrescenta que “o boom do desporto também é suportado pelo envelhecimento da povoação no Japão, onde a maior parte dos utilizadores de ginásios são pessoas de meia idade ou mais velhos”.

A grande vantagem do turismo

O último grande impacto para Matsushima tem a ver com a expansão do turismo: “Inclusive antes de Tóquio ter sido selecionado como a próxima cidade olímpica, o número de turistas estrangeiros – especialmente da China e de outros países asiáticos – tem vindo a aumentar significativamente, devido, em parte, à iniciativa do Governo japonês em promover as atrações turísticas”. Na verdade, o especialista afirma que as volumosas compras feitas por turistas chineses “se tornaram num fenómeno social durante o ano passado”.

Neste contexto, Matsushima acredita que os Jogos Olímpicos poderão acrescentar algum fulgor ao turismo japonês, que até agora apresenta um desenvolvimento inferior ao de outros países: “o arquipélago japonês engloba regiões do sul subtropical ao subártico norte, oferecendo aos visitantes várias opções, desde resorts nas praias de Okinawa a estações de ski em Hokkaido, que são famosas pela qualidade da neve”, exemplifica

A equipa de ações nipónicas da Goldman Sachs AM também se foca na expansão do turismo. Explicam que o país regista “um aumento saudável de turistas desde 2012”, graças à diminuição dos requisitos para obter o visto de turista e à depreciação do yen. “Assumindo que o crescimento de visitantes se mantém ao ritmo atual para lá deste ano, antecipamos que o número total de visitantes anual poderá ascender a 40 milhões, e que o consumo total de visitantes estrangeiros poderá chegar aos oito biliões de yenes em 2020”, destaca a equipa.

Impacto sobre infraestruturas e construção

O aumento do investimento em infraestruturas e construção é, normalmente, o efeito mais claro da celebração de um evento desta categoria sobre a economia do país anfitrião. Neste caso, não obstante, “o Japão já atingiu a reputação como um dos países com melhores infraestruturas do mundo”, revelam da Goldman Sachs AM. Na sua opinião, o aumento do investimento nesta área face aos Jogos Olímpicos estará relacionada com “a renovação de estádios, construção da Vila Olímpica, estádios para os jogos e custos adicionais de segurança e transportes para gerir o evento”.

Além disto, a gestora espera “um aumento no ritmo de renovações pendentes de instalações públicas e privadas para turistas”. Referem-se, em particular, ao possível impulso que pode supor o aumento da despesa pública para renovar “atrações turísticas, re-desenvolvimento urbano, infraestruturas resistentes a terramotos e infraestruturas de transporte superiores”, bem como o aumento do investimento privado para “modernização de hotéis, restaurantes e outras instalações comerciais”.

Por último, os especialistas da Goldman Sachs AM acreditam que o desenvolvimento desta área da economia será, por sua vez, refletida no mercado de trabalho: “com a necessidade de mão-de-obra qualificada para enfrentar uma procura crescente de construção e serviços, será possível observar um maior ajuste do mercado laboral, que deverá servir de apoio para um crescimento sustentável dos salários daqui para a frente”.

Os gestores da SNAM, o sócio japonês da UBP, concordam que “a construção associada aos Jogos Olímpicos inclui não só o investimento direto, relacionado com a construção de instalações desportivas, mas também investimento indireto, como a construção de hotéis e remodelação dos existentes, desenvolvimento urbano, a construção de instalações comerciais e a melhoria das infraestruturas de transportes”. Assim, baseando-se na “experiência de anteriores países anfitriões, prevê-se que o investimento em construção aumente substancialmente em 2018 e atinja máximos em 2020”, concluem.

Carim Habib Dolat Capital

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