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Terra Fértil (II)


Apesar de estar dentro da banda de tolerância entre 2,5% e 6,5% ao ano, com meta em 4,5% ao ano, o patamar de 5% a 5,5% incomoda 9 entre 10 economistas, que tem razão em apontar que a meta já não são os 4,5% e sim mantê-la dentro da banda. E para quem quer ter juros equivalentes às nações maduras, é preciso ter também equivalência no padrão inflacionário.

Os mesmos 9 entre 10 economistas entendem que esta meta deveria vir para 2% e a tolerância, para uma banda muito menor. Por outro lado, a persistência da inflação neste patamar elevado deve-se ao crescimento do setor de serviços, pois o nível de emprego e a massa salarial no Brasil apresentam sólidas taxas de crescimento e devem permanecer assim.

Os riscos residem na dificuldade que o Brasil vem enfrentando em fazer o crescimento deslanchar após os estímulos que o governo lançou mão para que este acontecesse. A taxa de poupança interna no Brasil é muito baixa e ainda depende da poupança externa para fechar as contas, mas o equilíbrio fiscal brasileiro tem sido bastante estável e não gera, por ora, maiores preocupações. Ainda precisamos fazer importantes reformas institucionais, sobretudo fiscais, educacionais e no sistema de saúde para que todas as condições de estabilidade entrem em velocidade de cruzeiro.

Utilizando-me de um jargão que a imprensa local vem publicando bastante, “copo meio cheio ou meio vazio”, opto abertamente pelo meio cheio! O Brasil vai continuar a crescer, com suas dores e tem todas as condições de vencê-las. A dívida soberana é baixa e sua qualidade vem melhorando a cada ano: o Tesouro Nacional coloca com facilidade obrigações de até 40 anos no mercado local e de prazos padronizados no euromercado, a bolsa de valores se desenvolveu de forma importante e suas mudanças de composição mostram a evolução que o país vem vivendo, o rating soberano de investment grade foi conquistado em 2007 e vem sendo constantemente elevado. 

Voltando para o desenvolvimento populacional, logo o brasileiro vai descobrir que ações são um importantíssimo formador de poupança de longo prazo e que, após tantos anos de ganho fácil com juros extremamente elevados, grandes retornos requerem maiores riscos.

Uma boa discussão é qual a diferença entre especulação e investimento... Talvez explique-se pela taxa de retorno, diz uma corrente de pensamento. Olhando para o Brasil e sua evolução em solvência soberana, pode ser convincente e as taxas de retorno são e continuarão bastante atrativas – outra frase de efeito que costumo utilizar, vinda de um filme americano de ficção, é: Nobody said not to gamble.

Minha geração cresceu ouvindo dizer que o Brasil é o país do futuro: Para concluir este artigo refiro-me novamente ao “viver a história e estudar a história”, permitindo-me também lembrar, com caráter ilustrativo, que Jesus Cristo anunciava estar o Reino de Deus  chegando, mas que também já estava entre nós, reside neste país uma extraordinária oportunidade de investimento, com o futuro que já está aqui e o desenvolvimento que ainda virá.

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