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Terceiro trimestre: fundos nacionais investiram menos nas cotadas portuguesas


O terceiro trimestre do ano marcou um período de volatilidade fora do comum nos mercados financeiros. Principalmente os meses de agosto e setembro foram sinónimo de conturbação nas bolsas mundiais, que, segundo muitos dos ‘entendidos’,  teve a sua génese principalmente na China. O mercado de ações nacional não foi exceção. Embora em julho o PSI 20 tenha terminado o mês com uma subida de 2,9%, os dois meses seguintes foram de completo “descalabro”. Em agosto o índice recuou 8%, ao passo que em setembro a queda ficou ligeiramente acima dos 4%.

Os fundos de investimento do mercado nacional naturalmente não ficaram imunes à pressão da volatilidade no trimestre. Por exemplo em agosto, a amostra de fundos com rentabilidade positiva foi mais “curta” do que o habitual, com o melhor retorno a não ir além dos 5,7%.

Compilando os dados que a CMVM publica mensalmente sobre os Organismos de Investimento Colectivo uma das conclusões que salta imediatamente à vista é que os fundos portugueses reduziram o investimento em ações nacionais no terceiro trimestre do ano, mais concretamente em menos 30,8 milhões de euros. Se em julho os OICVM investiam 242,2 milhões de euros na bolsa nacional,  em agosto esse montante reduzia-se para 218,8 milhões de euros, e em setembro encolhia mais ainda para os 211,4 milhões.

NOS SGPS e Sonae SGPS deram nas vistas

As cotadas que mais deram nas vistas no terceiro trimestre do ano foram duas empresas de sectores distintos: o grupo de comunicações NOS SGPS e a retalhista Sonae SGPS. Desta feita, o BCP – cotada que praticamente imperava até então – perdeu algum do protagonismo no que toca ao investimento feito pelos Organismos de Investimento Colectivo.

Em julho era precisamente a NOS SGPS a cotada a beneficiar do maior volume de investimento por parte dos fundos portugueses. O grupo de telecomunicações ganhava um avanço de 7,9% face a junho e arrecadava 22,6 milhões de euros  de investimento por parte dos OICVM nacionais. O segundo lugar pertencia à Sonae SGPS, que acumulava um montante de 22,5 milhões de euros.

Em agosto – como se pode verificar na tabela abaixo – o investimento em praticamente todas as cotadas derrapou. A Sonae SGPS foi, ainda assim, a “preferida” dos OICVM e subiu ao pódio de cotada que mais investimento recebeu, arrecadando 21,2 milhões de euros. Por seu turno, a NOS SGPS saltou para o segundo lugar das preferências. Em setembro o grupo retalhista manteve-se no comando – com um investimento de 20,7 milhões de euros por parte dos fundos, figurando o Banco BPI no segundo lugar das preferências.

 Julho
 Valor (10^6)%Var. Mensal
NOS SGPS22,69,3%7,9%
SONAE SGPS22,59,3%-0,3%
GALP20,58,5%27,9%
BCP18,27,5%-29,0%
BANCO BPI16,46,8%-3,7%
JERÓNIMO MARTINS, SGPS15,26,3%33,8%
EDP RENOVÁVEIS14,86,1%4,6%
CTT CORREIOS DE PORTUGAL13,25,5%-6,6%
ALTRI, SGPS12,05,0%10,7%
PORTUCEL10,84,5%26,8%
Sub-total166,268,6%3,1%
Outras7631,4%1,1%
Total Ações Nacionais 242,2100,0%2,5%

 

 Agosto
 Valor (10^6)%Var. Mensal
SONAE SGPS21,29,7%-5,4%
NOS SGPS20,49,3%-9,8%
GALP17,98,2%-12,9%
BCP16,77,7%-8,0%
EDP RENOVÁVEIS16,77,6%13,3%
BANCO BPI14,46,6%-12,5%
CTT CORREIOS DE PORTUGAL11,45,2%-13,8%
JERÓNIMO MARTINS, SGPS10,95,0%-28,5%
ALTRI, SGPS10,54,8%-12,6%
PORTUCEL9,34,2%-14,3%
Sub-total149,468,3%-10,1%
Outras69,431,7%-8,7%
Total Ações Nacionais 218,8100,0%-9,7%

 

 Setembro 
 Valor (10^6)%Var. Mensal
SONAE SGPS20,79,8%-2,8%
BANCO BPI16,67,8%15,5%
BCP15,77,4%-6,2%
GALP15,37,3%-14,1%
NOS SGPS14,76,9%-28,0%
PORTUCEL13,46,3%43,8%
EDP RENOVÁVEIS 13,36,3%-20,3%
CTT CORREIOS DE PORTUGAL11,45,4%0,1%
ALTRI, SGPS10,95,2%3,6%
JERÓNIMO MARTINS, SGPS10,95,1%0,1%
Sub-total142,867,6%-4,4%
Outras68,632,4%-1,1%
Total Ações Nacionais 211,4100,0%-3,4%
Fonte: CMVM

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