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Tempos interessantes no mercado de obrigações europeias


Christopher Allen, Managing Director na BlackRock, tem uma experiência de mais de 13 anos na gestão de carteiras de fixed income na entidade norte-americana e é também co-gestor do fundo BlackRock Euro Short Duration Bond Fund. Com este histórico profissional, Christopher Allen é, portanto, um especialista e um profissional mais do que qualificado para falar sobre a classe de ativos, e em entrevista à Funds People falou precisamente dos mercados de obrigações investment grade num contexto pan-europeu, mas também focando  particularmente os países do sul da Europa onde, obviamente, se inclui Portugal.

O profissional mostra-se fascinado com o momento que atravessamos: “Vivemos tempos interessantes nos mercados de obrigações”. “Está toda a gente a falar sobre o momento em que o BCE irá reduzir as compras de ativos, mas a verdade é que já o começou a fazer, em dezembro passado. Agora temos de focar-nos na próxima fase e vejo razões para ser mais otimista do que o mercado”, comenta Christopher Allen. O especialista aponta duas razões para esse otimismo. Por um lado, a economia está a mostrar claros sinais de melhoria. Por outro, o BCE vai ser muito moderado na reversão da sua política expansionista. “Será um processo muito lento”, comenta.

Relativamente aos movimentos recentes nas yields, o profissional considera que “não estamos muito longe do que estávamos no início do ano. Não é que tenhamos visto um grande sell-off no mercado. Vejo-o mais como um ‘repricing’ significativo, que diria que está relativamente contido”.

Para o Managing Director da BlackRock o que a Fed tem vindo a fazer nos EUA poderá servir como um guião para o que o BCE irá fazer. “Será certamente um bom mapa para nos orientarmos, pelo que podemos esperar a progressiva redução do QE e só depois se começarão a subir taxas. Eventualmente, o BCE começará a reduzir o tamanho do balanço. Este é o ponto em que estão nos EUA”, explica.

O sul da Europa

Christopher Allen olha para a Grécia como “um tema interessante”, apesar de deixar claro que é um país que não entra no seu universo de investimento em virtude do carácter especulativo. “A Grécia poderá regressar aos mercados este ano depois dos preços terem mostrado uma melhoria significativa. Irão emitir uma obrigação este ano, a dada altura. Querem estar de volta [aos mercados] porque precisam de estar de volta e precisam de canais de financiamento alternativos para além das instituições europeias e do FMI”, comenta. O país helénico é para o profissional “um caso muito especial” e um investment case muito difícil para investidores conservadores como ele próprio se define.

Um pouco mais a oeste, a Itália é um mercado que, para Christopher Allen, tem mostrado uma performance aquém das expetativas por duas razões. Uma delas prende-se com o sector bancário, “embora os riscos pareçam estar relativamente contidos”. Outra, passa pelas preocupações relativamente às eleições que estão marcadas para o início do ano que vem. “Se o mercado estava preocupado com as eleições francesas, terá que estar também com as eleições italianas. Isto captará a atenção dos mercados nos próximos tempos”, explica.

A Península Ibérica

“A Espanha é um dos nossos países favoritos no momento, e assim é desde há bastante tempo, simplesmente porque temos o crescimento económico e o momentum a suportar o mercado”, introduz. “Espanha é uma das economias que mais cresce na Europa e isso permitirá diluir o problema do endividamento. Os dados são fortes e a execução orçamental tem sido bastante positiva”, aponta Christopher Allen.

Por fim, Portugal. “Depois de um início de 2016 difícil e uma segunda metade do ano relativamente estável, o mercado melhorou significativamente. Isto deveu-se a melhores fundamentais económicos, uma execução orçamental alinhada e uma situação política muito estável. Depois das últimas eleições, os investidores ficaram preocupados com a capacidade de sobrevivência do acordo de governo. Tem sobrevivido muito bem, com muito pouco ruído, e o mercado premeia essa estabilidade”, explica o profissional da BlackRock. “Relativamente ao sector bancário, o que tem que ser feito tem estado a ser feito”, acrescenta Christopher Allen.

O spread da dívida soberana nacional a 10 anos face à dívida homóloga espanhola em torno dos 150 pontos base está bastante aquém dos 250 de há uns meses. Esta forte performance é a principal razão pela qual a equipa de Christopher não tem uma “posição significativa em Portugal”. “Poderão existir oportunidades para investir em Portugal, mas os atuais níveis de preços em Espanha parecem ser mais atrativos”, conclui. 

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