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“Temos construído um negócio local muito forte”


A BlackRock é uma das gestoras estrangeiras com mais ativos sob gestão em Portugal. Como vê o mercado português e a sua atratividade? Quais as estratégias que espera  implementar num futuro próximo?

Já cobrimos o mercado português há algum tempo, predominantemente através do nosso escritório em Madrid. Durante os últimos anos verificámos um crescimento e uma forte procura local tanto em Espanha, como aqui em Portugal. Gostamos muito do mercado português e o nível de sofisticação dos clientes é impressionante. Temos construído um negócio local muito forte, e estamos atualmente num processo de maior expansão e diversificação, porque vemos uma série de oportunidades aqui.

Quais são as estratégias desenvolvidas para chegar ao mass market? E para fortalecer a posição nas bancas privadas, family offices ou clientes institucionais?

Nós beneficiamos de um bom equilíbrio entre os clientes institucionais e os de retalho, e temos tido um contacto próximo com as maiores instituições portuguesas desde que entrámos  no mercado há 8 anos atrás. Desde essa altura ajudamos os clientes a fazer uma alocação de ativos entre a exposição ativa e a passiva. A nossa base de investidores de retalho continua a crescer à medida que cada vez mais investidores assumem o controlo do seu futuro financeiro e utilizam advisors locais para gerir e executar os seus investimentos. Os ETFs continuam a ser usados e procurados pelos investidores portugueses, e em resposta a esse crescimento, registámos cerca de 130 ETFs no ano passado, e atualmente fazemos a sua distribuição através de uma parceria com o Banco Best. Esperamos continuar a fazer parcerias em Portugal. Neste momento estamos também a reforçar os recursos nas vendas locais.

No que diz respeito à oferta de produto da BlackRock  em Portugal: o que é que pensa acerca dos investidores, e o que é que eles estão a procurar neste momento?

Os investidores portugueses tendem a ser sofisticados. Este é um mercado ótimo e estamos a ver reais oportunidades de crescimento aqui. O nosso objectivo é oferecer as nossas capacidades de investimento, de gestão de risco, tal como os nossos recursos de aconselhamento para responder às necessidades dos clientes. Temos observado que os clientes têm vindo a diversificar mais as suas carteiras, nomeadamente com a escolha de títulos com maturidades muito longas ou muito curtas (estratégia barbell), o que significa que estão a obter o seu beta através de produtos indexados e ETFs. Por outro lado, a obtenção de alpha advém de uma gestão ativa com alta performance nas várias classes de ativos, incluindo produtos alternativos, como o private equity ou o imobiliário. Estamos a ver um grande interesse nesta área. Temos também observado que há muitos clientes que estão cada vez mais interessados nas estratégias de investimento que têm como base soluções que procuram alcançar um resultado específico, como por exemplo assegurar rendimentos para a reforma, ou diminuir a volatilidade de uma carteira.

A iShares registou os seus ETFs em Portugal através do Banco Best no ano passado e os produtos foram muito bem recebidos. Como vê a aceitação dos ETFs por parte dos investidores portugueses? Devem ser meramente um complemento de uma carteira ou devem ser tidos como um investimento core?

Temos cerca de 130 ETFs registados aqui que permitem que os investidores ganhem um acesso simples e barato a uma vasta gama de exposições que vão desde os mercados emergentes, a um país isolado, ou ao EUROSTOXX 50. Os ETFs apareceram há mais de 15 anos, e à medida que os clientes se foram familiarizando cada vez mais com eles, foram lhes dando usos distintos. Alguns clientes estão a utilizá-los como parte principal da sua carteira, construindo depois um satélite com fundos que geram um alpha elevado. Outros usam os ETFs para obter uma exposição passiva estratégica para complementar uma carteira que tem uma estratégia ativa. Ainda existe outro tipo de clientes que estão a ser “passivos com a parte ativa”, e usam a combinação dos ETFs com os fundos indexados para criar uma carteira de baixa custo. Há muitas maneiras dos investidores usarem os ETFs, e esperamos que essa tendência aumente.

A ferramenta CoRI Retirement Index (CoRI Index) proporciona alguns dados para quem investe em  obrigações e está perto da idade da reforma. Que adesão tem tido? Em que países já está implementada?

Um dos objectivos em que os investidores se focam mais quando estão a investir é a reforma. Na BlackRock criámos a ferramenta CoRI Retirement Index (CoRI Index), que é capaz de oferecer uma estimativa instantânea acerca do rendimento anual esperado durante a idade de reforma, tendo como base um certo nível de poupança. A ferramenta foi inicialmente criada nos EUA, mas esperamos estendê-la a outros países. Ela permite oferecer dados úteis para analisar se os cidadãos estão a poupar adequadamente o dinheiro, de forma a ir ao encontro dos seus objetivos durante a reforma, permitindo assim que tomem decisões caso as suas poupanças não sejam suficientes.

Quais são as grandes tendências e apostas a nível global vislumbradas pela BlackRock durante este ano?

A nível geral estamos otimistas nos mercados este ano, particularmente nos mercados de ações. Acreditamos que os mercados de ações ainda têm espaço para crescer. Como muitas empresas estão a comprar de novo ações e a aumentar dividendos, acreditamos que isso ajudará o mercado a ter um melhor desempenho. Muitas dessas empresas estão a mostrar bons resultados, e estão a racionalizar o seu produto, e têm conseguido refinanciar-se com baixas taxas de juro, beneficiando do atual contexto. Por isso estamos otimistas nos mercados de ações. No que diz respeito ao mercado de obrigações, nós acreditamos que as taxas de juro se vão manter estáveis durante algum tempo, e é provável que subam em vez de caírem mais. Por isso recomendamos que os clientes estejam curtos na curva da yield e que olhem para produtos de obrigações que não tenham restrições.

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