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“Taxa Selic pode chegar aos 11,75% em 2014”


As taxas de juro a nível mundial vão ser a cabeça de cartaz para o ano de 2014”. Assim começou Fernando Honorato Barbosa a sua conversa com a Funds People Portugal. “Acredito que em 2014 o impulso nos preços e nas commodities vai ser menor enquanto o crescimento vai ser melhorado”, afirma o economista-chefe da BRAM.

Para o Brasil, Fernando Honorato acredita que as “exportações vão aumentar, as importações vão diminuir enquanto o consumo e o investimento vão desacelerar”. “Acredito, também, que o Banco Central do Brasil vai aumentar as taxas de juro. A Taxa Selic vai aumentar para os 11,75%”, segundo as contas da BRAM, apesar do economista achar que haverá uma maior “normalização da taxa Selic e que a inflação vai estar próxima da meta pretendida pelo Estado brasileiro.” Ainda assim, o Economista-chefe da instituição acredita que haverá uma “maior procura pelos produtos nacionais”.

A “relação ente a inflação e o câmbio poderá levar a uma depreciação cambial de 10%. Esta é um dos temas principais para 2014. 6% de inflação não é bom para o Brasil, pelo que a política fiscal poderá ser importante para que em 2015 a inflação esteja abaixo dos 5,5%”, afirma.

Sobre o crédito, Fernando Honorato acredita “que o impulso será menor, tal como o câmbio, que deverá desacelerar”.

A importância do desporto

A Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos estão no radar brasileiros nos próximos tempos. Em relação à Copa do Mundo, Fernando Honorato “estima que a competição terá um impacto de 0,3% no PIB do Brasil”. No entanto, o “maior efeito acontece no ano que antecede o evento”, tendo o economista dado o exemplo dos mundiais de futebol que aconteceram no México, Estados Unidos ou África do Sul. O economista justifica o impacto com as “obras de infraestruturas que antecedem o evento”.

Já sobre as Olimpíadas, Fernando Honorato acredita que o “impacto será um pouco maior, sobretudo porque os Jogos serão apenas no Rio de Janeiro. O fluxo de turistas será mais permanente e o legado que os Jogos Olímpicos deixam é muito importante”.

Os maiores desafios para 2014?

Fernando Honorato destaca alguns fatores que podem decidir o rumo da economia brasileira. Desde logo a “menor disponibilidade externa em termos monetários e ainda a economia brasileira que precisa de se equilibrar”. Também o sector privado não é esquecido pelo economista, já que este “precisa de aumentar o seu investimento”. Também a inflação será um forte candidato ao desafio do ano, por parte das entidades brasileiras. Ainda assim, o “processo eleitoral que irá ocorrer em outubro será, certamente, o maior fator-chave para o sucesso da economia brasileira”.

O futuro do Brasil

Quando ao futuro do Brasil, Fernando Honorato está optimista. O economista-chefe do BRAM acredita que na próxima década “o Brasil pode sonhar com o quinto lugar das economias mundiais”. No entanto, o caminho é longo e é preciso apostar na educação, onde existem “6,5 milhões de universitários, onde é preciso um crédito estudantil para muitas famílias”. Também as infraestruturas terão uma palavra a dizer no futuro do Brasil, já que o país “precisa de infraestruturas e também que o consumo dê lugar à construção”. Também na previdência o país precisa de melhorar. Fernando Honorato destaca as “contas públicas e a garantia de que no futuro existem dinheiro”. Também a área energética não foi esquecida.

Política Monetária no Brasil

Para que a política monetária dê certo no Brasil, o Banco Central “tem de cumprir o seu papel”, afirma. A solução poderá passar pelas eleições no mês de outubro. “Quem ganhar as eleições tem de dar ao Banco Central toda a independência necessária para tomar medidas que ajudem o país”, explica. Nas medidas que podem fazer a diferença, o economista destaca uma “maior coordenação na política fiscal e ainda um maior aperto dos gastos públicos para que a taxa de juro não suba”.

Mercado de Capitais pode recuperar

O principal índice bolsista fechou o ano a cair mais de 15%, mas o economista-chefe do BRAM acredita que a recuperação vai acontecer em 2014., sobretudo porque o “preço ajustou em 2013”. “O risco de crédito baixo, o possível investimento estrangeiro de volta, os preços mais baixos e os cortes de impostos podem fazer com que o mercado de capitais recupere”, explica.

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