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Small is not always beautiful!


Pediram-me para falar um pouco do que se espera para 2014. Como disse o famoso do Basebol americano Yogi Berra, é dificil fazer previsões especialmente sobre o futuro! No entanto uma regra que tem resultado muito bem é não achar que os próximos tempos vão ser diferentes dos que acabamos de viver. Esta é a melhor regra de investimentos que eu já vi. Não fazer previsões e olhar para o que está a dar e acreditar que o que está a dar pode dar mais um pouco.

Claro que há excepções a esta regra nomeadamente quando estamos a investir em algo que nós consideremos que é uma bolha especulativa. Mas mesmo neste caso o senhor Jim Rogers, fundador e sócio do senhor George Soros no Hedge Fund Quantum (Um dos melhores da história) dizia:

The smart money always loses money shorting bubbles because they cannot comprehend that it could go as high as it does

- Jim Rogers

 

Enfim, a conclusão é clara a melhor coisa para decidirmos o que fazer em 2014 é ver o que esteve bem em 2013 especialmente na metade mais recente.

O que se pode dizer sobre 2013 é que foi um ano muito bom para as acções dos mercados desenvolvidos, foi um ano mau para obrigações em geral e horrivel para os mercados emergentes e para as Commodities/matérias primas

Na minha opinião algumas das tendencias que estamos a viver são:

1. Big get Bigger. As maiores empresas do mundo estão ainda a ficar maiores (Maiores no seu negócio ou nicho). Os grandes estão a esmagar os pequenos. O número 1 na sua industria ganha dinheiro e os mais pequenos não. As maiores empresas do mundo em cada mercado ficaram ainda maiores e ganharam quota aos mais pequenos em 2013. Em reflexo disto as únicas bolsas do mundo que estão no máximo de sempre são as bolsas Alemãs e Americanas aonde há uma maior concentração de empresas dominantes (ver gráfico 1). O Índice S&P que representa o mercado Americano e que contém algumas das maiores empresas do mundo está a subir 26% este ano e está no máximo de sempre como se pode ver no gráfico. Os mercados periféricos e os emergentes não estão no máximo de sempre e alguns como seja o mercado Brasileiro, Mexicano, Russo, Turco, etc… até desceram em 2013 estando totalmente em contraciclo com os mercados desenvolvidos. A Globalização e a Internet fazem os consumidores querer ter acesso ao melhor que o mundo tem para oferecer. Só os melhores prosperam e os melhores estão nos mercados desenvolvidos.

2. Os processos de automação/Robotização estão lentamente a destruir postos de trabalho. Um pouco por todo o lado as empresas estão a substituir trabalhadores por robots, por websites em que os clientes não têm que interagir com empregados (Portal da Finanças), etc… Isto faz com que os trabalhadores da classe média tenham perdido um pouco do seu poder de negociação. Olhando para as estatísticas do US Census Bureau, podemos ver que rendimento da família média americana está ao nível de 1989, ou seja 51,017 USD quando em 1989 era de 51,682!. Todo o crescimento dos últimos anos tem ido para os técnicos de software/design/criativos/patrões, etc….. Isto tem levado a alguma concentração da distribuição da riqueza o que é mau para a procura pois a maior parte das famílias do mundo não tem visto o seu nível de vida a melhorar. Uma família rica que fique mais rica não vai necessariamente gastar mais, até pode poupar.

3. Não há inflação e o crescimento é fraco. Estamos num cenário com algumas semelhanças ao Japão. Como se pode ver no gráfico 2 a inflação na zona euro está perigosamente a aproximar-se do zero! Porquê? Com a mecanização é fácil e barato produzir mais. Há excesso de oferta em muitos produtos e serviços. Quando a oferta é superior à procura é normal que os preços não subam ou até possam descer. Neste cenário em que não há crescimento das vendas as empresas que ainda conseguem cobrar bem pelos seus serviços são as grandes marcas/brands. As grandes marcas têm conseguido sobreviver bem sem terem que baixar preços, a sua penetração nos mercados emergentes é enorme. Os consumidores que estão a sair da pobreza nos mercados emergentes querem também um i-phone e compram um champoo à L'oreal. O poder das marcas é grande.

4. Com todas estas condicionantes porque é que os mercados subiram tanto? Por causa das políticas dos bancos centrais dos paises desenvolvidos. Estes talvez por verem a inflação a aproximar-se de zero têm tomado medidas para tentar reanimar os mercados financeiros e indirectamente as economias. Neste momento a inflação continua sem dar sinais de aparecer e as economias estão mornas como já referi. Num certo sentido os mercados financeiros e as economias ainda estão um pouco "ligados à máquina dos bancos centrais". Até que a economia comece a dar sinais de crescimento eu não vejo que os bancos centrais do mundo possam desligar a "máquina".

5. As obrigações e os mercados de taxa fixa em geral já não têm muito para dar pois as taxas já estão próximas de zero. Os fundos de tesouraria e os fundos de obrigações deram rentabilidades em torno de zero.

6. Há alguns anos pensou-se que a internet e a informação de acesso fácil iriam permitir às pessoas trabalhar de casa e de qualquer lugar. No entanto o que se tem assistido é que as grandes cidades ainda ficaram mais dominadoras e os grandes centros Financeiros ainda ficaram mais fortes. Antigamente havia bolsas em muitos paises e em alguns paises em várias cidades mas actualmente há poucas bolsas no mundo inteiro. A consolidação e o crescimento de quem já era grande são as grandes tendencias. As capitais ainda são mais centralizadoras do que no passado.

Conclusão: Tudo pode mudar e nenhum ano é completamente igual ao anterior mas até que haja mudanças o mais sensato é seguir com o que está a dar neste momento. O que está a dar é investir a parte do património que se quer arriscar em acções ou Fundos com empresas grandes e dominadoras, grandes marcas, líderes dos seus sectores, empresas que se dedicam à automação e especialmente que estejam nos paises desenvolvidos( No centro). A verdade é que a Globalização é muito boa para os maiores. Big get Bigger é o que está a acontecer em todas as frentes.

 

 

 

 

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