Silicon Valley à portuguesa


Nunca como hoje o financiamento de jovens e inovadoras empresas - maioritariamente do sector tecnológico e com elevado potencial de crescimento - foi tão intenso. Os números confirmam-no: só no primeiro trimestre de 2014 o volume de investimentos de venture capital praticamente igualou o número de operações deste tipo ao longo de todo o ano de 2013.

 

Esta tendência é tanto mais interessante quanto é bem conhecida a aversão tradicional do mercado empresarial português a investimentos de risco e, por natureza, investimentos de risco pouco conservadores.

No universo de investimentos de venture capital concretizados em Portugal este ano, o sector tecnológico foi, sem surpresas, o destacado protagonista. Entre as firmas que concretizaram mais investimentos (onde se incluem investimentos de business angels, protagonizados por investidores com experiência na área de gestão que, mais do que capital, aportam know how e acesso a uma rede de contactos, bem como investimentos early stage e late stage) contam-se a Portugal Ventures, que protagonizou sete aumentos de capital em empresas lusas, e a Faber Ventures, que em conjunto com múltiplos accionistas particulares investiu 3 milhões de euros na plataforma luso-britânica de equity crowdfundind Seedrs, que permite investir online em startups.

Entre as tecnológicas portuguesas que foram alvo de investimentos de venture capital este trimestre as áreas de actuação são muito variadas. Entre tantas outras, destacaram-se a iClio, startup dedicada à edição de conteúdos web nas áreas da história, património e cultura; a Auditmark, especialista na concepção de soluções de segurança e protecção de websites e na monitorização de tráficos na rede; e a iM3dical, empresa que concebe soluções de suporte, optimização e gestão do fluxo clínico e administrativo envolvido no diagnóstico imagiológico. Digno de nota foi também o aumento de capital realizado pela Portugal Ventures na MyChild, startup portuguesa dedicada à concepção e desenvolvimento de uma aplicação online que ajuda as creches e jardins-de-infância a focarem-se no desenvolvimento das crianças, ou na Wizdee, startup lusa dedicada à concepção e desenvolvimento de sistemas de gestão de conhecimento.

Portugal está ainda longe de se afirmar no mundo de venture capital, qual Silicon Valley. Os primeiros passos, no entanto, estão dados. E, com um tecido empresarial cada vez mais jovem, empreendedor, flexível, global e capaz de enfrentar riscos, o futuro parece promissor.

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