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“Se o investidor estiver confiante em relação ao rumo do mercado, não deve investir em convertíveis”


Alain Eckmann tem uma visão muito clara em relação à função das obrigações convertíveis numa carteira: “Se tem bem clara em que direção se vai mover o mercado, compre obrigações ou ações, não invista em convertíveis. Mas se, pelo contrário, acredita que 2015 será um ano volátil, então faz sentido estar investido numa classe de ativos que oferece um perfil de risco assimétrico”. O responsável global de obrigações convertíveis na UBS Global Asset Management declara-se um defensor acérrimo da classe de ativos, “mas há que saber usá-la”, defende.

Com um Master em Matemática e CFA, Eckmann passou a fazer parte da entidade suíça em 1997 e tem a seu cargo as capacidades globais dos convertíveis desde 2000, uma função importante tendo em conta que a UBS Global AM é uma das principais gestoras de convertíveis na Europa: gere cerca de 4.600 milhões de euros e 1% de todos os convertíveis a nível mundial.

O ano passado foi especialmente bom para a estratégia da casa, um trabalho que foi reconhecido através do prémio de melhor gestor do ano concedido pela publicação Investment Europe. No entanto, o especialista reconhece que as coisas nem sempre saem como o pretendido. Por isso, Eckmann afirma que “nunca se pode estar completamente satisfeito”, sendo este um mantra que o incentiva a procurar sempre as melhores obrigações.

Eckman dirige uma equipa de cinco pessoas dedicadas exclusivamente à gestão de convertíveis e é, juntamente com Ulrich Sperl, gestor sénior do UBS (Lux) Bond Sicav – Convert Global (EUR) – fundo distinguido com quatro estrelas pela Morningstar – e o UBS (Lux) Bond Fund – Convert Europe (EUR). A equipa segue uma estratégia de investimento de estilo value “estritamente bottom-up” e apoia-se numa vasta rede mundial de analistas de ações, crédito, derivados e asset allocation da UBS Global AM.

Como explica o especialista, a equipa não segue nenhum índice, investindo sim nas melhores oportunidades que vai encontrando, sem nenhum bias sectorial ou regional. “Atualmente, por exemplo, as empresas “blue chips” ou as obrigações investment grade com maior liquidez estão caras por causa da elevada procura, pelo que procuramos oportunidades noutros sectores. Normalmente é mais fácil encontrar boas oportunidades onde não nos sentimos cómodos”, continua. “Há uns anos atrás encontraram-se oportunidades no sector imobiliário, em seguida em Portugal e Espanha durante a crise da dívida soberana e agora é a vez da Rússia e do sector energético, ou da Grécia, onde contamos com uma posição estupenda. Embora o contexto seja negativo, existem sempre empresas que se estão a sair bem e que oferecem excelentes oportunidades”.

Ainda assim, Eckmann destaca que, em 2014, as valorizações do mercado de obrigações convertíveis se mantiveram caras em geral, o que obviamente influenciou o preço das novas emissões: “Se normalmente uma em cada três novas emissões é atrativa, em 2014 essa relação foi de uma em cada sete”.

Na opinião do especialista, os convertíveis são especialmente indicados para os investidores conservadores porque lhes oferecem uma exposição defensiva às ações num contexto que se apresenta complicado para as obrigações. No entanto, “se não é capaz de tolerar um determinado nível de risco, não invista em convertíveis”, conclui.

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