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Se ainda lhe falta aquele presente de Natal...


O Natal está mesmo aí e entre a azáfama dos preparativos da ceia de Natal e os últimos presentes a comprar, há sempre lugar a esquecimentos... Assim, Alexandre Castro Nunes deixa-nos algumas sugestões que para o profissional são mais do que livros, são estórias e prazer.

 

Uma Viagem à India” de Gonçalo M. Tavares é a primeira sugestão. O que dizer desta obra portuguesa que foi aclamada pelo Le Monde des Livres, como a “Grande Epopeia dos nossos tempos!”? Alexandre Castro Nunes diz que “não se pode dizer muito mais, apenas que é obrigatório, complexo, mas original. Um livro que nos faz viajar, mas uma viagem que nos faz regressar de alguma forma a um passado, que como é dito no prefácio, um passado do qual nunca saímos e que, mais do que nunca, estamos agora a voltar. Um livro que tem que ser lido, que é estudado e que deverá fazer parte da vida de todos”

 

 

 

 

Em segundo lugar, a eleição vai para o “O Meteorologista” de Olivier Rolin. Trata-se, no entender do profissional, “de um livro fantástico que nos transporta para a Rússia “Vermelha” e que nos mostra esses tempos conturbados, sem juízo ou valores, sem certezas, mas com uma lista infindável de más decisões. Um livro que nos conta a história - através de cartas escritas à mulher e que foram recolhidas mais tarde - de um diretor do departamento de meteorologia Russo que é preso e que, apesar de inocente, acredita, quase, até ao fim de que tudo irá correr bem. Um testemunho histórico soberbo…”

 

 

 

 

Segue-se o “Número Zero” de Umberto Eco. Um livro que Alexandre Castro Nunes apelida de genial “conta a história de um jornal, que ainda não existe nas bancas, mas que, como forma de se preparar, junta uma equipa “eclética” para testar como será o primeiro número, não tendo quaisquer regras, quaisquer limitações ou medos. Um livro que nos prende do início ao fim e muito bem escrito”.

 

 

 

A quarta sugestão de leitura para si ou para aquele presente que está esquecido é de Mia Couto. “Mulheres de Cinza” é um “livro de história, apesar de ficcional com muitos dados reais que foram passados por diversas pessoas que presenciaram os primeiros dias do chamado Estado de Gaza. O livro relata como tudo se passou, as dúvidas de quem foi enviado para os Açores, levanta questões morais e, sem qualquer julgamento, põe-nos a pensar… Muito ao estilo de Mia Couto é uma obra prima literária, muito bem escrita e que vale a pena ler…”

 

 

Stoner, de John Williams é o livro que se segue e mais um de leitura obrigatória. “As obras deste autor, que foram apenas reconhecidas após a sua morte, revelam um dos melhores escritores do século XX. Este livro relata a história de um professor de literatura, com uma vida algo sui generis que dá aulas numa universidade no interior dos Estados Unidos. Um professor que nunca passou “disso” mesmo porque perdeu todas as suas oportunidades ao ser honesto consigo, com o que amava e por isso se entregar apenas à literatura”, descreve o profissional.

 

 

 

 

De seguida, falamos de um “autor conhecido, cheio de incontestáveis fãs, mas que nesta obra exalta, com um tema que é a doença e o sofrimento, a sua capacidade de ser divertido, gozar e chegar mesmo a ser “virulento”. Um bom livro, intenso, como dizem os Ingleses “amusing”, um livro sem piedade ou “travões” do autor em deixar o seu humor, algo peculiar, levar a melhor…” E, no meio disto tudo, qual é o livro? “A Lição de Anatomia” de Philip Roth.

 

 

 

As duas últimas recomendações de Alexandre Castro Nunes vão para duas obras que classifica, a primeira como “especial e não sendo para todos” e a segunda como “carregada de peso humano”. São elas: “Dois Anos, Oito Meses e Vinte e Oito Noites” de Salman Rushdie e “Aquário” de David Vann. “O livro de Rushdie é uma obra complexa na forma, mágica por conceito e mitológica por crença… chega às lendas maravilhosas do oriente, toca na mitologia e relata um amor sem tempo ou limites”. Já a leitura de David Vann, um dos escritores favoritos do autor do blog Funds People “Livro de Cabeceira” e que nos deixa em pleno 24 de dezembro de 2015 boas sugestões para os últimos presentes (naturalmente para aqueles que gostam de ler...) é caracterizada como “intensa, sendo que o autor nos escreve de uma forma implacável, mas original. O livro relata a história de uma rapariga que nos seus tempos livres visita o aquário local, conhecendo nessas suas visitas um velho, ao mesmo tempo que descobre um segredo terrível acerca da sua família. O livro, depois, relata como uma criança é confrontada com a sua inata, pela idade, reacção de desculpar e perdoar, ao mesmo tempo que o autor nos mostra como o sofrimento e a bondade das crianças acabam por conseguir influenciar todos os que os rodeiam. Um livro violento, não para todos, mas uma obra prima da literatura actual…”, conclui o profissional que se despede com os tradicionais votos natalícios e de boas leituras. A todos “Bons livros, um Santo Natal e um Ano 2016 Fantástico”. 

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