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Schroder ISF Euro Equity: o que está Martin Skanberg a fazer no portfólio?


O Schroder ISF Euro Equity é um dos fundos favoritos dos selecionadores portugueses. Trata-se de um produto de ações que investe na Zona Euro, que tem conseguido posicionar-se no primeiro quartil da sua categoria a um, três e cinco anos. Gerido por Martin Skanberg com um estilo bottom-up, o fundo adoptou um posicionamento defensivo no final do ano passado, o que fez com que conseguisse gerar uma rentabilidade superior à do MSCI EMU durante os últimos meses, apesar da volatilidade observada. O beta da carteira é de 0,96. Este não tem sofrido mudanças consideráveis nos últimos doze meses. Em relação ao futuro, Skanberg espera manter o posicionamento defensivo do fundo sob os riscos atuais à escala internacional, como a desaceleração da China e a possibilidade da uma recessão nos EUA.

Segundo explica numa entrevista o gestor da Schroders, o fundo não se centra em sectores concretos, mas procura oportunidades em relação às ineficiências de preços em todo o mercado, o que os levou novamente a adoptar uma visão ligeiramente mais positiva depois da correção. “Em geral damos prioridade à qualidade, o que nos tem dado benefícios durante o último ano; mas, desde a queda do mercado, estamos a procurar novos casos de recuperação”, afirma. Uma oportunidade que encontrou recentemente foi no sector energético, cuja pior rentabilidade tem sido o tema estrela nos últimos 18 meses. Neste momento negoceia no intervalo inferior do seu PER a dez anos ajustado ciclicamente. A sua grande aposta é a portuguesa Galp Energia, um título que já mantiveram em carteira anteriormente e que – na sua opinião – apresenta mais qualidade do que o resto dos títulos do sector.

As atividades de exploração e produção da Galp centram-se no Brasil, Angola e Moçambique e, para além disso, leva a cabo importantes operações de refinamento e comercialização de petróleo, que beneficiam da recuperação económica da Península Ibérica. As valorizações da Galp não estão baratas em comparação com outras empresas do sector, mas a entidade representa um ativo estratégico sem comparação, com um sólido crescimento nos seus volumes de exploração e produção, evitando ao mesmo tempo a complexidade de operar no Médio Oriente”. No resto dos sectores, observa que as ações growth continuam a bater as value há um período de tempo sem precedentes. Skanberg reconhece que, dada a importante diferença de rentabilidade registada entre o growth e o value, não perde de vista a possibilidade de que esta se reverta. “A SCA, a Phillips, e a tecnológica grega Hellenic Telecommunications são exemplos de títulos cuja qualidade é ligeiramente inferior, mas que negoceiam com valorizações atrativas em comparação com outras entidades dos seus respectivos sectores".

No entanto, o gestor também tem decidido fazer algumas mais valias em empresas growth de qualidade que tem em carteira, ao considerar que a correção do mercado tem gerado novas oportunidades. “Recorrer à nossa equipa de analistas implica que somos capazes de aplicar uma estratégia neutral que nos ajuda a identificar oportunidades a nível de ineficiências de preços, seja em títulos valor ou crescimento. O nosso objectivo passa por incorporar na carteira duas dezenas dete tipo de empresas, a cada ano”. O sector financeiro é outro sector que tem estado submetido a uma intensa pressão desde o início de 2016. Entre os principais factores explicados pelo gestor, estão os empréstimos morosos, uma curva de yields mais plana, e a preocupação em torno da desaceleração da economia mundial. “As seguradoras e os bancos comerciais contam com uma exposição particularmente negativa ao atual contexto de baixas yields, pelo que estamos subponderados no sector”.


A maioria da exposição atual que o gestor tem no sector financeiro (18,7%) é obtida através de títulos imobiliários e de entidades financeiras diversificadas, assim como de bancos que oferecem qualidade e geração de capital, distribuem dividendos sólidos e possuem um ROE elevado, como é o caso da KBC e da Nordea.Um exemplo dos nossos títulos de entidades financeiras diversificadas é o Deutsche Böerse, que tem vindo a beneficiar do turbulento panorama do mercado, e graças ao qual tem vindo a aumentar a negociação na sua plataforma de derivados. No resto dos sectores, contamos com exposição ao mercado imobiliário alemão, que tem sido favorecido pela compressão das yields das bund, combinando com o crescimento salarial, o crescimento dos alugueres e uma escassa oferta no âmbito da habitação. Desta feita, apesar de alguns dos desafios que o sector financeiro enfrenta, existem vários títulos particularmente interessantes depois da correção.  O caminho de subidas que se interpõe é agora muito mais amplo, apesar de reconhecermos que os riscos continuam a estar presentes, o que torna essencial a seleção de títulos”.

Para o gestor, as preocupações de 2015 em torno da guerra das divisas, da China e dos emergentes, persistem em 2016. As perspectivas sobre o crescimento nos EUA, por seu lado, converteram-se na nova fonte de preocupação, visto que o endurecimento das condições de crédito poderá atuar como um mau factor, existindo a possibilidade de que assistamos a uma recessão  que não está totalmente descontada no preço das ações. “A situação para a Europa parece mais promissora, visto que a região ainda se encontra numa fase inicial do ciclo de crédito graças ao apoio do BCE. Os sectores mais dependentes do consumo na Europa também mostram um comportamento positivo: beneficiam do baixo preço do petróleo e da falta de inflação, enquanto que a procura dos consumidores europeus se mantém estável. As valorizações já estavam baratas na região antes da correção, e estão a começar a melhorar ao nível dos lucros. No entanto, resta perceber se a Europa poderá manter-se à margem caso o crescimento dos EUA estagne, e a bolsa norte-americana continue sob pressão.

 

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