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São os ETFs uma alternativa válida aos futuros?


Este ano vai a caminho de ser converter num marco histórico para a indústria dos ETFs no que toca a captações líquidas. Desde do início do ano que as captações alcançaram 228.000 milhões de euros. “Se esta tendência continuar, 2014 será um ano recorde”, afirma Iván Pascual, diretor de vendas da iShares para a Península Ibérica. Na sua opinião, o impulso que se está a registar nestes produtos vai permanecer devido ao facto do grau de conhecimento sobre os ETFs ser cada vez maior, pelo que, por um lado os produtos estão a ganhar cada vez mais adeptos e por outro os investidores habituaram-se a utilizar estes veículos e começaram a descobrir as novas formas de os utilizar. Uma dessas formas é a utilização dos ETFs como alternativa aos futuros, o que já se verifica nalgumas carteiras de investimento associadas a investidores que estão numa fase mais avançada de utilização destes instrumentos.

Segundo Pascual, os “investidores utilizam os ETFs como ferramentas de indexação. Para a indústria de gestão passiva, este é um nicho de crescimento muito importante, dados os grande volumes que existem no mercado de futuros”. Atualmente, existe no mercado um grande debate sobre a idoneidade ou não de utilizar os ETFs como alternativa aos futuros. Para o diretor de vendas da iShares tudo depende de dois factores: o horizonte temporal do investimento e se o investidor procura ou não alavancagem. “Os futuros não são a melhor ferramenta para investir a médio/longo prazo. Se não se procura alavancagem (o especialista calcula que 25% dos investidores que usam ETF não o fazem) e o horizonte temporal do investimento é superior a um ano, o ETF é um produto mais eficiente”, afirma.

No seu entender, o uso dos futuros tem alguns inconvenientes. “O roll over dos futuros introduz um problema operacional e de custos. Ganhar exposição aos mercados através de derivados pode resultar em alguns casos, mas é muito mais dispendioso do que fazê-lo através de um exchange traded fund. Dando como exemplo um ETF sobre o S&P500, a réplica com futuros tem um custo anual de 41 pontos base, enquanto que fazê-lo com um ETF o custo será de 12 pontos base. Isto deve-se ao facto da tesouraria das entidades bancárias se financiarem com custos mais elevados do que no passado, o que repercute no custo final dos futuros. Depois disso, está a questão de que vivemos num mercado assimétrico com enviesamento por parte do comprador. É um mercado em alta, onde há mais compradores do que vendedores, a cobertura que os bancos podem fazer é mais complicada”.

É por tudo isto que o responsável da iShares considera que o tracking difference é mais favorável nalguns caso via ETFs. Pascual calcula que, atualmente, em todo o mundo existam 358 ETFs com um património superior a 1.000 milhões de euros. “O volume de ativos traduz-se numa redução dos spreads. Dos 80 futuros que há sobre índices, apenas 20 são líquidos. É por esse motivo que os investidores que tradicionalmente se tinham mostrado muito ativos no uso dos futuros começaram a investir em ETFs”. O maior uso que estes investidores têm feito dos ETFs é, precisamente, a sua utilização enquanto instrumentos financeiros alternativos aos futuros e este será, daqui para a frente, um importante nicho de crescimento para a indústria de gestão passiva.

Até agora, a investigação no mercado sobre esta questão era muito escassa, se bem que nos últimos meses algumas entidades bancárias começaram a emitir relatórios sobre o assunto, como é o caso do BNP Paribas e do Bank of America. A resposta que estamos a receber por parte dos nossos clientes é tremendamente positiva porque previamente já existia um debate muito intenso sobre este tema.

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