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"São necessários mais bons exemplos"


Muitas são as vozes que clamam por um mercado de capitais mais dinâmico, com maior representatividade das empresas nacionais e, igualmente, do importante papel desempenhado pela gestão de ativos nesta área. A realidade portuguesa caracteriza-se por um tecido empresarial de pequenas e médias empresas que, tradicionalmente, não vêm na Bolsa, uma via alternativa de financiamento. Razões? Haverá algumas. A Funds People foi tentar perceber a opinião de três profissionais que estiveram, precisamente, na Conferência "Via Bolsa" organizada no passado mês de março, na Porto Business School.

Joaquim Luiz Gomes, da Dunas Capital, explica o porquê de cotar em bolsa através dos ganhos que daí advêm - reconhecimento e visibilidade. “As empresas criam a sua pópria moeda, o que lhes abre um leque de oportunidades estratégicas a nível de fusões e aquisições. Empresas com estratégias mais ambiciosas e a atuar num mercado global precisam de diversificar as suas opções financeiras e de jogar com as mesmas armas que os seus concorrentes internacionais.  Por outro lado, empresas com presença no mercado de capitais beneficiam de um diálogo enriquecedor com os investidores que promove a qualidade da sua gestão bem com a criação de valor para os stakeholders.” Naturalmente, há um caminho prévio que as empresas devem percorrer antes dessa entrada e, conforme salienta, vê-la como "estratégia de negócio e não como um simples negócio". Esse caminho é, segundo os três profissionais, determinante e nunca em vão. O tempo de preparação que uma empresa deve despender para lhe ser possibilitado o acesso ao mercado é de extrema utilidade pelo grau de reestruturação que tende a dar à mesma. Assim, o mercado português carece ainda de uma cultura instituída de mercado de capitais e dessa maior ambição por crescimento e inovação por parte do tecido empresarial nacional.

Processo de gestão favorece a história da empresa

Manuel Puerta da Costa, da BPI Gestão de Activos, realça o desejo de ver mais empresas a recorrerem ao mercado de capitais como via alternativa de financiamento, referindo que o mercado português ressente-se da ausência de mais instrumentos e da pouca profundidade no nosso mercado. Atualmente, os processos de gestão de ativos tendem a favorecer uma visão histórica das empresas mas o tipo de análise realizada permite investir em empresas independentemente do país onde se situem. O especialista da BPI Gestão de Activos acrescenta que "devido ao número relativamente reduzido de empresas no mercado português, os gestores são levados a optarem por abordagens de investimento mais macro e de estilo top-down do que poderiam fazer se olhassem para um mercado mais dinâmico e com maior número de instrumentos de investimento". Joaquim Luiz Gomes complementa, dizendo que faltam, por exemplo, fundos de índice (ETFs) e instrumentos derivados (futuros) para dar aos investidores um universo mais amplo de atuação". Esta maior atratividade que um mercado mais dinâmico traria possibilitaria um maior investimento em ativos nacionais.

Raul Marques, presidente da APAF e administrador na Banif Gestão de Activos salienta, no seguimento, que "hoje a gestão é muito mais centrada na seleção de ativos e numa análise fundamental das empresas do que foi no passado, pelo que se estivermos perante uma boa equity story não há, regra geral, razões para não investir nessa empresa, mesmo sendo portuguesa". Os gestores concluem, por isso, que "o mercado português necessita de mais bons exemplos, casos paradigmáticos, como por exemplo a Jerónimo Martins ou a Sonae entre outras, em que se pode ver o efeito de demonstração". 

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