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'Sake duplo'


Há cerca de ano e meio, tive a oportunidade de experimentar o Honda CR-V equipado com a motorização 1.6i-DTEC de 120cv e tracção dianteira (vídeo em Ao Volante... Honda CR-V 1.6i-DTEC 120cv Lifestyle 2WD ). 

Os argumentos apresentados por este SUV compacto conquistaram-me na altura e agora, perante a possibilidade de o voltar a ensaiar de cara lavada e motorização vitaminada, não pude deixar de sentir alguma expectativa.

Em termos de impacto visual, o CR-V continua a ser detentor de uma personalidade que uns adorarão e outros, nem por isso. As suas dimensões generosas fazem adivinhar um habitáculo 'à larga', algo que se confirma mal acedemos ao seu interior. Os 3 espaçosos lugares traseiros, beneficiam ainda de um chão completamente plano, não dando qualquer hipótese de reclamação ao passageiro do meio. Cinco adultos viajam em conforto e os quase 600 litros de mala (ampliáveis até 1685litros), garantem que mesmo para férias longas, não há necessidade de deixar malas para trás.

Para grande pena minha, a Honda manteve os bancos dianteiros da anterior geração. São confortáveis q.b, mas a falta de apoio lateral ao nível das pernas num assento demasiado curto e horizontal, fazem-me questionar se não seria possível contar com os bancos que encontramos, por ex, no Civic?

A qualidade de construção está num bom patamar e a solidez é perceptível desde os primeiros metros. Ainda assim, num veículo de 42.500€, a presença de material rijo a cobrir toda a zona superior do tablier ou pilares A cobertos em plástico (tecido no caso de alguns dos seus concorrentes), deixa algo a desejar. 

O ecrã táctil 'Infotainment' de sete polegadas (de série nesta versão Lifestyle Connect Navi) alberga um vasto conjunto de funcionalidades, incluindo a possibilidade de operar com 'apps' compatíveis com sistema Android 4.0.4. 

Não compreendo a opção pela manutenção do pequeno ecrã central (de série), dado que acabamos por ter informação repetida ou até em triplicado, se optarmos por seleccionar, por exemplo, as indicações do computador de bordo no painel de instrumentos, ecrã mais pequeno e no ecrã maior!

Graças à adição de mais um turbo, a potência deste pequeno 1.6 diesel dispara para uns expressivos 160cv (mais 10 do que o anterior 2.2i-DTEC) e rubrica um binário máximo de 350Nm às 2.000rpm. Em benefício de uma superior capacidade de tracção, a Honda optou por dotar estas versões mais potentes com tracção integral, sendo ainda assim, e num SUV com um peso superior a 1.600kg, possível ultrapassar os 200km/h e registar uma aceleração de 0-100 em 9,2segundos!

E como se conseguir um débito de 100cv/litro num bloco diesel desta dimensão, não fosse per si um feito notável, a Honda conseguiu ainda conciliar performance com um reduzido nível de vibrações, silêncio e suavidade de funcionamento, o que muito contribui para a apetência 'globetrotter' deste CR-V. 

Ao longo deste ensaio pude aperceber-me que os consumos acabaram por ser um pouco 'sacrificados', não tendo sido fácil ao longo de mais de 300kms, melhor do que 8.0l/100 de média. No entanto, dada a 'soltura' deste motor, a disponibilidade em baixas e a linearidade na subida de rotação, confesso que se tornou uma tentação aceder amiúde aos 160cv disponíveis. O motor tem pouco ou nenhum atraso na resposta do turbo, ou melhor, dos turbos, sendo extremamente agradável de utilizar, quer em andamentos mais tranquilos, desfrutando da imensa disponibilidade de binário, quer em ritmos... menos consentâneos com este tipo de veículo.

Graças à revisão de diversos componentes da suspensão, e mesmo contando com pneus de elevado perfil, encontrei neste novo CR-V uma menor tendência para um adornar indesejável da carroçaria. 

A condução deste novo CR-V é, de um modo geral bastante suave, com um tacto leve de comandos a propiciar uma postura descontraída ao volante (demasiado fino para o meu gosto). A taragem das suspensões, casa na perfeição com os pneus de elevado perfil e buracos, ou lombas, tornam-se em meras imperfeições, insuficientes para causar incómodo.

Dono de um ar robusto e 'upper class', com um motor performante e muito bem apetrechado de equipamento, o CR-V conquista-me de sobremaneira. 

Só uma última nota... Honda, por favor, uma buzina mais de acordo com o estatuto deste SUV!

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