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“Rotação ou Translação?”


Porquê Rotação ou Translação?

A Rotação é um movimento endógeno, em que a economia gira sobre si própria. O baixo, mas prolongado ritmo de crescimento da economia global está a provocar uma redução gradual dos níveis de desemprego, que se tem traduzido numa normalização das expetativas inflacionistas.

Andámos praticamente uma década a falar de Desinflação e de Deflação, e agora começamos a assistir a uma normalização do fenómeno inflacionista, com uma subida generalizada de preços. Por isso, antecipamos uma procura crescente por ativos reais, que se irá traduzir numa rotação de ativos financeiros de taxa de juro para ativos do mercado acionista.

Esta Rotação também se dá ao nível das políticas económicas, porque assistimos ao início do fim do absolutismo monetário e o maior compromisso da política fiscal pode vir a constituir um passo para uma maior equidade. Assim, mais crescimento e mais emprego, provoca subida de preços. Uma inflação mais elevada significa menos estímulos monetários, e em compensação, Estados mais solventes adoptam políticas fiscais expansionistas.

A Translação é um movimento exógeno, em que a economia gira à volta de um “Sol”, que define as diferentes estações do ano e, em 2017, o risco geopolítico estará presente ao longo de todas as estações. Nos últimos anos, o “Populismo” adquiriu uma dimensão significativa, onde alguns dos efeitos perversos da globalização motivaram um empobrecimento em algumas das economias desenvolvidas, agravando as desigualdades e acentuando o descontentamento. Este movimento assume-se como um fator de risco, na medida em que abre espaço para a transformação de um sistema económico previsível, assente num regime liberal e democrático, para uma maior incerteza económica, refém de regimes autoritários e protecionistas.

Mas no final o que prevalece a Rotação ou Translação?

No final permanecem os dois, sendo que o movimento de Translação já habita de forma mais permanente há alguns anos e creio que o movimento de rotação vai acabar por retirar intensidade ao risco geopolítico, uma vez que, vai ser um fator de redistribuição de riqueza, devolvendo ao Estado a capacidade de enveredar por políticas fiscais expansionistas que incrementarão o emprego, a atividade económica e maior equidade.

A questão de fundo reside no facto de atualmente os mercados financeiros, sobretudo na Europa, sobrestimarem o efeito de Translação e subestimarem o efeito de Rotação. O recrudescimento do risco geopolítico é atualmente uma realidade incontornável, no entanto, a cada vez maior dependência dos Estados entre si, deverá suscitar a prevalência dos compromissos, não colocando em causa a recuperação económica em curso. Quando olhamos para o impacto em termos de partilha de risco que está subjacente ao programa de compra de ativos do Banco Central Europeu, não podemos ignorar que o balanço do BCE já representa cerca de 30% do PIB da Zona Euro, ou quando, assistimos ao gasto público na Alemanha a crescer aos níveis da reunificação, percebemos que há muita coisa em marcha e um difícil retrocesso.

Na Europa, continuamos atrofiados com o fenómeno de Translação e não estamos a prestar devidamente atenção ao fenómeno de Rotação que irá ter de ocorrer. Parece que a engrenagem está emperrada, mas é uma questão de tempo até que investidores confrontados com a subida da inflação se foquem cada vez mais na obtenção de retornos reais de longo prazo. Sabendo que muitos dos mercados obrigacionistas têm implícito um retorno real negativo, os investidores vão procurar retornos reais positivos nos mercados acionistas globais.

Então qual vai ser o trigger para essa Rotação?

Apesar de emperrada a engrenagem já está em marcha há algum tempo. Eventualmente, para termos um movimento de rotação mais pronunciado teremos ainda de esperar que uma parte do movimento de Translação se dê, para que as coisas fiquem mais claras e à vista de todos. Após as eleições francesas, o Banco Central Europeu vai ter mais espaço para começar a abrir as hostilidades. À medida que o cenário de risco de deflação é substituído por um cenário de inflação moderada, o BCE irá procurar assegurar que as taxas de juro subam, mas de forma controlada. Para isso suceder, fará mais sentido remover de forma progressiva a sua taxa de depósito negativa, do que anunciar uma redução gradual do seu programa de compra de ativos. Esta discussão irá certamente acompanhar-nos ao longo dos dois próximos meses, sendo que no final, os investidores irão continuar a usufruir de retornos reais negativos e por isso, terão ter procurar alternativas. Por outro lado, a durabilidade e a sustentabilidade da recuperação económica na Europa, com já 15 trimestres consecutivos de crescimento económico, começa a infiltrar-se na confiança dos agentes económicos. Neste contexto, o processo de Rotação poderá intensificar-se de um momento para o outro. Por exemplo, há que não esquecer que os resultados agregados das empresas ao fim de quatro anos começaram a crescer, numa altura em que o gap das valorizações do mercado europeu e do mercado americano está em máximos dos últimos anos.

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Quais são os sectores a investir com a Rotação e a Translação?

Um dos temas mais importantes deste ano é que tanto a Rotação como a Translação serão fatores de acréscimo da volatilidade nas diferentes classes de ativos. O segredo reside na capacidade de entender a melhor forma de retirar partido do aumento dessa volatilidade e das alterações de correlações entre diferentes classes de ativos, tanto mais porque andámos uma década hipnotizados com o fenómeno da deflação. A subida da inflação e das taxas de juro, irá beneficiar os setores que detêm pricing power e todos aqueles que retiram partido diretamente da subida das taxas de juros, como os Bancos e as Seguradoras. Por outro lado, irá penalizar todos aqueles setores que são mais sensíveis aos acréscimos das taxas de juro, como as Utilities e os Consumer Stables. No entanto, alguns dos setores mais cíclicos ligados ao consumo discricionário continuam com valorizações interessantes, como o setor Automóvel, enquanto que os setores mais cíclicos como Tecnologia e Recursos Básicos permanecem suportados neste movimento de reflação. Por seu turno, no setor Petrolífero mantemo-nos construtivos, porque vemos alguma sustentabilidade dos preços do petróleo nos atuais níveis, mas não exclusivamente pela sustentabilidade da procura. De facto, vimos alguns constrangimentos do lado da oferta, não só pelo elevado grau de comprometimento da OPEP, mas também porque a recuperação da produção do Shale poderá ser mais lenta do que o antecipado, uma vez que, a volatilidade dos preços em torno dos 50 $/Barril não é susceptível de atrair grandes financiamentos de projetos.

Poderá aceder à versão completa da informação “Rotação ou Translação” através de: www.bbvaassetmanagement.pt

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