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Retrospectiva do que aconteceu em momentos de subida de taxas: durações dos ciclos e efeitos históricos sobre as yields e spreads


O consenso de mercado antecipa que a Reserva Federal aplicará em dezembro uma subida das taxas de juro em 25 pontos base. É o que esperam também os diretores de investimento da maioria das gestoras de fundos. No entanto, parece que a data em que este evento vai ter lugar está a perder relevância. “É provavelmente a subida de taxas mais anunciada da história, pelo que os investidores já fizeram a cobertura das suas posições perante os efeito que esta possa produzir”, assegura Luca Paolini estratega chefe da Pictet AM. O que o preocupa agora é o ritmo a que a Fed vai endurecer a sua política monetária. É aí que podem aparecer surpresas e onde os investidores podem ficar em fora de pé. Neste sentido, a história demonstra que o que espera o mercado nem sempre coincide com o que no final de contas acaba por acontecer, o que no campo das obrigações tem efeitos sobre as yields e os spreads.

Na M&G Investments fizeram essa análise. Desde 1955 existiram 12 ciclos de subidas de taxas de juro nos EUA, de distinta duração, ritmo e magnitude. O que fizeram foi precisamente ver como é que se comportaram as yields e os spreads depois do movimento. Segundo explica Ana Gil, especialista de investimento em obrigações da entidade, as TIRs tendem a aumentar automaticamente desde o anúncio da subida das taxas durante um período de 12 meses, enquanto que os spreads costumam mover-se na direção oposta e costumam estreitar-se durante os 12 meses seguintes à subida das taxas. Cada ciclo de subidas é diferente, mas, em geral, a compressão que veem no segmento de investment grade estará em média entre os 30-35 pontos base, enquanto que para o high yield é maior, caso em que a compressão média estará entre os 100 e os 110 pontos base.

Outro aspecto importante tem a ver com quanto é que costumam durar os ciclos de subidas das taxas de juro. Fazendo a análise histórica pode-se referir um número. Em média prolonga-se 22 meses. O período mais longo começou em julho de 1963 e culminou em abril de 1969, durante 69 meses. Também foi longo o ciclo iniciado em 1976, já que se prolongou por um espaço de 39 meses. O que menos duração teve iniciou-se em agosto de 1980 e culminou em dezembro desse mesmo ano (quatro meses). No que diz respeito à dimensão desses aumentos – um dos assuntos que mais preocupa os investidores – na maior parte das ocasiões os incrementos aplicados pela Fed foram graduais, de 25 pontos base. Desde 1955 que assim é em metade das ocasiões nas quais o banco central começou a subir as taxas. E, a julgar pelo discurso mantido até agora por Janet Yellen, não há nada que faça pensar que desta vez será diferente, segundo o que assinalam a maioria dos especialistas consultados.

“É muito difícil interpretar a Fed. Tem demonstrado ter confiança nos seus próprias modelos. Não é necessário manter uma política monetária de emergência com estes níveis de crescimento económico, emprego e inflação. No entanto, acreditamos que a subida das taxas nos Estados Unidos será gradual”, afirma Keith Wade, economista chefe da Schroders (reflexões da Schroders em 20 tweets). Para Andrew Wells, diretor global de investimentos de obrigações da Fidelity, a questão não é se a Fed subirá ou não as taxas de juro em dezembro, mas sim quantas vezes o fará em 2016. “Eu espero que a Fed comece a endurecer a política monetária em dezembro e vejo as taxas em torno de 1% daqui a um ano”, augura (reflexões da Fidelity em 20 tweets). De qualquer das formas, a grande pergunta é se a Reserva Federal está à frente ou atrás da curva.

Fonte: Deutsche Bank.

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