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Recomendações e orientações sobre como investir no atual contexto de volatilidade


O descalabro sofrido pelas ações neste arranque do ano apanhou muitos investidores de surpresa. O que fazer? Essa é a principal pregunta que muitos deles estão a fazer. A Funds People perguntou a alguns responsáveis de gestoras internacionais sobre que conselho dariam aos investidores no atual contexto. O primeiro que fala é Sebastián Velasco, director geral da Fidelity para Iberia, que neste momento lembra aquele que é um ponto básico: não se deixarem levar pelo pânico e vender no pior momento. “O pior que se pode tentar fazer numa fase de vendas é tentar cronometrar o mercado. Quando os investidores tentam acertar nos tempos do mercado e entram e saem dos seus investimentos, correm o risco de debilitar as rentabilidades futuras, já que se podem perder os dias de maior recuperação do mercado e as oportunidades de compra mais atrativas que geralmente aparecem em fases de volatilidade”.

Um ponto chave será não permitir que a euforia ou o pessimismo difundidos pelo mercado tirem a visibilidade de julgamento do investidor. Se assim for, as consequências sobre a rentabilidade a longo prazo poderão ser muito sérias. Segundo Javier Dorado, diretor da J.P. Morgan AM para Ibéria, “neste momento é conveniente recordar a importância da poupança a longo prazo. Em períodos de volatilidade como este há que ter claros conceitos como a globalidade das carteiras, ou a sua diversidade, pois as subidas que costumam acontecer depois das correções podem ter um impacto muito importante na rentabilidade. Da Carmignac, por exemplo, recomendam a elevação dos níveis de cautela.

“A economia europeia melhora progressivamente e o BCE continua a enviar mensagens de apoio. O perigo é que isto possa colocar o investidor numa falsa situação de conforto. A realidade é que a situação  global se está a tornar cada vez mais perigosa, e a Europa não está imune”. Nas ações, o que aconselham da empresa francesa é que optem por ações de qualidade de empresas com visibilidade nos seus lucros. Nas obrigações, a opção passa por reduzir a exposição a dívida pública e a crédito. As recomendações de cada casa são diferentes. Coincidem, contudo, no facto de este ano vir a ser marcado pela volatilidade. Independentemente da visão de mercados da entidade, Luis Ojeda, responsável do Deutsche AM para Ibéria, acredita que os investidores devem considerar quatro aspectos.

Um deles é se a composição dos seus investimentos tem um perfil de risco que se adapte ao seu perfil de risco, incluindo uma adequada diversificação. O segundo, se os ativos que compõem a sua carteira têm uma relação rentabilidade/risco atrativa a médio e longo prazo (evitando investimentos com uma relação assimétrica, nos quais a rentabilidade potencial é muito baixa, e o risco alto a médio e longo prazo). Três: considerar como cenário central macro que o tempo de crescimentos baixos se poderá prolongar mais tempo do que noutros ciclos. Por fim, o quarto ponto: a crise da dívida e os seus correspondentes períodos de desalavancagem costumam ser prolongados. “Com as quedas, existem ativos de risco alto que se estão a aproximar de valorizações atrativas. É necessário considerar um amplo intervalo de níveis de entrada, em vez de nos fixarmos num só, fazendo-o através de gestores especializados nessa mesma classe de ativos”, afirma. 

Apostar em que tipo de produtos

Ana Claver, responsável de Robeco aconselha a que se procurem fundos de investimento que, para além de descorrelacionados, o seu gestor tenha um compromisso com o risco que assume e, consequentemente, com o ativo que gere. O mesmo é dizer que o fundo se deve comportar como o esperado, mas sem que seja assumida uma volatilidade superior. Para Carla Bergareche, diretora geral da Schroders para Ibéria, dependendo do perfil de risco de cada investidor mas sempre tendo em vista o longo prazo, será chave selecionar productos que permitam construir uma carteira diversificada, mas que sejam também flexíveis, podendo enfrentar as tempestades, adaptando-se a um contexto em mudança, ao mesmo tempo que geram rentabilidades consistentes. “Uma maneira de o fazer é através de estratégias descorrelacionadas e de retorno absoluto, tanto de ações como de obrigações, que possam beneficiar de qualquer tendência de mercado”.

Neste contexto, segundo Ignacio Rodríguez Añino, a gestão ativa, a flexibilidade, a diversificação e a capacidade de saber combinar finanças comportamentais com marcos de valorização exaustivos alcançam a sua máxima razão de ser nas carteiras. “Para que isto funcione o investidor deve ver os episódios de volatilidade como oportunidades. Devemos ser firmes com o nosso processo de investimento a longo prazo. Daí a grande importância da experiência das equipas gestoras em identificar episódios de mercado onde os sentimentos não substituam os fundamentais económicos na altura de tomar decisões de investimento”, afirma o responsável de M&G Investments para Portugal, Espanha e América Latina.

Aitor Jauregui, responsável de desenvolvimento de negócio da BlackRock para Ibéria, acredita que a combinação de estratégias ativas e passivas pode ser fundamental para enfrentar a tempestade que estamos a viver nos mercados. “As estratégias multi-ativas e de obrigações flexíveis são idóneas dado o contexto atual do  mercado. Por outro lado, estratégias de mínima volatilidade em ações ajudam a proteger as carteiras perante correções de mercado e a captar uma grande parte das subidas”.

Quando existem dúvidas, o melhor é procurar aconselhamento 

Ramón Pereira, diretor geral da Franklin Templeton para Ibéria, prefere fazer especial ênfase  na ideia apontada por Jauregui. “O principal conselho que há que dar ao investidor é o de aconselhamento com um profissional ou com uma entidade independente que os ajude a colocar em perspectiva individual, o apetite por risco, objectivos financeiros pessoais e o horizonte temporal para as oportunidades, bem como os riscos e vaivéns dos mercados. Se este processo se faz de uma forma periódica e profissional, é mais fácil abstrair-se de modas e opiniões mais ou menos fundadas, para se centrarem  em tomadas de decisões  de investimento adequadas para cada investidor em concreto”, sublinha. Isto parece ser algo especialmente importante num cenário em que tudo aponta para que a volatilidade continue em todas as clases de ativos, neste que será um ano complicado para que os ativos de risco gerem rentabilidades como as oferecidas em anos anteriores. 

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