Reações das gestoras internacionais à reeleição de Shinzo Abe


Abe-San já preparou a recarga com mais setas para continuar a disparar sobre a economia nipónica, agora que saiu reforçado politicamente nas eleições da semana passada. A opinião unânime das gestoras é que os japoneses deram um apoio histórico às políticas de estímulo e de reflação conhecidas como Abenomics. “Tendo ganho um voto de confiança, espera-se que o primeiro-ministro Abe governe pelo menos mais dois anos, ou até quatro”, indica a equipa de investimento da Fidelity Worlwide Investment em Tóquio.

Para eles foi uma surpresa o facto do Partido Comunista ter duplicado os seus lugares, para 21. “É significativo em termos de poder político, mas reflete em parte a oposição das iniciativas do Partido Liberal Democrata (PLD) de reativar as centrais nucleares e implementar os contratos colectivos de defesa”, indicam.

Da Fidelity manifestam a sua esperança de que os mercados comecem a prestar mais atenção à agenda política e à implementação da terceira flecha. O primeiro desafio é a aprovação do orçamento suplementar para o ano fiscal de 2014 e o orçamento geral para o ano fiscal de 2015; Abe sugeriu aumentar em um bilião de ienes o primeiro (até aos 3 biliões), colocando a tónica em revitalizar a economia regional. No entanto, o orçamento geral será debatido entre janeiro e fevereiro. “Depois de se aprovar o orçamento para 2015, esperamos que as prioridades do governo sejam a reforma do imposto das sociedades, as negociações com a Aliança Transpacífica e o reinício da atividade nuclear”, declaram da gestora .

Todos estas mudanças levam a equipa de Tóquio a ser construtiva no sector empresarial japonês, que já está a refletir as reformas estruturais: “A nova administração do Japão e os códigos de bom governo estão direcionados para a melhoria de retornos. À medida que os lucros corporativos continuem a crescer e as empresas se centrem mais na eficiência de capital, esperamos ver mais melhorias no valor para os acionistas e nos ROE (Return On Equity). Desta forma insistem que, do ponto de vista das valorizações, “as ações japonesas estão historicamente baratas e negoceiam com desconto no PER relativamente aos EUA”. “O baixo múltiplo do valor contabilístico está justificado pelo ROE relativamente baixo, mas as mudanças estruturais a nível micro estão a  levar a uma maior atenção aos retornos acionistas”, acrescentam da Fidelity, que expressa a sua confiança de que a história das ações japonesas é atrativa para o médio prazo.

Cepticismo com o futuro

“Dadas as poucas mudanças no contexto político, é razoável perguntar qual era o objectivo de convocar eleições. Na verdade, a julgar pelo mínimo record de concorrência (cerca de metade do eleitorado), parece-nos que muitos japoneses se perguntaram a si mesmos esta questão”, diz da Schroders Andrew Rose, gestor especializado em ações nipónicas. Rose conclui que o fim aparente subjacente à convocatória de eleições era conseguir  “o veredicto público na sequência do adiantamento do aumento do IVA, mas na prática, nunca foi um ponto de discórdia”.  Para o especialista, o motivo verdadeiro que levou o partido a adiantar as eleições foi “um acto de pragmatismo político: a campanha centrou-se em se os dois anos de Abenomics tinham sido um êxito ou não”, já que na campanha se falou de novas iniciativas políticas.

O especialista interpreta a queda de 3% da bolsa nipónica  durante os dias seguintes às eleições e a apreciação do yen, mais como resultado das preocupações de mercado, do que propriamente a ver com os resultados eleitorais. “Também poderá existir um elemento de realização de lucros, que se seguiu a um fluxo de notícias macro positivas sobre o Japão, onde se incluíam estímulos monetários adicionais, o adiantamento do aumento do IVA e a queda dos preços do petróleo”, indica.

O que deve o investidor esperar para o próximo ano? Os especialistas da Schroders vão centrar-se em se “a deflação é banida de forma convincente”; Em jeito de conclusão Rose afirma que “a tendência dos retornos reais será um indicador importante”. Tal como outras gestoras que já expressaram a sua visão, da empresa inglesa estão seguros de que aumentará o interesse micro pela melhoria dos níveis de eficiência e de sustentabilidade dos lucros das empresas japonesas. 

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