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'Rating' de Portugal muito influenciado pela situação da Zona Euro


Douglas Renwick, director sénior e responsável pela análise de soberanos na Europa Ocidental, indicou os factores chave para a atribuição do 'rating' a Portugal. Por um lado, a Fitch aponta que a economia portuguesa tenha uma redução da recessão ao longo deste ano, mas mesmo assim, que exista uma contracção de cerca de 2%. Como riscos negativos estão, naturalmente, uma intensificação da recessão da República, uma diminuição menor do que o esperado do défice e maior incerteza relativamente a decisões políticas. Neste ponto, Renwick salientou que "o foco até agora foi muito pelo lado de políticas de austeridade associadas ao aumento de impostos, porque produzem efeitos mais imediatos, que a reforma e os cortes, já iniciados e que devem continuar, da despesa pública". O forte apoio de outros países da Europa e o anúncio, do verão do ano passado, do BCE para um apoio "incondicional" pela sobrevivência do euro são definidos como riscos positivos para Portugal. Em comparação com outros países do mundo que passaram por intensas crises financeiras, como países da América Latina, o responsável pela análise de soberanos, referiu que "para a maioria dos países europeus a ajuda não se findou na intervenção "solitária" do FMI".

Quanto à análise de 'rating' das instituições financeiras, Cristina Torrella, directora sénior da Fitch e responsável pela análise dos bancos portugueses, referiu, na apresentação da empresa de 'rating' realizada ontem no Hotel Sheraton, que os bancos nacionais são influenciados por factores externos e internos e que isso condiciona as notações atribuídas pelas agências de 'rating'. Por um lado, esta responsável da Fitch, destacou "o fortalecimento das posições de capital e da estrutura de financiamento das entidades financeiras portuguesas através de medidas tomadas que apoiam a rendibilidade e permitem melhorar a posição de liquidez, além de servirem de 'colchão' para possíveis deteriorações da qualidade dos seus activos". 

Apesar dos progressos apontados por Cristina Torrella, "o 'outlook' dos bancos portugueses é negativo, devido aos desafios e riscos existentes, especialmente relacionados com o risco soberano e com a pressão pela qualidade dos activos num cenário macroecnómico fragilizado", referiu.

Erwin van Lümich, director geral da área de análise de instituições financeiras, sublinhou que o 'rating' dos bancos portugueses está naturalmente muito influenciado pelo 'rating' do país dado o enfoque doméstico da maioria deles. Pelo contrário, apontou os exemplos do BBVA e Santander "que apresentam 'ratings' superiores ao de Espanha precisamente pela sólida diversificação geográfica e de negócio que apresentam".

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