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Que impacto tem a queda do preço do petróleo sobre as moedas, as obrigações emergentes e a dívida norte-americana? A Amundi responde


Até agora as divisas emergentes tinham aguentado com dignidade a constante queda dos preços do petróleo, com as conhecidas exceções do rublo, do peso colombiano e, em menor escala, do real brasileiro, e algumas moedas da Europa Central (o leu romeno, a coroa checa e o florim húngaro). Marc-Ali Ben Abdallah, estratega e analista económico na Amundi, analisa o impacto das quedas presentes e futuras do preço do petróleo nestas moedas, mas também na dívida emergente.

“Esta semana marca uma mudança no sentimento sobre as perspetivas de crescimento. Excluindo-se o rublo e o peso colombiano (que registou a sua maior queda desde finais de junho, cerca de 9,3%), as outras moedas emergentes tinham evoluído por si mesmas... até agora”, avisa Ben Abdallah. O especialista realça que, desde finais de junho, o regresso da volatilidade implícita se tinha notado mais em países desenvolvidos do que  nos emergentes, ao que acrescenta a mudança de sentimento nos investidores sobre os mercados de ações que marcou a ascensão do VIX. “Em vez dos ganhos esperados pelo aumento do poder de compra dos consumidores, impulsionados pelos preços mais baixos do petróleo, agora há medo de que exista uma desaceleração da economia global”.

O estratega recorda que a rápida queda do crude “é sinónimo de uma deterioração dos balanços fiscais das economias que têm por base no petróleo”. Dá como exemplo que,  com o barril a 60 dólares, apenas o Kuwait, Abu Dahbi e Noruega podem preservar o seu equilíbrio fiscal. Para além das moedas, esta deterioração também está a fazer com que várias referências de dívida de países exportadores se estejam a comportar pior que a média de mercado, acusando o impacto do aumento dos spreads. Ben Abdallah fornece mais detalhes: desde o começo do ano, a dívida venezuelana caiu 32,8%, enquanto a dívida russa cedeu cerca de 8,5%, a equatoriana aproximadamente 3,9%, a do casaquistão 3,7% e a angolana, cerca de 1,5%.

“Dito isto, o choque não está a limitar as economias emergentes. Também é um desafio para o high yield norte-americano”, avança o estratega da Amundi. A razão? É que abaixo do limiar dos 55 dólares por barril será difícil que as empresas energéticas norte-americanas com rating B e CCC – que perfazem um terço da indústria – possam cumprir com os seus compromissos financeiros. O especialista constata que o índice sectorial do high yield entrou em números vermelhos, ao ter caído de 15%.

Os mercados de crédito emergentes estão a enfrentar a convergência de vários riscos, sobre os quais as suas autoridades económicas têm pouco controlo”, assinala Ben Abdallah. Este aponta como exemplo  de um incentivo aos altos e baixos dos rendimentos, a boa saúde do mercado laboral norte-americano, cujo número de postos de trabalho (4,8 milhões) bateu um máximo de 14 anos em outubro. “Por isso, a criação de emprego deverá continuar a ser elevada nos próximos meses. Esta tendência reforça a probabilidade da Reserva Federal regressar a uma política monetária ortodoxa. Como resultado os investidores têm medo de um aumento da correlação entre a parte curta e a parte longa da curva das taxas norte-americanas, o que poderá conduzir a um ressurgimento da volatilidade das obrigações; por sua vez, esta, poderá destabilizar os mercados de crédito emergentes”, resume o especialista.

No entanto, do seu ponto de vista é “improvável que estes progressos sejam simultâneos”. “A Fed não vai optar por um endurecimento da sua política monetária no caso da volatilidade regressar”, acrescenta. Ben Abdallah prevê que, por outro lado,  “a queda dos preços da energia terá como resultado a redução da capacidade de produção e o aumento da procura”. Desta forma, conclui a sua análise assegurando que o resultado final do declínio dos preços do crude acontecerá no final da consolidação atual: “Será reforçado o carry sobre a dívida emergente, especificamente por causa das consequências desinflacionárias desse choque”.

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