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Que impacto pode ter a primeira subida de taxas de juro nos EUA sobre as diferentes classes de ativos?


À medida que se aproxima a data, cada vez mais investidores estão a questionar o preço que terá a primeira subida de taxas de juro nos EUA em quase dez anos e que se produz, muito possivelmente, esta semana. Segundo um inquérito realizado entre economistas e publicado pela Bloomberg a meados de novembro, cerca de 88% do consenso posicionou-se a favor desta probabilidade. Agora, a pergunta é mais se pode realmente esta subida ter um impacto direto e imediato nos investimentos? Esta pergunta centra parte do que é dito no último relatório CIO View da Deutsche AWM. “Em termos de efeito direto sobre a produção ou inflação, um movimento inicial das taxas de juro de curto prazo para 0,5% é provável que se revele insignificante”, argumentam os autores do documento. Estes consideram que “o principal impacto será através das expectativas e aqui a fotografia torna-se turva”.

Do ponto de vista dos especialistas do Deutsche AWM é que, no curto prazo, “alguns investidores esperam que a primeira subida de taxas possa inclusive impulsionar os ativos de risco”, tendo em conta que a decisão da Fed seria a refutação do bom desempenho da economia dos EUA. Por outro lado, salientam que apenas a perspectiva da subida das taxas de juros já provocou alterações no mercado de divisas, ao produzir-se uma valorização do dólar face à debilidade de um conjunto de divisas emergentes e o efeito da incerteza sobre o euro.

No entanto, no longo prazo, a expectativa dos especialistas é que “a maior fonte de problemas pode estar perto de casa! Referem-se que, desde 2008, as taxas de juro se moveram entre os mínimos históricos de 0 e 0,25%. “Isso tornou difícil às empresas, junto dos investidores, antecipar todos os efeitos colaterais da reversão para a tendência”, observam. “Durante anos, estas empresas e famílias capazes de obter empréstimos fizeram-no com agrado e ajustaram o seu comportamento em consequência. Sectores inteiros, como yieldcos (estruturas corporativas enfocadas na geração de dividendos) em energia e real estate emergiram, e basicamente devem a sua existência ao financiamento barato. Tais veículos já estão a sofrer”, observam os autores do estudo. Referem-se especificamente às empresas do sector energético cujo negócio se baseia no fracking e que contam com classificação high yield como exemplos claros desta nova tendência. “Se os anteriores ciclos de normalização monetária servem de guia, é, contudo, provável que sinais de angústia venham à tona em sectores inesperados durante os trimestres seguintes”, advertem em modo de conclusão.

O que dizem os antecedentes históricos?

Do Deutsche AWM também mostram dois gráficos que podem servir de ajuda para determinar se a Fed está determinada a subir as taxas de juro quanto antes. O primeiro é uma representação da curva de Phillips, que mostra a relação entre inflação e desemprego. “Quando o desemprego é baixo, os empregadores têm que oferecer mais salário para atrair a sua equipa, o que por sua vez faz os preços subir. Pelo contrário, um desemprego elevado reduz os salários e, portanto, os preços”, descrevem. Assim, a queda da taxa de desemprego para 5% nos EUA deverá traduzir-se num aumento da inflação via salarial, o que por sua vez seria um argumento a favor da subida das taxas de juro, embora pontualizam neste sentido que a curva de Phillips mostra “uma visão muito mecânica da economia”.

“A relação rompe-se se se produzir um ajuste nas expectativas sobre a inflação dos trabalhadores”, acrescentam. Desta forma, da gestora indicam que “o optimismo entre os consumidores de menores rendimentos nos EUA alcançou níveis visíveis nos áureos tempos de 2005 e 2006, antes da crise financeira”, dado que, inclusive o terço de população com menor poder de compra espera de forma generalizada que a sua situação financeira melhore nos próximos doze meses. A previsão do Deutsche AWM é que a taxa de desemprego continue a diminuir até 4,5% ou 4,7% em dezembro de 2016. 

O segundo gráfico tem a ver com a evolução das várias classes de ativos norte-americanas durante o período de taxas de juro extraordinariamente longas. “Desde o início da crise, a Fed tentou reativar a economia empurrando os preços dos ativos. Isto foi especialmente efetivo para as ações, como mostram os retornos do S&P 500”, indicam da gestora.

Os autores do relatório CIO View sublinham, igualmente, que o outro grande ativo que mais beneficou deste período de políticas extremamente acomodatícias foi o imobiliário (expressado no gráfico com a evolução do índice Case-Shiller de preços da habitação), dada a sua extraordinária recuperação após o rebentamento da bolha imobiliária.

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