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Que efeitos estão a ter as reformas regulatórias no mercado de 'repos'?


As reformas regulatórias postas em marcha nos últimos anos com o objetivo de reduzir o risco nos mercados financeiros poderão estar a dar uma nova vida ao mercado de repos (Repurchase Agreements). É o que acreditam os especialistas da Sibos, a conferência sobre serviços financeiros organizada anualmente pela SWIFT, e que este ano teve lugar em Singapura entre 12 e 15 de outubro.

Num artigo recente, os autores assinalam que cada vez mais empresas consideram o mercado de repos como uma alternativa interessante aos depósitos bancários ou ao papel comercial na hora de alocar a sua liquidez a curto prazo: “Temos observado que um número crescente de fornecedores de liquidez não tradicionais, como as empresas, têm começado a usar o Euroclear Bank como agente para a gestão de colateral de repos trilaterais”, afirma Olivier Grimonpont, responsável de serviços de garantias na Euroclear.

As empresas estão preocupadas com o risco de recapitalização interna (bail-in) bancária, e com o facto dos depósitos não garantidos, embora convenientes, não representarem uma opção de investimento segura”, explica Pascal Morosini, responsável mundial de financiamento de títulos e gestão de relações da Clearstream. “Ao contrário dos depósitos, as repos trilaterais estão suportadas por um colateral específico que  garanta completamente a liquidez investida, pelo que a empresa está protegida face a um possível incumprimento por parte da entidade financeira, sobretudo se a gestão do colateral for externalizada num agente independente”.

A  consequência é que estas operações estão a melhorar a liquidez de um mercado até há bem pouco tempo reservado aos bancos centrais,  aos fundos do mercado monetário e à banca comercial e de investimento. “Esta nova fonte de liquidez já está a aliviar o potencial de escassez de colateral”, aponta Grimonpont. É que a nova regulação - em concreto, a reforma do mercado de derivados over-the-counter (OTC) e Basileia III – provocou um forte incremento da procura de garantias de elevada qualidade (como a liquidez ou as obrigações governamentais) por parte dos bancos ou gestoras de ativos.

Segundo um estudo realizado pela Oliver Wyman e pela Morgan Stanley, o mercado necessitará de 1,4 biliões de dólares em garantias adicionais até 2018. Perante esta situação de escassez, os autores do artigo assinalam que as empresas podem negociar melhores rentabilidades para as suas operações de repo, uma vantagem interessante  no atual contexto de baixas taxas de juro.

Compensação não centralizada

Outro factor que poderá potenciar ainda mais o mercado de repos é a aplicação do regulamento relativo à infraestrutura dos mercados europeus (EMIR, nas suas siglas em inglês), já que muitas empresas poderão recorrer a estas operações para cumprir com as suas exigências de margens para os derivados e os swaps não compensados de forma centralizada

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