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Quatro perspetivas sobre o futuro das obrigações


O tema central da UBS Distribution Partners Conference, organizada pela UBS Global Asset Management, foi sem dúvida o futuro das obrigações e a mudança feita nas estratégias do retorno absoluto. A opinião é unânime entre os especialistas da empresa: as taxas de juro vão continuar em níveis baixos durante algum tempo, com uma normalização positiva. Michael Dow, diretor de investigação global de obrigações soberanas, alerta no entanto para que “os bancos centrais sejam credíveis, de forma a que os mercados sigam as suas indicações”. Para o especialista a missão do BCE em termos de reforço da sua posição deve passar por reduzir o prémio de risco da periferia em relação à Alemanha. O Banco do Japão, para o especialista, é um exemplo de um dos bancos mais ativos em termos de políticas heterodoxas.

Em termos de perspetivas, Michael Dow espera que as treasuries se movimentem entre os 3% e os 4% durante os próximos anos. Considera também que é positiva a normalização das taxas de juro, especialmente tendo em conta que “antes da Fed falar do tapering, já o mercado descontava as subidas das taxas de juro para finais de 2015”. Em relação aos movimentos das obrigações no resto do mundo,  deixa um aviso: “tudo o que se passa nos EUA, nunca fica só nos EUA”.

Rendibilidades que ficam no passado

Uma coisa é certa para os especialistas da UBS: o retorno de dois dígitos dos “tempos áureos” das obrigações está a terminar. Matt Bance, estratega da empresa, assinala que o cupão deixou de ser o principal driver de rentabilidade, já que “devido ao aumento da procura por obrigações, para se conseguir um bom cupão tem de se optar por durações maiores”.

Da mesma opinião é Andreas Koester, diretor de alocação de ativos da UBS Global AM, que acredita que “hoje o mais sobreponderado são as obrigações globais excluindo os Estados Unidos”. Para além disso o especialista diz estar preocupado com o facto de a “liquidez estar em níveis anormais”, e alerta que a repercussão que se está a dar à retirada de estímulos por parte da Fed é exagerada, já que “apesar de toda a gente falar disso agora, a fase de esquecimento será rápida e o mercado vai normalizar”. 

Podendo escolher entre o risco da duração, de crédito ou de taxas de juro, Bance aconselha a que se aumente o crédito e se reduzam as durações. Para além disso, acredita que a high yield se vá comportar melhor do que as obrigações com grau de investimento. Na sua perspetiva, como os rendimentos anteriores das obrigações não se vão voltar a repetir, agora as oportunidades estão nas ações. Ainda assim não vê tanto potencial neste ativo como o esperado.

Qual a melhor estratégia?

Para Brian Fehrenbach, gestor sénior do UBS (Lux) Bond Sicay-Global Opportunities Unconstrained, a estratégia chave para se trabalhar sem restrições de qualquer espécie envolve “compensar o risco, evitar imprecisões e diversificar com o objetivo de gerar eficiência”. O gestor na sua tomada de decisões combina a análise top down com a bottom up, e cada um dos ativos que entram no seu radar são submetidos a um teste de risco por taxa de juro, crédito e divisa. Fehrenbach acredita que se podem encontrar oportunidades tanto por taxa de juro, como por volatilidade implícita nessas taxas.

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