Prolongar-se-á a tendência de queda do petróleo em 2016? Três ligações a ter em conta


A reunião correspondente ao mês de dezembro da OPEP terminou sem nenhuma mudança na política do cartel, mas com novas quedas para o petróleo: o Brent perdeu o nível dos 40 dólares por barril pela primeira vez desde 2008 e o West Texas Intermmediate (WTI) chegou a mínimos de sete anos. Que consequências é que esta queda generalizada pode ter sobre as distintas faces da economia?

“A OPEP está a inundar o mercado com petróleo barato para tentar excluir os produtores mais caros, mas o processo tem sido mais doloroso e duradouro do que o esperado. Apesar de um ano de baixos preços que tem sido um castigo, a produção de países não membros da OPEP tem-se mantido insistentemente alta ao ter sido a produção de shale gas nos EUA mais resistente a preços mais baixos, e estando a Rússia a produzir ao nível mais alto desde a queda da União Soviética”, explica Thina Margrethe Saltvedt, analista chefe de macroeconomia e petróleo da Nordea.

A visão da gestora é que acontecerá uma queda abrupta da produção do petróleo nos EUA no ano que vem, “mas o afeito será compensado pelo retorno de grandes volumes de petróleo iraniano depois de serem eliminadas as sanções”. Por isso, a especialista conclui que “os preços do petróleo têm que estar baixos por um extenso período para que a OPEP tenha a sua recompensa e volte a ganhar quota de mercado”. A analista chefe também assinala que a combinação de preços baixos e uma década de custos inflacionados tem obrigado muitas gestoras a adiar novos projetos: “Os investimentos globais foram cortados em 20% em 2015 e são esperados mais cortes em 2016”.

Nesta mesma linha de análise pronuncia-se Greg Venizelos, analista da AXA IM. Concretamente, chama a atenção em relação aos efeitos de um petróleo mais barato sobre as empresas extractoras com rating abaixo de investment grade, que supõe uma grande percentagem de todo o high yield norte-americano. “A rentabilidade relativa do high yield e do grau de investimento vinculado à energia correlacionou-se fortemente com as mudanças nos preços do petróleo. O high yield provavelmente necessita de um ‘mini rally’ dos preços para se poder recuperar, pelo menos no curto prazo”. Venizelos avisa que “a ligação entre o high yield e o petróleo pode debilitar-se daqui em diante, pelo menos na parte das subidas, se os nomes ligados à energia ou às matérias primas continuarem a atrasar-se nas fases de subida”.

Tanguy Le Saout, gestor da Pioneer Investments, encarrega-se de assinalar a última ligação do petróleo que devem ter em conta os investidores para obter pistas sobre a sua evolução no ano que vem: “Há uma forte correlação entre o preço do petróleo e a medida favorita do BCE para calcular as expectativas de inflação: a taxa de breakeven a cinco anos. Se esta correlação se mantiver, e o preço do petróleo continuar a cair, sugerem que poderá haver pouca recuperação da inflação em 2016”. Por outro lado, o especialista opina que “isto poderá significar que existe uma possibilidade de que o BCE vá anunciar mais medidas de estímulos no primeiro semestre de 2016”. 

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