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Processo de investimento: um “jogo” que evolui


Risco e mais risco. Esse tem sido de facto o denominador comum dos investimentos nos últimos tempos. Na sua última carta, Giordano Lombardo, CIO da Pioneer Investments, começa por relembrar de onde veio tal tendência. Se no início “era consequência da procura pela melhor yield, e pela melhoria dos retornos num contexto de taxas de juro baixas”, mais recentemente “transformou-se numa procura mais profunda das oportunidades de yield, nomeadamente no lado mais arriscado dos próprios ativos de risco”, indica.

A Pioneer “abriu caminho” aos  ativos de maior risco em 2009, altura em que começou a estar positiva em tais produtos. Atualmente com o mercado de ações perto de máximos históricos, e com os spreads em mínimos, Giordano Lombardo coloca em cima da mesa duas questões: “ainda vale a pena estar longo nos ativos mais arriscados?”; “será a abordagem de investimento adotada a mais apropriada para ir ao encontro das necessidades dos investidores?”.

Equilibrar sim, mas importa como

Vamos por partes. A abordagem do especialista relativamente à primeira questão apresenta a crença de que uma carteira mais diversificada e equilibrada “é provavelmente a melhor forma de se seguir em frente rumo ao futuro”. Desta feita, enuncia vários cenários relacionados com esta questão. Em relação aos EUA, o Chief Investment Officer da entidade acredita que “o legado da crise continua, já que o crescimento mais forte da economia ainda não se refletiu nos rendimentos pessoais dos cidadãos”. Na zona euro, por outro lado, o elevado número de desemprego, e um valor do PIB que se assemelha aos números pré-crise, são condicionantes. Para o especialista, factores como os enunciados em cima em conjunto com outros factos, podem fazer com que “os retornos esperados sejam mais baixos do que o previsto”.

Alpha vs Beta

Retomando a segunda questão enunciada na sua carta (será a abordagem de investimento adotada a mais apropriada para ir ao encontro das necessidades dos investidores?”) , Giordano Lombardo, lembra que a resposta está relacionada com a necessidade de se gerar uma alta performance para os clientes, nomeadamente num contexto onde os retornos esperados dos ativos mais arriscados têm sido comprimidos pela tendência de mercado dos últimos anos. Partindo do argumento de que apenas existem duas maneiras de melhorar o rendimento das carteiras – gerir a componente do beta ou atuar no lado da formação de alpha – o especialista apresenta e analisa algumas opções.

Atenção às correlações

Do lado da diversificação do beta, o CIO lembra que “adicionar classes de ativos a uma carteira não é uma opção inteligente quando a correlação entre essas classes é tanto mais alta quanto mais elas se movem na mesma direção”. Outro aviso deixado é que “as correlações não são estáticas e podem mudar consoante diversos factores”, tais como uma mudança de designação (um mercado fronteira que passa a ser mercado emergente), ou ainda uma simples alteração repentina nas percepções do investidor. Resumindo, Giordano Lombardo indica que a diversificação do beta tem de ser gerida com muito cuidado, porque acarreta riscos que muitas vezes não são visíveis em medidas como a volatilidade.

“Por esta razão acreditamos que trabalhar para melhorar a componente do alpha é extremamente importante”, indica. Tal abordagem, diz, é importante para que se enfatize “o papel da construção da carteira, com base numa combinação eficiente de múltiplas estratégias alfa de baixa correlação”. 

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