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Portugal, um especialista em obrigações


Na comunidade de gestores portugueses a opinião é quase unânime quando se assume que a crise veio modificar a forma como olham para os ativos de risco e sem risco, assim como para os títulos de dívida. João Zorro concorda, dizendo que "a volatilidade que tem afetado esta classe tem sido fora do normal, ninguém estava preparado para ela. Como contrapartida, o nível das rentabilidades também não tem sido o habitual!". Assim, parece que o que realmente mudou nestes últimos anos foi "a perceção sobre os ativos denominados de “sem risco”". Leonel de Jesus, da Popular Gestão de Activos, diz que é "em momentos de dificuldade e de crise que o génio desperta e aperfeiçoa. Na realidade, crise e dificuldade, são as palavras que melhor caracterizam (caracterizaram) a situação da conjuntura económica actual e que ainda durante algum tempo irão influenciar as decisões futuras."

E na gestão de obrigações, parece que Portugal aparece na dianteira. Sob gestão existem em fundos de obrigações 3,96 mil milhões de euros, segundo dados da Morningstar de novembro de 2013. A rendibilidade média atingida nos últimos cinco anos (calculo a 30 de novembro de 2013) é de 3,1% e a um ano (cálculo na mesma data) 3,43%.

O gestor do Popular Euro Obrigações considera que o momento atual é propício para que os fundos de obrigações ganhem "maior realce e dimensão", verificando-se "uma cada vez maior e melhor qualidade na sua gestão".

O responsável da área de obrigações da ESAF considera que "os gestores portugueses gozam de uma boa reputação junto do mercado financeiro. Apesar da pequena dimensão do mercado português (e a existência de economias de escala faz a diferença...), os gestores são sofisticados, bem preparados tecnicamente, polivalentes e interessados em investir nos mercados internacionais".

No que diz respeito ao produto, as rendibilidades alcançadas por alguns fundos portugueses em nada ficam atrás dos seus pares europeus. Na categoria obrigações diversificadas euro, aparecem numa pesquisa na página portuguesa da Morningstar, por rendibilidade a um ano, três fundos portugueses a encabeçar a lista. São eles o ES Euro Bond, fundo domiciliado no Luxemburgo e gerido pela ESAF - International Management S.A., com um retorno a um ano de 7,62%, o Popular Euro Obrigações com 7,07% e o Patris Taxa Fixa Euro com 4,66%, administrados pela Popular Gestão de Activos e Patris Gestão de Activos, respetivamente. Numa análise a três anos, os dois fundos líder são, novamente, o ES Euro Bond com 15,68% e o ES Obrigações Europa, gerido pela gestora portuguesa premiada o ano passado pela Morningstar como melhor sociedade gestora global e de obrigações - a ESAF, com 14,70%.

Finalmente, Leonel de Jesus aponta caminhos futuros referindo que no curto prazo o foco está em "prazos temporais curtos e riscos de mercado ainda muito conservadores, com oferta de ainda alguma rentabilidade, mais especificamente dívida soberana" e num futuro próximo, também com alguma pressão de Instituições e Organismos Estatais Nacionais e Internacionais, poder-se-á  assistir ao aumento do foque para corporate, ao que também não estará fora de contexto, a entrada num ciclo de recuperação económica", explica.

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