Portugal não beneficia o investimento em fundos de distribuição


Na sequência do artigo publicado ontem pela Funds People sobre os fundos de distribuição de rendimentos e a sua aproximação de conceito aos depósitos, fomos verificar esta tendência junto do Banco Best, entidade que apresenta a maior quota de mercado na comercialização de fundos estrangeiros.

Em Portugal, o tema não é novidade sendo que na maioria das gestoras locais existem fundos que contemplam a distribuição de rendimentos. Contudo e, conforme explica Rui Castro Pacheco, “em alguns países a fiscalidade aplicada ao rendimento é inferior à aplicada ao ganho sobre o investimento (diferença entre valor de subscrição e valor de resgate), o que incentiva a aplicação neste tipo de classes de distribuição periódica de rendimento. Em Portugal tanto o rendimento distribuído como a diferença entre o preço de subscrição e o de resgate são fiscalmente classificados como rendimento, sendo aplicada em ambos os casos uma retenção de 28%. Assim, em Portugal não existe fiscalmente vantagem em investir nas classes com distribuição de rendimentos pelo que tradicionalmente os investidores nacionais em fundos de investimento não procuravam por este tipo de classes”.

A realidade parece ter mudado e, no Banco Best, as posições neste tipo de fundos passaram a ser mais significativas nos últimos dois anos. “Há dois anos tínhamos uma posição residual neste tipo de fundos”, refere Rui Castro Pacheco. O cenário macroeconómico desafiante e de baixas taxas de juro que conduziram a que os bancos oferecessem menos remuneração nos tradicionais produtos de investimento são indicadas como razões para esta mudança. Portanto, “nestes últimos dois anos parece ter despertado um apetite por este tipo de fundos, eventualmente por parte de clientes habituados a investir noutros instrumentos como depósitos e obrigações e que estejam a diversificar os seus investimentos para fundos”.

 

Rendimento ou retorno total, eis a questão?

A opção por este tipo de fundos e tendo uma boa parte dos fundos estrangeiros sempre disponível as classes de acumulação e de distribuição deve ser, contudo, bem entendida pelo investidor.

Rui Castro Pacheco salienta que um cliente que escolhe este tipo de fundos “deve ter atenção não só ao rendimento que é distribuído mas também à evolução da cotação de modo a perceber o “retorno total” do investimento. É que os fundos de investimento, analogamente ao que acontece com uma empresa, não tem que distribuir 100% dos seus ganhos, podendo optar por distribuir uma parte e acumular o restante para reinvestir e acumular no valor da cotação diária”.

Apesar do exposto, o investidor que tenha “mesmo a necessidade de receber rendimentos para fazer face a determinados compromissos, pode preferir os fundos com alta distribuição de rendimentos, mesmo que o retorno total não seja o mais alto”. Vejamos o exemplo dado pelo subdiretor de investimento do Best, “um fundo A que distribua num ano 5% em rendimento e apresente uma valorização de 4%, tem um retorno total de 9%. Já um fundo B que opte por distribuir 7% em rendimento e a sua cotação cresceu 1%, o seu retorno total é de 8%. Caso o investidor tivesse olhado apenas para o rendimento distribuído, teria achado o fundo B mais interessante já que este distribuiu 7% em rendimentos, no entanto o retorno total do fundo A foi superior, ainda que tenha optado por distribuir um rendimento inferior”.

 

Os 10 fundos de distribuição com maior volume à data no Banco Best

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