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Porque é que os ETF sobre o S&P 500 e o Eurostoxx 50 batem os seus índices?


Bater o mercado não é algo exclusivo da gestão ativa. Os ETFs também podem gerar rentabilidades acima dos índices que replicam. Pelo menos, em alguns casos muito concretos. Assim acontece por exemplo com os produtos sobre o S&P 500 e o Eurostoxx 50. Durante os últimos cinco anos, as rentabilidades produzidas pelos fundos cotados com mais património que replicam ambos os índices terá sido superior à gerada pelos subjacentes. No caso europeu, os ETFs da BlackRock, Deutsche AM e Lyxor conseguiram ganhar ao Eurostoxx 50 por uma distância curta mas, embora curta, positiva.

De acordo com os dados da Morningstar Direct, a rentabilidade anual líquida oferecida nos últimos cinco anos pelos fundos cotados sobre o Eurostoxx 50 com mais volume de ativos – iShares Core Eurostoxx 50, db x-trackers Euro Stoxx 50 e Lyxor Euro Stoxx 50 ETF – situa-se entre 14,7% do primeiro e 14,5% do último, face aos 14% gerados pelo Eurostoxx 50 Net Return. No que diz respeito ao índice S&P 500, acontece o mesmo e os fundos cotados da Vanguard e iShares – os que atualmente reúnem mais património – batem o índice.

As razões que explicam esta surpreendente capacidade de os ETFs gerarem rentabilidades acima dos índices são diversas. Algumas são estruturais e outras conjunturais. Entre as primeiras, a mais importante é a fiscalidade. No caso dos Estados Unidos, por exemplo, os ETFs domiciliados na Europa replicam o S&P 500 Net Return (NR), que exclui os impostos sobre dividendos, que para os que não residem nos Estados Unidos, são de 30%. No entanto, importa recordar que os ETFs estão domiciliados na Irlanda e que este país tem um tratado de fiscalidade especial com os Estados Unidos, que diminui essa percentagem para 15%.

Segundo Aitor Jauregui, responsável de desenvolvimento de negócio da Blackrock para a Ibéria, esses 15% de diferença, com uma rentabilidade por dividendo de 2% para o S&P 500, representa 33 pontos base anualizados face ao benchmark. Enquanto que para o Eurostoxx 50, a rentabilidade por dividendo atual é de 3,87% e essa diferença de retenção entre o índice e o ETF traduz-se em 52 pontos base de receita adicional para o fundo cotado.

Os ETF’s sobre o Eurostoxx 50 também recolhem a rentabilidade líquida do índice. Cada país aplica impostos diferentes, com o qual a gestão calcula uma taxa média que aplica para computar a rentabilidade líquida do índice. “Neste caso, quando a época de pagamento de impostos sobre os dividendos se aproxima, os ETFs tendem a emprestar os títulos a contrapartes em jurisdições que tenham a taxa mais favorável que a que determina o índice. Estas contrapartes pagam os impostos e devolvem os holdings ao ETF. Graças a este tipo de eficiências fiscais, os fundos cotados sobre o Eurostoxx 50 batem regularmente a rentabilidade média líquida do índice em 50 pontos base, uma vez descontadas as comissões, as quais não representam um problema, dado que os fundos cotados sobre o S&P 500 e o Eurostoxx 50 têm TERs muito baixos, que em alguns casos podem ser de 0,05%”, revela José García-Zárate, analista de ETF’s da Morningstar.

Outras razões que explicam este fenómeno

O tratamento fiscal não é o único fator que explica o melhor comportamento dos ETFs face aos principais índices dos Estados Unidos e da Europa. Há mais que somam pontos base ao marcador dos fundos cotados. Entre eles destaca-se, em primeiro lugar, o empréstimo de títulos, uma prática padronizada na indústria, cujo objetivo é gerar uma fonte adicional de receitas para os ETFs. Segundo os cálculos de Jauregui, no caso do S&P 500, aquilo que o fundo cotado recebe de comissões que recebe do empréstimo de títulos, pode ser de até 3 pontos base em 12 meses. No Eurostoxx 50, o que o ETF recebe ronda os quatro pontos base.

A outra fonte de receitas é mais conjuntural e está relacionada com o reinvestimento dos dividendos e o Bull Market que dominou a cena durante os últimos cinco anos. A política de remuneração dos acionistas cotados não é homogénea. Cada empresa tem o seu próprio calendário. Como regra geral, os ETF’s pagam dividendos no final de cada trimestre. O que ocorre então quando uma empresa distribui um dividendo, por exemplo, a 10 de abril? O que se faz com esse dinheiro até que o ETF volte a fazer o pagamento aos seus acionistas? Tal como indica Jauregui, esse valor é geralmente reinvestido no futuro sobre o próprio índice, até que se alcance o fim do pagamento seguinte. “Em períodos de subida dos mercados, como tem sido o caso durante os últimos cinco anos, adiciona mais rentabilidade”.

Todos os fatores anteriormente mencionados fazem referência a temas relativos à fiscalidade ou à própria estrutura dos ETFs, os quais têm um papel muito importante para que os fundos cotados estejam a conseguir bater o Eurostoxx 50 e o S&P 500. No entanto, também há aspetos que estão muito relacionados com a gestão feita por cada provider e que, ainda que não sejam tão ativos, têm o seu peso. Entre eles destacam-se as técnicas de otimização que cada provider utiliza na hora de replicar o índice ou os custos em que incorre cada entidade na hora de fazer o reequilíbrio da carteira.

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