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Porque nem sempre é boa ideia apostar nos fundos com a maior active share


Umas das afirmações mais controversas de Cremers e Petajisto, inventores do conceito de active share – a percentagem da carteira de um fundo que difere do seu índice de referencia, permitindo determinar o grau de gestão ativa da equipa de gestão do fundo – está relacionada com a sua capacidade de prever que fundos conseguirão bater os seus índices de referência. Apesar da popularidade que este rácio adquiriu nos últimos anos, numerosos estudos puseram em dúvida a sua utilidade como ferramenta preditiva.

Agora, a Morningstar pôs também debaixo da sua lupa este parâmetro. E a conclusão é que, na hora de usar a active share como ferramenta de seleção de fundos, maior nem sempre equivale a melhor. No seu relatório Active Share in European Equity Funds, a empresa de análise examinou uma amostra de 456 fundos de ações europeias de grande capitalização, pertencentes às categorias de Europe Large-Cap Value Equity, Europe Large-Cap Blend Equity e Europe Large-Cap Growth Equity. Os dados abarcam o período entre janeiro de 2005 e junho de 2015.

Ainda que, em geral, o estudo demonstre que os fundos mais ativos se comportaram melhor que os do quartil menos ativo em todos os períodos de cinco anos analisados, “à medida que aumenta a percentagem de active share, também o faz a dispersão das rentabilidades e risco”, afirmam os autores do relatório, que advertem que os fundos que melhor se comportam, a par com os que pior o fazem, se encontram entre os que têm uma active share mais elevada. “A dispersão nas rentabilidades adicionais dos fundos com uma active share a cinco anos inferior a 60% oscila entre -5% e 4%, ainda que a maioria se concentre num intervalo mais estreito. No entanto, com o aumento da active share, aumenta também o intervalo de rentabilidades adicionais, que oscilam entre -11% e 6,7%”.

Em concreto, os dados demonstram que se nos concentrarmos no quartil de fundos com maior active share, os que têm um rácio superior a 90% comportaram-se pior que a média do quartil, o que sugere que “não é o nível de desvio em relação ao índice que determina um melhor comportamento do fundo, mas a qualidade das posições ativas da carteira”.

Factores de risco

Um dos aspetos que identificam os autores do relatório é que, à medida que aumenta  a active share, ganham peso os diversos factores de risco que os investidores devem ter em conta. Por exemplo, os fundos mais ativos costumam mostrar uma inclinação muito mais pronunciada para certos estilos de investimento, o que acaba por influenciar muito mais os resultados do fundo que o grau de gestão ativa.

Outro factor de risco é a maior presença de posições em empresas de pequena e média capitalização, inclusive entre os fundos objeto do estudo, que investem maioritariamente em grandes capitalizações.

Por último, o relatório revela que existe uma relação entre a active share e o tracking error, que pode ajudar a calibrar o grau de êxito dos fundos com certo nível de gestão ativa. Como mostra o gráfico, os fundos mais ativos tendem a comportar-se pior (pontos vermelhos) quando também registam um tracking error elevado. 

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