Popular Gestão de Activos: “A desaceleração económica chinesa deverá continuar a ter efeitos negativos nos países emergentes”


Os assuntos de ordem política vão claramente impor-se no segundo semestre do ano. Esta é a convicção da Popular Gestão de Activos, que acredita que o maior desafio ao trabalho que efetuam será proveniente dessa temática e, na Europa, entendem que este será um período chave para se perceber se “os novos mecanismos que a Zona Euro entretanto construiu serão ou não suficientes para evitar o alastramento dos efeitos da crise grega a outros países da Zona Euro, nomeadamente aos restantes periféricos”.

A médio prazo, por seu lado, os desafios poderão ser domésticos e mais próximos, por causa de uma “eventual crise política a seguir às eleições em Portugal, mas sobretudo a seguir às eleições em Espanha que, pela dimensão da sua economia, pode colocar desafios muito maiores à própria Zona Euro”. No entender da entidade a maior lesada deste tipo de crises políticas será a recuperação económica “que está finalmente a sentir-se na Europa e na qual Espanha até tem tido um dos melhores desempenhos, o que também tem ajudado à recuperação económica de Portugal, uma vez que se trata do nosso principal parceiro económico”.

Maior confiança na Zona Euro e no Japão

Numa análise do desempenho das principais regiões, da entidade evidenciam o positivismo em relação à economia europeia. Esperam da Zona Euro “uma valorização dos mercados accionistas, se os efeitos positivos da política monetária mais expansionista levada actualmente a cabo por parte do BCE não vierem a ser postos em causa”.

Quando as previsões “se viram” para os EUA, o positivismo acalma. “Os EUA apresentaram até agora valorizações pouco expressivas que poderão melhorar no 2º semestre, caso os resultados das empresas norte-americanas do 2º trimestre, que irão ser apresentados sobretudo durante o mês de Julho, surpreendam, tal como esperamos, face às expectativas actuais dos analistas”, analisam da entidade nacional. Da economia nipónica não esperam que os bons resultados atuais do mercado acionista sejam um mau presságio para a economia. Referem que o país “deverá continuar a ter um bom desempenho no 2º semestre impulsionado não apenas pela política monetária expansionista levada a cabo pelo BoJ (Bank of Japan), como também pelas mudanças estruturais a que estamos a assistir no seio das empresas japonesas, como por exemplo o aumento do pagamento de dividendos e uma maior preocupação com os accionistas”.

China: volatilidade deverá continuar

Do lado da China, a Popular Gestão de Activos prevê a manutenção da “desaceleração económica”, que é “própria das mudanças estruturais que está a levar a cabo, o que poderá não ter um grande efeito nos mercados accionistas chineses que têm sido conduzidos sobretudo por aspectos técnicos”. Recordam neste sentido a “nova ligação entre os mercados das acções de tipo A (acções cotadas em bolsas localizadas na República Popular da China e com maiores restrições à negociação por parte de investidores estrangeiros) e de tipo H (acções cotadas na bolsa de Hong Kong e com negociação facilitada por parte de investidores estrangeiros)”. No curto prazo entendem que a volatilidade nos mercados financeiros chineses pode aumentar por causa destes aspectos de carácter mais técnico, mas também à medida que a China vá tendo um papel “mais importante ao nível da economia mundial, nomeadamente com um aumento do papel do renminbi como moeda de reserva internacional, ou com a criação dum mercado obrigacionista na China que facilite o financiamento dos governos locais ou regionais”. Igualmente a desaceleração económica chinesa, “deverá continuar a ter efeitos negativos nos mercados financeiros dos países emergentes, sobretudo daqueles países que dependem mais da exportação de “commodities” para a China, como é o caso da maioria dos países da América Latina e de alguns países de África”.

Na restante metade do ano a Popular Gestão de Activos entende que um facto surpreendente seria “a não existência duma subida da taxa de juro de referência por parte da FED durante todo o ano de 2015, o que provavelmente significaria que os efeitos económicos da crise grega teriam sido superiores àqueles que se podem esperar à partida que ocorram, nomeadamente na economia dos EUA, a qual continua a apresentar até agora indicadores de recuperação económica sobretudo ao nível do mercado de trabalho”.

Ao nível da alocação de ativos a entidade entende que  “as principais linhas condutoras continuarão a ser a expectativa duma melhor performance por parte dos mercados accionistas face aos mercados obrigacionistas, num contexto de recuperação económica por parte das economias desenvolvidas, bem como a expectativa duma valorização dos activos das regiões sujeitas a políticas monetárias mais expansionistas, como são os casos da Zona Euro e do Japão”.

(Na foto: Paulo Gonçalves, da Popular Gestão de Activos)
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