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Ponto final: A Reserva Federal põe fim ao seu programa de estímulos


Chegou ao fim. A Reserva Federal pôs mesmo um ponto final ao seu programa de compra massiva de ativos financeiros e empréstimos hipotecários para dar liquidez aos mercados e estimular a economia norte-americana. Através de um comunicado, o banco central anunciou hoje a decisão. No próximo mês a autoridade monetária norte-americana não intervirá no mercado comprando dívida, retirando assim os estímulos que tinha começado a colocar há três anos atrás. A Fed considera que a “expansão moderada” da economia americana e o “sólido ritmo de criação de emprego” justificam por si só a suspensão do programa. Precisamente: as taxas de juro vão manter-se estáveis nos 0% “durante um período considerável de tempo”, que se justificam com uma pressão inflacionista que continua baixa e “uma recuperação do mercado imobiliário que continua a ser lenta”.

A reação dos mercados, por enquanto, está a ser muito cautelosa. Tanto o Dow Jones como o S&P 500 estão a registar ligeiras descidas da ordem dos 0,3%, respetivamente, (leia-se logo após a divulgação do comunicado), sendo uma reação muito “morna” tendo em conta a importância da notícia. Segundo Didier Saint-Georges, membro do Comité de Investimentos de Carmignac, “o fim da política flexível quantitativa adivinhava-se há meses. Seria demasiado surpreendente que os mercados reagissem excessivamente a uma notícia tão importante. Os mercados não centraram a sua atenção neste evento, mas sim em saber se Janet Yellen manterá ou não a sua palavra sobre o futuro da política da Fed ao nível da manutenção das taxas próximas de 0%”.

Na opinião do especialista, numa conjuntura de inflação muito débil, a presidente da Fed tem margem para manter uma posição imprecisa e tranquilizadora sobre o momento em que a política monetária se normalizará. Por agora, Yellen mantém-se em silêncio. Quando falar, “a sua linguagem oferecerá uma ideia, em primeiro lugar, da sua opinião sobre a solidez da economia norte-americana. Do nosso ponto de vista, o dinamismo das grandes empresas norte-americanas está a perder pujança e devemos estar atentos se a Fed, através dos seus comentários, confirma esta hipótese”, afirma Saint-Georges.

Numa perpectiva similar, Rick Rieder, chefe de investimentos da área de obrigações fundamentais da BlackRock, no início de setembro assegurava que “as melhorias recentes do mercado laboral, os dados sobre a inflação reafirmantes e o doloroso impacto das taxas excessivamente baixas, sugerem que a noção de manter uma política monetária acomodatícia em níveis de emergência para os tempos que correm parece uma política duvidosa”. Neste sentido, o especialista recordava por esta altura que a Fed tem a obrigação de manter a estabilidade  dos preços e gerar emprego. “O estado destes dois factores sugere que a política de taxas poderia entrar em transição antes daquilo que muita gente antecipava, e que a autoridade monetária pode mover-se mais cedo do que tarde em direção a uma taxa mais elevada”.

O certo é que, com as suas manobras de comunicação, a Fed conseguiu que o consenso situasse o fim das compras de dívida no quarto trimestre de 2014, e que a primeira subida das taxas ocorra no primeiro trimestre do ano que vem. A postura defendida pelos especialistas da Pioneer Investments aponta que “a aproximação gradual da Fed em direção à normalização está a contribuir para um cenário de nova normalidade, em que qualquer recuperação se torna frágil, independentemente dos números económicos”. Esta é uma fragilidade que é acentuada pelo escasso investimento empresarial e que manteve os investidores cautelosos perante uma possível contração prematura. 

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