Podem os ETF ser uma alternativa mais eficiente aos futuros do ponto de vista operativo e de custos?


Os investidores recorrem aos contratos de futuros principalmente para replicar determinados índices nos mercados de ações, de obrigações e de matérias-primas. Apenas nos contratos sobre índices de ações, a atual alocação a futuros supera o bilião de dólares. Os investidores utilizam os futuros para distintos fins: alavancar as carteiras, fazer operações de hedge e aproveitar as oportunidades que surgem quando se aproxima a data de vencimento dos contratos em questão. Por esta altura do mês, ou do trimestre, é quando os investidores fazem roll-over das suas posições, ou seja, fecham um contrato que está prestes a vencer e formalizam um novo.

Continua-se a recorrer em grande medida aos futuros para que haja exposição a um índice sem alavancagem. Isto é o que se denomina de uma operação “totalmente paga”. No entanto, determinados investidores têm vivido um aumento dos custos associados a estas posições em futuros e noutros veículos de réplica, como é o caso dos ETF, que podem ser uma opção mais acessível. A pergunta que se impõe é óbvia: “Porque é que os futuros estão agora mais caros?”. Segundo Ursula Marchioni, diretora de estratégia de ações e análise e investigação de produtos cotados da iShares para EMEA, durante o último ano e meio, os investidores que utilizam futuros sofreram um aumento dos custos de roll-over, tendo em conta o seu valor justo.

“O roll-over de setembro deste ano foi o oitavo roll-over consecutivo no qual os contratos de futuros que facilitam a exposição ao índice S&P 500 foram mais caros. Na nossa opinião, trata-se de uma consequência direta da implementação do marco normativo de Basileia e da norma Volcker. Estes novos marcos regulatórios encareceram o custo de capital para os bancos. Atualmente, quando os bancos criam futuros, originam mais custos na altura de destinarem capital à compra dos elementos subjacentes ao índice. Em última instância, este custo é transferido para o investidor e faz com que o contrato de futuro que o índice de referência replica seja menos eficiente e mais caro de manter”. Podem então os ETF ser uma alternativa mais eficiente do ponto de vista operativo e de custos?

Ao contrário das dificuldades que os futuros enfrentam, Marchioni considera que os ETF têm ganho em eficiência, tanto no plano operativo, como ao nível dos seus custos de formalização. “Tal como acontece em qualquer mercado que se consolida, apareceram novos atores e a procura de produtos aumentou. O mercado de ETF cresceu de forma considerável e os ativos geridos à escala mundial passaram dos 79.000 milhões de dólares para os 2,6 biliões de dólares no final de setembro deste ano. Isto fez aumentar a liquidez e reduziu os seus custos de negociação, calculados segundo a diferença entre os preços de compra/venda do mercado”, revela a especialista. 

Fonte: BlackRock, segundo estimativas dos Brokers, cedidas no final de agosto de 2014

Outro dos factores que estará a beneficiar os ETF é o aumento da gama de produtos. O panorama dos produtos cotados à escala mundial é composto por mais de 5.000 instrumentos, dos quais mais de 2.000 estão domiciliados na Europa. “Estes ETF fornecem acesso a uma grande variedade de índices e estratégias e representam um conjunto de oportunidades consideravelmente maiores do que as oferecidas pelos futuros cotados. Deste modo, os investidores são capazes de se expor com maior precisão ao índice que querem em vez de acederem a um equivalente do mesmo”.  

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