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“Passamos muito tempo a perceber o papel de um determinado investimento na construção do portfólio”


“Nos últimos cinco anos começou a assistir-se a uma transição, que se tornou ainda mais evidente nos fluxos de fundos dos últimos três anos. Para muitos investidores a forma como podem investir nos portfólios pode tornar-se relativamente limitada em termos de diversificação: existem fundos de ações e outros de obrigações, mas que acabam por ser limitativos no que toca à flexibilidade da sua alocação de ativos”. Esta foi a resposta inicial de Olivia Mayell, responsável pela equipa de especialistas de produto do Global Multi-Asset Group da J.P. Morgan Asset Management, à pergunta que se impõe: “O que justifica o extraordinário apetite por fundos multi-ativos nos últimos tempos?”.

Para Olivia, os portfólios multi-ativos “ganham pontos” por via de várias caraterísticas. “Trabalhando com diversos portfolio managers mais especializados, com carteiras que refletem as suas visões macroeconómicas, talvez possam existir diferentes tipos de resultados refletidos nessas carteiras”, apontou.

Em específico sobre o fundo da casa JPM Global Capital Appreciation Fund, a profissional entende que são duas as caraterísticas que o tornam útil para o investidor, e com valor acrescentado face aos concorrentes: a baixa correlação com o tradicional direcionamento dos mercados, e a baixa correlação com os outros fundos multi-ativos, que se materializa numa grande flexibilidade de ter “posições em carteira que nem sempre seguem a direção de mercado tradicional”. Desta flexibilidade deriva o facto do fundo não seguir nenhum benchmark, sendo a sua referência o ‘cash benchmark’. Acima de tudo, a profissional ressalva a natureza de retorno absoluto do produto e a implementação especifica da alocação de ativos.

Processo inverso dos fundos tradicionais

Nessa quase ‘cirúrgica’ implementação dos ativos em carteira, entra um dos processos mais caraterísticos do fundo: o uso de uma abordagem de investimento macro-temática. Dos principais temas macro, que permitem identificar mudanças estruturais ou cíclicas, realçam-se a baixa inflação, a recuperação gradual europeia, o fortalecimento da economia norte-americana, a China em transição ou o reequilíbrio dos mercados emergentes. Olivia explica que “numa perspetiva top down, tentamos perceber quais vão ser os principais eventos que vão guiar os mercados e que investimentos se podem fazer de forma a completar o portfólio. Trata-se portanto do processo inverso feito pelos fundos tradicionais”. Embora os temas macro sejam revistos a cada trimestre, a sua implementação geralmente muda a cada três anos.

Para a profissional são dois os temas macro onde vê maior potencial de investimento por esta altura. Por um lado o “fortalecimento da economia norte-americana”, a partir do qual acreditam que “existem muitos ‘trades’ que vão beneficiar do contexto”; por outro, o reequilíbrio dos mercados emergentes. “As divisas emergentes vão manter-se sob pressão e, por isso, vamos assistir ao impacto da transição da China, mas também de um dólar mais forte, bem como de uma subida de taxas de juro”, assinalou.

“Prova” cega de agosto e como avaliar o risco

Mas como é que a flexibilidade se implementa num ambiente de volatilidade como o de agosto? “Passamos muito tempo a perceber o papel de um determinado investimento na construção do portfólio e qual o seu risco real”, referiu. Exemplifica, dizendo que “não é suficiente ter em mente que a volatilidade total do portfólio é 8%, sendo sim importante perceber qual a volatilidade de cada posição individualmente”. Atualmente o portfólio tem muitas posições relativas em termos de divisas - longos em dólar e com posições curtas nas moedas de mercados emergentes  - e, por isso, “muitas dessas posições vão beneficiar se o mercado estiver volátil, enquanto outras saem a ganhar com as experiências mais positivas do mercado”. Concretiza: “o mercado de ações norte-americano está positivo, e esperamos que as posições que temos em bancos norte-americanos se saiam bem. Se olharmos para o risco total do fundo verificamos que esses bancos que temos em carteira, na verdade, ajudaram a diminuir o risco total do portfólio, porque a maioria dos nossos títulos são muito prudentes”.

‘New normal’?

Importa ainda referir que Olivia Mayell é mais uma das profissionais a acreditar que a volatilidade de verão veio para ficar. “Vamos assistir a retornos mais baixos, para níveis de risco mais elevados” e, portanto os “investidores têm de se tornar mais ativos”. Um processo moroso, que na opinião da profissional “leva tempo de adaptação”. A esse nível acrescenta que olhando para as carteiras típicas de multi-ativos nos últimos 10 anos, o retorno histórico tem sido próximo dos 8%, e daqui para a frente assumem que poderá estar consonante com 6% de retorno. 

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