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Países mais pequenos, inclusive Portugal: Que papel ‘jogam’ na economia dos gigantes?


Na sequência do documento “Success of Small Countries Report”, lançado em agosto de 2014, o Credit Suisse divulga agora uma nota de Research que se intitula “The sucess of small countries and markets”.

“No relatório concluímos que os países desenvolvidos mais pequenos, bem como os territórios aduaneiros independentes (definição da World Trade Organization) eram mais bem sucedidos economicamente do que os homólogos de maior tamanho e, mais importante ainda, tendem a ser mais globalizados”, começam por dizer, fazendo alusão às conclusões do documento emitido no verão passado. Foi a partir deste momento que a equipa do Credit Suisse Research Institute passou a notar uma maior presença da narrativa referente aos países de menor tamanho. Como reforço da crescente importância destes mercados, a entidade realça que no “CS Country Strenght Index”, criado recentemente, 6 dos 10 países com mais “força” são estados de menor dimensão.

Portugal é um dos países aos quais se faz referência na recente nota de research da entidade, por exemplo quando se enumeram as várias nações que têm passado por desafios. Lado a lado com a Irlanda, incluem o nosso país na lista dos que foram expostos a “custos sociais provenientes da austeridade”. Tudo isto para referir que os países mais pequenos podem funcionar como uma espécie de ‘cobaia’ e presságio para o que pode vir acontecer nos países de maior dimensão.

“Canários na mina de carvão”

É numa metáfora com os canários na mina de carvão, ou seja, com o método utilizado pelos mineiros para descobrir se existiam ou não gases perigosos na mina (caso positivo os canários morreriam primeiro do que os mineiros), que o Credit Suisse explica o potencial dos países mais pequenos.  Lembram que desde a queda do comunismo muitos são os países menores que têm passado por processos de crescimento e prosperidade. Dividindo os países em três grupos distintos – small developed ‘blue chip’ countries (onde se inclui Portugal), large developed countries e small developing countries – a entidade realça que os países desenvolvidos de menor tamanho têm sido líderes na “forma como abrem a sua economia” (gráfico abaixo), e, consequentemente, na forma como são mais globalizados.

Países pequenos como Portugal: ‘lead indicators’ para os maiores

Ainda nesta ideia de globalização escrevem que os países mais pequenos são muitas vezes “os primeiros a experienciar tendências na economia global”, funcionando por isso como ‘lead indicators’ para os países maiores. No quadro abaixo, que inclui Portugal, podem ver-se por países, representados a verde, os indicadores que subiram acima dos níveis médios.  Para o Credit Suisse são duas as razões que justificam o facto de os países mais pequenos representarem  bons indicadores do que pode acontecer nos maiores. Por um lado funcionam como um factor de antecipação, porque, na sua maioria, “dependem fortemente das políticas económicas executadas pelos seus parceiros comerciais de maior dimensão”; por outro, os especialistas dão conta de um “efeito de integração”, que permite a estes países mostrarem sinais de movimentos mais “incomuns”, antes de chegarem às nações de maior dimensão.

Finalmente, no documento, a entidade não esquece a relação existente entre os países mais pequenos e os mercados. Demonstram, por exemplo, que os retornos das ações de países desenvolvidos de menor dimensão ultrapassam claramente as a de países maiores nos últimos 50 anos, enquanto que as obrigações de países mais pequenos apenas bateram as de países de maiores nos últimos 20 anos.

 

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