“Os julgamentos do passado não são sempre um guia para o futuro”


Com uma iminente recuperação às portas da Zona Euro, a “velha sabedoria” das finanças diz que a típica ascensão no crescimento costuma ser boa para os activos com mais risco e má para as obrigações estrangeiras. No entanto, os economistas da UBS Global AM, Joshua McCallum e Gianluca Moretti, na última edição do relatório Ecomist Insights, avisam que “se esta recuperação for lenta, há muita coisa que se pode aprender com o passado, olhando para a forma como os activos se comportaram em dependência com a taxa de crescimento”.

Tal como acontece com os activos 'risk-free', também as obrigações estrangeiras tendem a comportar-se pior quanto mais alta é taxa de crescimento. Assim que as taxas de juro aumentam, dizem, espera-se que o desempenho das obrigações estrangeiras diminua. No entanto, os dois especialistas da UBS Global AM alertam que “os investidores só saem verdadeiramente prejudicados quando as taxas crescem, mas o que se esperava era uma descida”, dizem, aludindo a uma situação semelhante conhecida por “massacre das obrigações”, em 94, nos EUA.

Mas a situação desta vez é diferente, dizem McCallum e Moretti: “os bancos centrais estão a oferecer uma clareza sem precedentes no que diz respeito à altura em que as taxas de juro vão aumentar”. Com o novo ponto de orientação para a política monetária a ser focado em parar o crescimento demasiado rápido das 'yields', se os bancos centrais cumprirem o prometido “os investidores em obrigações podem estar protegidos das repentinas subidas das taxas”.
Recuperação e crescimento lentos

As acções, por seu lado, são vistas como um activo “pró-crescimento”, mas apenas se esse crescimento for forte. Os dois especialistas consideram que esta recuperação na Europa será “lenta” e, por isso, “muito pouco favorável para as acções”. McCallum e Moretti reiteram que apesar das empresas “ganharem receitas e sobreviverem” não vão emergir “num tipo de estratégias de crescimento ou de fusões e aquisições que podem trazer ganhos de capital para os investidores”.

Os investimentos de risco, fusões e aquisições e os planos de expansão mais alargada, todos comportam risco para as empresas, então todos são considerados actividades pouco “amigas” dos obrigacionistas”, dizem. Desta forma, “a situação ideal para um investidor de obrigações em grau de investimento, é que a empresa ganhe receitas sólidas, evitando a banca rota e também a excessiva alavancagem” - isto, dizem ambos os especialistas, é o que se pode esperar de um crescimento lento.

Agora mais do que nunca, dizem ambos os economistas, perante a singularidade das crises recentes é preciso ter em mente o seguinte aviso: “os julgamentos do passado não são sempre um guia para os julgamentos do futuro”.

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