“Os investimentos de longo-prazo nos emergentes não vão mudar drasticamente”


É o assunto do momento. A volatilidade das últimas semanas nos mercados, especialmente nos emergentes,  tem trazido a discussão sobre o que estará para vir daqui para frente. Precisamente este tema suscitou o assunto para Mark Mobius, o guru da Franklin Templeton Investments, que escreveu algumas palavras num post do seu blog, sob o mote “Ficar confortável com a volatilidade”.

“Em termos gerais os mercados têm-se tornado muito mais voláteis durante os últimos 20 anos, muito por causa dos fluxos massivos de dinheiro, não só vindos dos investidores institucionais e fundos de investimento de longa-duração, mas também de hedge funds e do trading de alta frequência”, refere Mark Mobius, que acredita que este tipo de flutuações de mercado têm uma duração muito curta, a avaliar pelos acontecimentos do passado.

Linha condutora nos emergentes

O especialista em mercados emergentes, realça duas nuances no que está acontecer. “Para os investidores de curto prazo, o tipo de selloff que se está a viver pode ser muito preocupante”, e por isso, a certo ponto “vamos ver muito dinheiro a sair dos ativos de risco”, que incluem as ações de mercados emergentes. Por outro lado, o guru acredita que “os investidores de longo-prazo apercebem-se que precisam de pensar antes de “saltar”, já que as recuperações podem vir muito rápido e depois pode ser muito difícil voltar a atrás, quando a recuperação efetiva chegar. Desta feita, Mark Mobius crê que a linha condutora para os mercados emergentes se mantém estável: “os investimentos de longo prazo não vão mudar drasticamente”.

Três fatores de estabilidade

O especialista diz mesmo que a situação nos emergentes não vai mudar, desde que três factores essenciais continuem estáveis. Em primeiro lugar, “as taxas de crescimento económico dos mercados emergentes em geral continuam a ser pelo menos três vezes mais estáveis do que as dos mercados desenvolvidos”. Em segundo lugar, “os mercados emergentes têm muito mais reservas estrangeiras do que os mercados desenvolvidos”. Por último, o especialista acrescenta que “os rácios da dívida em relação ao PIB dos países de mercados emergentes continuam bastante mais baixos do que os dos países desenvolvidos”.

Ainda que não seja fácil de concretizar, Mobius relembra que na Templeton Emerging Markets defendem a filosofia de comprar com frequência nas alturas em que os outros estão mais pessimistas. “Estes períodos de volatilidade não são portanto novos para nós e não mudam a nossa convicção de longo prazo em relação aos mercados emergentes, que achamos que lhes é inerente”. Desta forma,  os recente retirados dos mercados emergentes pode ser vista para o especialista como “um momento oportuno para procurar pechinchas para as nossas carteiras.  Atualmente encontramos valorizações em muitas ações de emergentes, mas também de mercados fronteira”, conclui.

China continua a crescer

Neste mesmo texto do seu blog, o especialista dirige palavras concretas aos países que têm desencadeado maior “pânico” nos últimos tempos: a China e a Argentina. Ainda que os recentes dados económicos relativos à economia chinesa não sejam os mais animadores, a realidade é que “a China continua a crescer a um ritmo muito rápido”. “Haverá uma desaceleração, mas nada significativo. Comparando com o valor do dólar, o crescimento do PIB da China é muito superior”, acrescenta.

Abolir restrição de capital na Argentina

 Mais concretamente em relação à Argentina, Mark Mobius considera que “o governo já se apercebeu que existe um problema com a competitividade do peso”. No que diz respeito à estratégia do executivo argentino, o especialista considera que a desvalorização da moeda é necessária, mas que “é questionável a forma esse processo está a ser feito”. Na opinião do especialista da Templeton Emerging Markets um dos objetivos do governo de Kirchner deveria ser a abolição da restrição de capital, “para que os dólares americanos fossem encorajados a entrar no país”. Na perspetiva do guru, “se o governo argentino não permitir que as taxas de juro subam, a desvalorização da moeda não vai fazer com que as saídas de dinheiro parem”, conclui.

 

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