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Os investidores profissionais devem preocupar-se com a história financeira?


Num mundo em que os acontecimentos se sucedem a um ritmo alucinante, as áreas financeira e económica não saem impunes. “A história económica e financeira tem vindo a experienciar uma renovação depois das consequências trazidas pela crise financeira global, com os governos e os bancos centrais a usarem reivindicações e premissas sobre eventos históricos do passado de forma a justificar as suas decisões políticas do presente”, começa por dizer um artigo presente na revista do CFA Institute, assinado por Desi Allevato, product development manager no CFA Institute.

Neste sentido importa perceber até que ponto estão os profissionais informados dos eventos financeiros e macroeconómicos que os rodeiam. Foi num questionário realizado aos leitores do boletim de notícias diárias elaborado pelo CFA Institute que se tentou perceber a importância da história da economia e finanças no sucesso dos profissionais de investimento. Das 844 respostas uma esmagadora maioria (96%) acredita que é ‘muito importante’ ou ‘algo importante’ ter as noções referidas. No entanto, Desi Allevato entende que muitos dos que tiveram essa resposta poderão não “estar a usar esses seus conhecimentos para fazer as melhores decisões de investimento”.

Foi nesse sentido que o Instituto, nos últimos anos, começou a explorar como é que os profissionais do investimento “podem integrar a percepção dos eventos passados nas suas visões e nas ferramentas que usam para tomar decisões de investimento no futuro”. Assim, em seguida, apresentam-se cinco introspeções sobre a temática.

1. Não estamos a viver tempos novos no que toca aos mercados financeiros

Muitas das situações, ideias e técnicas que até possam parecer as mais inovadoras e recentes, na verdade não o são. Saker Nusseibeh, CEO da Hermes Fund Managers em Londres, aconselha os investidores a serem mais céticos e a verificarem duas vezes as premissas. “Faça o seu próprio research e, seguidamente, se considerar que algo é novo, assuma-o como se não fosse”, aconselha.

2. A informação histórica não é propriamente o tipo de informação que os profissionais de investimento estão habituados

Dan Fasciano, CFA e managing diretor na BNY Mellon Wealth Management e Nusseibeh entendem que se um profissional não tem informação suficiente para fazer modelos muito precisos, não o vai conseguir fazer. “Incorporar informação histórica nas decisões de investimento requere um ‘mindset’ que não depende do modelo para o reconhecimento de padrões". 

3. Não assuma que os mercados financeiros (no presente e no passado)  são sistemas que têm por base regras

A ideia passa por abordar os mercados numa perspetiva mais biológica. Ou seja, olhar para os mercados como se fossem “organismos que são impactados por muitos factores, incluindo os seres humanos que com eles operam”.

4. As finanças comportamentais e a história financeira são duas áreas que têm muito para oferecer uma à outra

Dan diBartolomeo, presidente da Northfield Information Services, assinala que “as pessoas veem aquilo que querem ver" num determinado momento, e isso confirma-se durante toda a história. Para Napier “de forma a compreender porque é que as pessoas fizeram determinados erros no passado, é necessário entender que mal entendidos é que elas ‘carregam’ e que, por conseguinte, as fizeram cometer esses erros”. Nessa analogia, refere que os profissionais incorporam os seus próprios equívocos sobre a situação atual dos mercados.

5. Se à primeira não foi bem sucedido, tente não ser tão surpreendido da segunda vez

Fazer previsões e antecipações é importante para a estabilização do mercado e para os analistas individuais e portfolio managers. “Mesmo que tenda a repetir os mesmos erros é importante, pelo menos, que os analise, de forma a que se torne um investidor um pouco mais prevenido”.

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